sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Despir de Excessos

Já não sei o que dizer. Palavras não quero. Quero a certeza de um amor qualquer. E desde já assumir um lugar de encontro para nunca mais perder-me de vista, mas já perdi e ainda não sei o que fazer com o pequeno poema que vi ali naquele pedaço de esperança. Seu nome era vento e logo hoje abriu a porta do quarto para dizer que chegou. Apenas isso que chegou e eu com isso? O que farei eu com isso?

Quero me despir de todo excesso, desse peso de complexidade superficial que me acostumei. E a simplicidade sem o brilho que me ofusca a vista, sem ser vista forte ou fraca. Sem qualquer coisa que me caracterize diferente. Sou o mundo, esse mesmo mundo que faço parte, faz parte de mim como se de um grão de areia me tratasse. Girar de repente sem euforia mesmo, mas calmamente girar na dança, nas tantas danças da solidão no suposto de mim com o tudo e o nada sempre presentes.

Nesse encontro sereno ainda gasto a complexidade secreta em versos alados, nadificados no silêncio do mundo, no silêncio de mim. E ainda percorrerás o universo e verás que esse nada é o mesmo todo que vibra em nós sempre mesmo que nunca tenhas reparado nesse aspecto sutil da existência sem orgulho demais nem de menos, sem ansiedades, mas com respeito e sempre por amor.

O simples parece tão distante e ao mesmo tempo tão perto. O simples do toque sem julgamentos, que toca e é só sem o mais que ilude.

Vamos, talvez me dando a mão eu consiga simplificar o encontro de dois perdidos e depois possa tornar-te num poema simples sem complicações. Ser com o instante e tu no instante que toca pelo vibrar não da palavra, mas da existência na palavra que diz ao coração para se encontrar. Ou mesmo de qualquer coisa que nos faz vibrar como talvez a musica ou a tinta ou mesmo um piar secreto de uma gaivota, o som das ondas do mar ou da floresta. Como disse de qualquer coisa que pode tocar na sensibilidade secreta do beijo desse instante.

Tem coisa que prefiro não dizer, mas já disse e não se pode mais voltar ao não dito quando a palavra sangra no instante fugaz do verso sentido. Disse e já deixa de ser inteiramente silêncio em mim, passa a ser disperso o momento incerto da vida secreta, silente, lúcida enfim.


O Essencial

De alguma forma voltei inteira sem cortes, nem lamentos, nem dor demais. Aconteceu o essencial e aceitei o que se foi, deixei ir, deixei-o ir. Deixei-me ser por um momento inteira.

De que adianta o amor quando ele nos fere sem querer? De que adianta a paixão quando insistimos em acreditar na ilusão? Não adianta, não resulta, não cresce, não surge. Pois tal amor não existe. É um disfarce, sempre foi um disfarce com muitas máscaras. Não entenda, estou em instantes de revolta contra o suposto amor que de repente nunca existiu em quem sonhara. Que de repente passei muito tempo insistindo em ver amor onde não existia mais que um brilho de gente humana. 


E amor? Amor é invenção da gente. 

O que não foi possível construir tem que ser demolido, é urgente que se desconstrua antes de cristalizar-se alguma mentira devido ao tempo de vício na mesmice do dia-a-dia. E tu também desconstrua o que não lhe serve mais: os sonhos falidos, a vida sem sabor, o dia a dia da monotonia. Desconstruir isso é urgente antes que a alienação tome conta da gente e aí seremos meras marionetes orientadas pelo tempo de vício, sem vivacidade no automatismo. 

Não, não e não! Não deixe o ser morrer. Deixe ser! 

A constante novidade de ser. É urgente deixar alguns modos de ser derreter e deixar nascer o instante, o agora, o já e o sempre. Aí sim temos o essencial, o essencial da vida, do ser, do mundo. E de repente é possível amar o tempo, o silêncio, as entrelinhas e talvez o passado não nos doa tanto. Porque o amor depende muito da capacidade de acolher os instantes, os encontros, os seres, a morte e a vida. 

É sempre urgente se permitir mudar!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

And life's go on. Like it or not, life leave's tips in the air. Grab it! Live the life you love. Live life with love. Love life and dance. Dance with life. Dance with love. Love the dance. And listen to the music. With love. Always.

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With love they changed sadness with a simple smile. And all things became a colorful poetry. It's the beggining of life, an explosion of dreams wishing for love to save the day. And love always do what it takes to embrace life with a dream. And keep walking, swimming and flying in dreams.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vendaval de Luz

Primeiro não entenda, deixa o não entendimento fazer parte da vida. As certezas são escassas e o amor só sobrevive quando se deixa ser livre. Não vim falar de amor, nem de dor, nem de nada. Vim por vir e escrever para escrever, revelar algum nada ao coração. Na falta do que escrever, no livre pensamento sem censura. Se amei não sei, nunca se sabe de nada ao certo, sentir talvez sinta e talvez nada. Inventar é a mentira mais verdade de quem vive. Ser devia ser simples, mas nunca se é simples tem sempre alguma complexidade que soma uma responsabilidade de ser. A morte deve ser passagem para o desconhecido de mim, quem serei depois? Talvez uma alma livre. Quem sabe de repente o que a vida não ensinou a morte ensine a ser um pouco de Luz. A dúvida sempre foi amiga dos loucos e inimiga de quem quer agarrar certezas. Minha vida inteira foi uma dúvida cruel que já não sinto sofrer com pontos de interrogações na cabeça. Não é por não os ter, mas por deixar a dúvida ser o que ela é que caminho tranquila da vida entre pontos de interrogações. Não precisar de uma resposta ou de uma verdade é o que eu chamo de tranqüilidade. Tenho sorte. Sorte é saber-se minúscula no imenso universo. Sorte é passar por nós um vendaval de luz e esquecer de todo mal assim de repente.