sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um pouco de mar


Preciso fazer as pazes com a prosa. Ela me pede muito no instante que nasce, me rouba a vida e me tira o controle. Eu e a prosa estamos esvaziados do perfume do mar e escutá-lo para longe estou de suas rimas, ritmos e melodias. O silêncio me devora em dias de solidão, não sei se queria parar o tempo, poder controlar a rima tal como quisera ser arranjado com a clareza da luz os acontecimentos da vida. O mar é apenas um refúgio, talvez um lar e de repente mergulhar nele seria bom, refrescante embora assustador deixar as águas me levarem para além da esperança e continuar sempre um movimento novo, novíssimo, nunca igual. A renovar o ser, a alma, mas estou medrosa de continuar a falar de amor, de mar, de dor. Parece até que vou afogar, sufocar na imensidão do mar. Tive medo do mar, tive medo que ele me engolisse e só sobrasse isso que não sei nomear, nem descrever, nem mesmo escrever, isso que queria te dar nas mãos para experimentar um pouco o sabor do nada do mundo, do fragmento do todo, da liberdade e do sufoco de ser louco. Esse silêncio que me possui e as palavras deixam de ter importância, potência e perfume. O mar pede muito de mim, me oferece demais e eu esqueço qualquer coisa para navegar no azul do mar.

Acho que esqueci o medo, acho que esqueci a dor, acho que ainda preciso de um pouco de ar, acho que vou voltar...

6 comentários:

Nydia Bonetti disse...

Luiza

Teu texto me fez lembrar um poema, da série casa 11 telefone 09:

Medo das Águas

perto de mim
flui
generoso
o rio

todos mergulham
ou
molham a ponta
dos pés

só os meus
sempre secos

Bom fim de semana! beijo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Eu e a prosa
somos colegas
tão distantes...

Um pouco de mar
é sempre bem-vindo! : )

Beijo,
doce de lira

Vera Y. Silva disse...

Se esqueceu o medo não pode ter esquecido a dor.

Dani disse...

olá!
vim te conhecer
mto prazer viu..
bonito texto!

beijinhos :)

A Magia da Noite disse...

a prosa liberta-nos do espartilho do sincronismo verbal, é como uma revolução de letras feita em que o ideólogo pode dizer o que lhe apeteça.

Luiza M. Nogueira disse...

Nydia: Lindo poema! Obrigada por compartilhares aqui. Um beijo.

Renata: Todo mundo tem um pouco de prosa na vida! :), obrigada. Um beijo.

Vera: Talvez tenha esquecido de sentir dor, talvez minta, mas nao me lembro ao certo. Um beijo.

Dani: Muito prazer Dani! Um beijo.

Magia: Certamente, ;) apetecendo escrevemos o que vier.