Música!

domingo, 22 de novembro de 2009

Olhares Perdidos

Intui algo profundo, denso, etéreo, esvoaçante que foge agora do pensamento. Hoje um dia embaçado, nublado, cinza, tempestuoso, incansável.

A cidade tem ruas tortas, caminhos curvos, avenidas incertas, pessoas diversas. Em qualquer olhar perdido uma história mora deserta. Incertezas na avenida do sofrimento, existe esse lugar que chamamos de escuro e triste que às vezes se instala de tal modo que nos faz querer sumir do mundo, ir em outros cantos, fugir de onde estamos. Esse estado no qual tudo nos parece ausente de nós, sem sentido nem intimidade com qualquer coisa viva. É provável anoitecer antes do tempo e as rugas virem a nos assombrar mais tarde. Alucinação, tudo preto e nada no lugar, distorção da realidade e nada mais além. Qual a origem do trajeto, do caminho temos uma certeza: estamos perdidos. Construções, a cidade é toda uma construção de concreto, nada mais frio e impessoal do que isso, um mundo cinzento. São prédios, lares sobre lares, nada mais incerto, consumista e material. Olhares perdidos na multidão e o tempo que é consumido numa vida em segundos. Há quem não tenha apreciado verdadeiramente qualquer coisa na vida. Há quem se perca em prazeres repentinos sem direção, no consumo do eu. É coisa séria o modo como se vive a consumir qualquer coisa sem reflexão com gosto de alienação, robotizados, sem sentido nem imaginação. É grave pensar que todo valor é reduzido ao produto capital e quanto podemos ganhar para sobreviver com isso. A realidade é esta, o que podemos fazer para viver verdadeiramente e dizer que valeu a pena? Em cada um mora uma resposta que quer desesperadamente sair e começar a realmente ser o que se é. Não sei se basta querer ou se basta sorrir com consciência de toda tristeza. É diferente quando se faz uma escolha a cada dia.

Um enigma: podem palavras reunirem um instante de alegria pouca em alguém sensível? A pergunta que quer sair:

Em que posso contribuir para o teu sorriso florir?

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