sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sol

Sol no horizonte se põe.

Um dia chegou abrangente num sorriso e o olhar derramou o amor.
São versos ternos que queria silenciar todos os dias.

Foi na cidade que te vi, na estrada um colibri.

Depois de muito tempo a avenida estava esvaziada de ti. Comecei a pensar que não tinha mais volta, voltei a chegar. E todo lado eu via um instante de poesia. Era belo e triste como as ondas do mar.

E tudo era poesia, em cada verso um olhar. A natureza dizia cada coisa no seu lugar. A chuva para sentir, o vento para fluir e o mar para navegar.

E assim se foi mais um dia, chegou a noite adormecia. Na cama beijou o amor da madrugada abraçou. Um sonho sempre dá asas.

No céu um cometa pousou, eram os teus olhos. Olhos de amor.

domingo, 22 de novembro de 2009

Olhares Perdidos

Intui algo profundo, denso, etéreo, esvoaçante que foge agora do pensamento. Hoje um dia embaçado, nublado, cinza, tempestuoso, incansável.

A cidade tem ruas tortas, caminhos curvos, avenidas incertas, pessoas diversas. Em qualquer olhar perdido uma história mora deserta. Incertezas na avenida do sofrimento, existe esse lugar que chamamos de escuro e triste que às vezes se instala de tal modo que nos faz querer sumir do mundo, ir em outros cantos, fugir de onde estamos. Esse estado no qual tudo nos parece ausente de nós, sem sentido nem intimidade com qualquer coisa viva. É provável anoitecer antes do tempo e as rugas virem a nos assombrar mais tarde. Alucinação, tudo preto e nada no lugar, distorção da realidade e nada mais além. Qual a origem do trajeto, do caminho temos uma certeza: estamos perdidos. Construções, a cidade é toda uma construção de concreto, nada mais frio e impessoal do que isso, um mundo cinzento. São prédios, lares sobre lares, nada mais incerto, consumista e material. Olhares perdidos na multidão e o tempo que é consumido numa vida em segundos. Há quem não tenha apreciado verdadeiramente qualquer coisa na vida. Há quem se perca em prazeres repentinos sem direção, no consumo do eu. É coisa séria o modo como se vive a consumir qualquer coisa sem reflexão com gosto de alienação, robotizados, sem sentido nem imaginação. É grave pensar que todo valor é reduzido ao produto capital e quanto podemos ganhar para sobreviver com isso. A realidade é esta, o que podemos fazer para viver verdadeiramente e dizer que valeu a pena? Em cada um mora uma resposta que quer desesperadamente sair e começar a realmente ser o que se é. Não sei se basta querer ou se basta sorrir com consciência de toda tristeza. É diferente quando se faz uma escolha a cada dia.

Um enigma: podem palavras reunirem um instante de alegria pouca em alguém sensível? A pergunta que quer sair:

Em que posso contribuir para o teu sorriso florir?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Raios de Sol

Raios de sol iluminam uma árvore no meio da cidade, junto dela flores e algumas nuvens no céu azul. Ao lado uma multidão única pensa demais, preocupa-se demasiado com o tempo que se esvai a cada dia. Correr contra o tempo, desperdícios terrestres. Enquanto isso o mundo gira desenfreadamente sem rumo e o tempo nos esgota enquanto desacreditamos no potencial desse instante que agora nos passa. Queremos um pouco de felicidade para recordar em outros tantos momentos da vida ou uma luz que nos afague em ternos encontros serenos que nos dê um pouco de força para crescer a nossa intimidade com o mundo, com a vida? E enfim sermos capazes de apreciar cada instante que se esvai? Acordar para o presente...mas alguma coisa acontece nesse coração que se aborrece quando nascem tristes versos tortos, que é para aprender a sentir todo sentimento que brota terá um destino que nos fará crescer. "E que no final o mais importante terá sido o caminho e não o nosso destino..."

Temos uma existência lindamente errante na qual o tempo se desfaz na ternura dos dias. Gentilmente dança na impermanência de cada milímetro do universo. É um universo em cada coração e um cometa em cada olhar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Lago Azul

São águas cristalinas na superfície do olhar de azul claro e vibrante. Vida, perfume e lembrança. Não vi escuridão nem monstros na beira, vi tristeza e oração, sorriso e contradição. Um instante sombrio é passado doloroso no buraco negro do coração. Nuvens e saudade fantasiosa, tive a impressão de ter voltado ao horizonte e permanecido o passado intacto com o congelar do tempo. Nada mudou, eu mudei já não misturo os meus pensamentos com ele. Por um fio da paixão sem arder, com pouco carinho mas a querer bem. Não alterei os planetas de órbita e mal consigo sentir a tempestade, mas foi bom o caminho, ainda que o destino não existisse nos braços do nosso encontro trovejei alguma esperança na distancia. Impacto e alguma compreensão, a ternura sem desespero em verdes e azuis celestes, raridade um encontro sem encontrar. Observo toda calma que gira ao redor, o nada circundante e o prazer da realidade sem eco. Inventar palavras de doçura e acidez a borbulhar a intensidade imaginada, foi belo enquanto durou. Ainda não acabou eu sei, mas poderia ser o final de tudo. E acabaríamos em luz serena sem nada mais nada menos que um carinho que ainda permanece silencioso dentro de nós. Um pelo outro e pelo mundo afora...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pingo

A canção que compõe a minha vida é quase silenciosa, tem uma prece em forma de contentamento, mas não foi feita para todos ouvirem. Nem mesmo quem amo a ouve. Na maioria das vezes também não ouço nitidamente as notas e espero sempre que ninguém a escute tão rapidamente e a compreenda tão facilmente. A musica da minha vida é breve e suave, por vezes com momentos bons, mas na sua maioria é de tristeza que é composta. No fundo tem pingos aparentando uma chuva, por vezes um trovão na tempestade e depois um raio segue com um silêncio misterioso espalhando luz pela floresta. Em seguida o som aumenta devagar e como se estivesse em uma cachoeira a música continua, suave porém profunda e intensa. Pequenas batidas repercutem como um eco na mata com o som de pássaros ritmados como a uma orquestra. E no final ouvem-se passos a correr até finalmente chegar no mar e mergulhar. Suave e de repente ela termina com um beijo das ondas do mar.


16/02/2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lágrimas

Percorremos um muro de jasmins que nos separam dum encontro, são sonhos e anos distanciados. Sonhar uma luz que nos afague em ternura. Lembranças que nos ensinem um instante de saudade. Tristeza, sorriso perdido em lábios de vento sem o trovejar da esperança de tempestade no peito. A luz pequenina que acompanha o caminhar em cada túnel na escuridão dos nossos pensamentos. Tristeza e mais tristeza, não adianta ouvir sem se ver, é preciso respirar para ser. Qualquer viagem uma estória, se me recordo foi sempre encontro em ternura, por vezes silenciada, por vezes com raiva, mas sempre terno o encontro. Não existe lágrima, já tive dias de dolorosa passagem. O meu passado tem espinhos pelas beiradas, a estrada é longa e torta até esquecer toda infinidade de vidas. Já respiro algum perfume de jasmim ao lado e mais esqueci da dor de não ter. Não quero e recuso se me for oferecido algum coração. Como se fosse possível ofertar algo universal que pertence a todos em unidade. Expandir amor até ficarmos pequenininhos e não mais nos importar com o tempo que passa desapercebido. Estamos diante do mundo inteiro sem nada nas mãos, apenas com algum amor no coração.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Miragem

Sei lá amor, a vida é um mistério que não conseguimos prever em totalidade. Espetacular diria de surpresas, sorrisos que nascem de repente, paisagens e miragens incríveis. Quer sim, quer não somos todos nascidos de uma luz que nos acolhe exatamente no momento certo que nos libertamos de um conceito ilusório de felicidade e começamos a viver no instante luzidio, porque a luz só toca quem se permite ser tocado, quem se permite viver, sonhar e amar. Pode ser miragem, eu sei mas é o que escrevi agora no papel e me vieram imagens bonitas. Às vezes acho que a escrita me transforma em uma sonhadora incurável, tudo parece mais vivo e belo quando escrevo. Os detalhes ficam grandiosos e a vida cria um sentido bonito tão assim quase real que sinto uma vivacidade ao escrever. A música, as ondas sonoras que vibram pelo ar afagam quem escutar atentamente cada nota possível aos sentidos e todo mar que vai ondulando na superfície do coração que bate suavemente e cada batida, um instante de vida. É tudo incrível pra quem está vendo verdadeiramente essa dança do instante luzidio que vou chamar de miragem, mas também é miragem quando não ocorre nos olhos, mas no sonho, na vontade, no desejo. É tudo miragem. É tudo um encontro sublime. Os teus olhos que se encontram com essas palavras e com todo o resto que lhe circunda. Sabe, é possível beijar apenas com os olhos. Beijar com os olhos acho que seria como apreciar algo que vibra ao redor de nós e talvez guardar dentro do coração para depois poder recordar e sonhar o encontro novamente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Luzidio Instante

O sempre é presente de agora: Amor é Luz! Lembrança é esperança aos olhos do tempo. Futuro é miragem do depois, do nunca e do talvez um dia. Amor e luz emanam da vida e de tudo o resto. Saber ouvir é sentir-se eternizado em união com tudo que é divino e mora no universo. Aos olhos sentirem a chuva descer em sintonia com toda tristeza. Porque a vida tem tristezas e alegrias. Abranger os horizontes para cada vez mais a vida ter um sentido que seja amável precioso e verdadeiro. É permitido amar! E parece ser suficiente pensar que podemos amar livremente, porque o maior medo que temos é do amor. Existem encontros por toda parte. Existem encontros que se fazem desencontrados, rejeitados. Isso ocorre quando invadimos a solidão ao ponto de arder a semente de um encontro. Um encontro que se fez brevemente silenciado. Mas o que buscamos é encontrar-se e a saudade ainda permanece nas nossas essências como seres de alguma luz. A saudade de encontrar-se com um todo que nos faça sentir inteiramente. Sempre ainda inteiros seremos juntos algo mais que a solidão. E sós é apenas um passo para a loucura, a verdadeira não a divulgada, a loucura de quem não liga para os outros. A loucura de isolar-se por inteiro do mundo e achar que dessa forma vai encontrar algo mais que a solidão. Somos seres de alguma luz, seja qual for sua intensidade e vibração. Cada instante encontra-se com a eternidade, cada detalhe encontra-se com o todo e sempre existe saudade. Saudade de alguém que por um instante sentimos alguma conexão forte o suficiente para existir alguma ternura. Cada pedaço de vida quer se encontrar com outro pedaço de vida. O som do mar quando encontra-se com a areia faz sentir vida. A intensidade de um instante tem o valor da vontade de viver, amar, ser, sonhar. Por isso é permitido, é permitido amar!! Seja qual for a forma de amor é nobre, é bonito, é para simplesmente ser assim algo que vale a pena viver, sonhar, ser, amar. Enfim alguma luz habita qualquer miragem. Esperança é indício de vida, indício de luz! Ainda hoje vibra o luzidio agora em ti, em nós, em todos nós. Percebes que esse instante tem a intensidade do encontro por vezes desencontrado ou quem sabe um encontro silenciado em sonhos bons. Esse luzidio instante quer encontrar-se contigo nesse agora eternizado na ternura de uma união para espalhar entre o mundo, entre todos um vendaval de luz. Que haja paz, amor e luz em ti e em todos.