segunda-feira, 31 de maio de 2010

A moça dos olhos tristes


A Moça dos olhos tristes olhava fixamente para um rapaz do outro lado da Avenida, mal sabia a respeito da sua vida, mas inventava. Seu olhar se dirigia genuinamente aos sorrisos, ela parecia feliz em ver sorrisos e ria junto com eles. Era um prazer que tinha olhar para as pessoas e ver que as vezes elas lhe surpreendiam, de repente seus lábios abriam uma pequena curva, momentos de alegrias breves. Era doce quando ao virar da esquina numa lanchonete sentava para tomar uma xícara de café e muito discretamente apreciava um a um os sorrisos que passavam naquele instante. Existiam dias que passavam desapercebidos, nenhum sorriso e ela muito triste contava as horas para o final daquela crise sem risos. E de repente alguém passa e ri um sorriso breve, leve, solto que tudo muda. Gostava muito disso, desse instante que o mundo todo parece girar mais depressa junto com seus batimentos cardíacos.


(abria um sorriso entre a multidão
e já esquecia de todas as mágoas,
lembranças perdidas,
atalho para o coração
se encontrar totalmente perdido)




* escrito em  27/07/2007

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Gota

Folha de céu azul lilás. Segreda a beleza do lírio ao mar. Chuva solene pequenina. Céu, asas, gota, sol. Estranha beleza. Espiritualidade acesa. Simplicidade margarida. Humilde girassol. Folha de céu azul segreda o toque do vento no ar. Chuva, gota, céu, mar. Folha de céu azul farei de um pequeno lírio lar, terra, céu e mar.










escrito em 02/03/2007

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Retrospectiva*2008



Permanece um sentimento engasgado pelas mãos vazias
inseguro da vida e da hora da morte de todas as memórias presentes
o lugar sombrio da entrega, da arte, da escrita, da música, da vida.
Deixar tudo e voltar atrás, deixando por se fazer
a morte de um amor belo e louco.
Faz morrer a vida.Viver a morte.
Todos os dias a mensagem da volta ser eterna.
Não corresponder às exigências ditadas pela reta do universo.
No fundo o orifício vibra calado querendo sair um animal do interior
manso e feroz ao mesmo tempo,
poético e medroso, preso e livre pelo tempo.
Sem uma gota de respeito pelo chão que pisa.

No peito uma tempestade prestes a desabar
sob o solo seco dos olhares desertos do amor.
Encobres um universo em caos e felicidade,
em tristeza e pavor, em movimentos e despedidas,
em esperas e nostalgias, em flor, luzes e sombras no olhar do amor.
Tudo que não foi nada. E nada que tenha saído de canto a salvo.
Do mundo todo duvidas agora pois nada fica sempre.
O tempo muda tudo. O vento permanece na inconstância da vida.
É que de vento e rocha a ambigüidade nasce. De lua e sol compõem o céu.
De terra, de água, de ar, de fogo e de éter se faz vida.
E assim caminhamos pelos campos floridos escritos pelas luzes e trevas
quer sejam bons ou maus ou tortos ou retos
ou sonhos ou concretos ou nuvem ou sentimento.

Não sei, mas como saber se no olhar faz depressa um lago de respostas
e não se compreende nada por inteiro. Ser minimamente feliz com ele,
pássaro na gaiola que ainda não aprendeu a voar
no céu escuro, nos gritos das trevas, no por-do-sol, no luar.
Os olhares loucos. Os textos enigmáticos.
Tremendamente impossível. Absolutamente dispensável.
Ironia, teimosia, tristeza. Deixar o sonho. Viver a vida.
Covardia, medo, perfume, verdade.
Mentira, sonho, poesia, a vida na escuridão.
As palavras jogadas no ralo prestes a girar
até as águas profundas em mim, em ti, em nós
no movimento de completude do universo
apenas a vibração do solo sagrado.
No ciclo do mundo a natureza canta
nascem árvores, flores, crianças, vida.
Vida por todo lado!


O sentido encoberto por enganos.
O brigadeiro, o docinho, o sorvete, o pão de queijo, o café, o beijo.
O toque das mãos, o sim e o não. Demasiados nãos casados com sins.
A famosa ambigüidade que detesto.
Viajar na maionese, no catchup, na mostarda,
no molho ao pesto, no molho rose,
no macarrão no sei lá o que que fica mudo.
Beijos jogados no ar e a mão que não se larga.
Os machucados que nasceram da vida,do desamor, do sofrimento,
da dor, da rocha, da chuva, da brisa, do ar.O perfume que não se vai.
O normal que acorda de mau humor na fuga da vida
e o louco que quebra o céu com apenas
um beijo cortado por um mistério.
Enigma das estrelas e universos distantes.
Existe vida sim! Em toda parte.
E ainda no mesmo chão que pisamos.
Milhares é pouco.Seres de outros planetas,
terráqueos esquisitos, luzes e sombras.
Benditos de luz que se quiseram sufocados pela incapacidade humana
acerca dos sentimentos inexpressáveis.


Diversas estórias no espelho da alma...


Sei lá!



*09/01/2009

Quase Poesia com Café*

Precisava todos os dias de um café.
Daquele aroma pela manhã tão fatal.
No devido tempo uma sinfonia de sal.
Enrolaria a saudade e deixaria mais até...

Depois resolvo, deixa como está!
A glória é mesmo hoje, deixa estar
Voltamos ao café, é momento de amar...
Ausente e que seja poente enquanto já!

Poesia num simples café é apreciar.
Infalível, tudo o mais que existe
nesse ilustre instante mínimo, amar...

No futuro transbordará saudade.
Não é preciso dizer, mas somos por demais
apegados a um fino traço distante.



*Pintura de Henri Fantin Latour

*escrito em 03/08/2009

domingo, 23 de maio de 2010

Os meus versos

Rasga esses versos que te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasga os meus versos...Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...

Florbela Espanca
(1894-1930)

terça-feira, 18 de maio de 2010

História

A história começa onde termina. É um qualquer lugar, uma esquina. Tem olhos que se olham, mas não vêem nada. Tem gente, tem sonhos, tem dor e também tem amor, por mais escasso que seja, é sempre dor um amor.

E sós estamos juntos.

Essa é a história de todo lugar tem cheiro a memória e passa devagar. Em cada olhar mora um verso, em cada esquina um sonho, em cada coração um universo, em cada sorriso uma luz.

Um oceano de saudade percorre e é sempre urgente sentir.

Essa história é curiosa. Ela tem início na dor e passa a ser sorriso.

Que mistério o amor!

Lembraria com um sorriso cada amor, cada poesia com o olhar de cada dia.

É sol, é luz...

É não precisa dizer mais nada, eu já sei.
Nunca quis, eu sei.


(escrito em 26/11/2009)

SOL

Sol no horizonte se põe.

Um dia chegou abrangente num sorriso e o olhar derramou o amor.

São versos ternos que queria silenciar todos os dias.

Foi na cidade que te vi, na estrada um colibri.

Depois de muito tempo a avenida estava esvaziada de ti. Comecei a pensar que não tinha mais volta, voltei a chegar. E todo lado eu via um instante de poesia. Era belo e triste como as ondas do mar.

E tudo era poesia, em cada verso um olhar. A natureza dizia cada coisa no seu lugar. A chuva para sentir, o vento para fluir e o mar para navegar.

E assim se foi mais um dia, chegou a noite adormecia. Na cama beijou o amor da madrugada abraçou. Um sonho sempre dá asas.

No céu um cometa pousou, eram os teus olhos. Olhos de amor.


(escrito em 27/11/2009)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mares do Tempo

Faz tanto tempo que deliro que já perdi a vontade de dizer adeus e que já não me importo de ficar e ir, ir e ficar e nunca mais decidir ao certo por quem, nem quando, nem onde o coração vai esquecer. Já não me importo se vais ou se fica ou se sonha. Uma parte vai, a outra sempre fica. Assim escuto um dia e no outro tapo os ouvidos para ti porque não posso perder de vista a esperança, muito menos esquecer que vivo por aqui. 

Breve como um olhar sem canto, pisquei plenitude, a saudade, o pranto. E de repente desapareci na viagem, no sonho de ter tido um mar encostado no coração e nele uma ilha deserta, uma cabana, uma floresta, a praia, os pássaros, o vazio, o céu. E tudo isso era um pouco, um muito de mim. Contigo. E tudo perdido,  deserto, passado na Ilha chamada Esperança onde reinam os olhares de chuva, os sorrisos de luz, onde os versos correm pelo ar e a saudade é a lei que sustenta os amores e dá vida à poesia. E lá e aqui e em todos os lugares o amor paira sob os mares do tempo.




Existe um oceano de perdas e nele uma ilha.
Tal oceano forma um horizonte extenso de amor,
composto por cada um que se fez presente em nós,
mesmo na afirmação de um esquecimento,
existe sempre um mar no nosso coração...


e como se não bastasse somos todo ele
e ainda uma pequena ilha no meio disso tudo...



*relembrando 19/05/2009 com  o título "Coração"


Tanta chuva,
adorável gota de sal
que pousa agorinha.

Nos olhos,
a tua poesia:
versos de mar,
gotas de chuva,
tempestades de sal.

Nos pés,
as ondas surgem para espalhar
as melodias que correm no teu olhar.
Escrito na areia.
Deixa o mar levar esse poema.



*(escrito em 20/dez/2007 c0m o título "Tanta Chuva")


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Perto do Pôr do Sol

Enquanto grito,
adormeço as horas
para pensar.
Muito ainda a refletir.
Os dias passam
e quando menos esperamos,
se vão.
No passo da canção.
Nada te devo,
mas amigo jamais adormeça
o coração.
Ainda o céu na cidade canta
a tua canção.

(Vês, as notas dançam
bem perto do pôr do sol.)

domingo, 9 de maio de 2010

Delírio (ou simplesmente um pedido de paz)


Luz encoberta de solidão 
destinada ao vazio.
 
Dança sem passo nem caminho.
Os olhos ardem no infinito 
sem explicação, nem ternura
é mais que nada.

Tudo o mais é invenção!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Negrume

Pra que chorar de negrume quando o que precisas é de luz. Desenhei os teus contornos no escuro. No final há sempre nada a dizer. A escuridão consome e a luz é distante demais. Melhor assim, não te ofereço meus falsos beijos nem quero iludir-te com promessas. Temos explicação e essa é indescritível. Um café, uma nota, um instante. Um sopro, talvez de luz, talvez de amor, talvez de nada, mas sempre inventamos. Fingimos que não somos. Mentimos e depois a eternidade se encarrega de nos despejar daqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

(brincadeira)

é fazer sorrir
o amor abrangente
neste instante

*




amava o céu
como se fosse um lar
bem-te-vi no ar  

*

pelo silêncio
reza o vaga-lume
luz ou negrume

*

mãos de ventania
acolhem a tristeza
triste beleza

*

com certeza Mar
os mistérios da vida
dançam pelo Ar

*