Música!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Desenhos de Junho/2010

(Trânsito e Luzes; Pássaro Cantor; Pássaro no Céu azul, Mosca na Flor; Cópia Pessoal da Obra Japonesa de Hokusai representando o Monte Fuji intitulada "A onda gigante")


De tanto chover


de tanta chuva resolvi adormecer
cortar a ponte do sentido
criar ilusões de amores findos
e parar de escrever para sentir 
o nada vibrante da folha vazia

(pausa)

sábado, 26 de junho de 2010

Perfume

Tudo que vive tem perfume, cheira a vida e reflete no coração de quem sente. Não importa se o caminho é pular palavras, engolir sílabas, devorar razões para nascer um sentimento, alguma emoção e essas mentiras/verdades da alma que respira o nada. Esse mesmo nada que já inventou algo, que já transformou-se em ti, em mim, em nós, no mundo, no universo. Esse nada que de nada não é. As manhãs são lúcidas e que importa de onde vieram quando escrevo somente para sentir um pouco mais. E a ilusão de que amo demais, quando o amor só tem de simplicidade e concretude. Amo por amar, da mesma forma que toca a esperança quando bate na porta da vida. Se complico é só por medo de demasiados e ainda existe essa parte em mim que ainda não amadureceu e que anseia pores de sol em algum lugar. A parte apaixonada pelo desconhecido, apaixonada pelo mistério de cada olhar, a parte que se apaixonou pela espera e que guarda cada pedaço de esperança quando vê um pôr do sol, quando acha que viu alguma luz. Não importa se vem na cidade, num dia cheio de caos ou em meio à natureza. É sempre alívio quando vem. Pode ser instante ou miragem, um instante qualquer de pedaços espalhados de ti, inteiros do mundo, universos. São sempre bem vindos. 

Mares, sóis, chuvas, tempestades e florestas de amor. Da semente, rizoma que cresce lentamente. Já não me importo se a vida hoje disse para mim acalmar o coração e esconder a verdade de todos, que já disse mentira de mim,. Não paro para pensar se foi amor ou ilusão. Foi o que foi e pronto. Hoje é o que é. Estou aqui. Meio dormindo, meio acordada. Escrevendo meios de chegar aonde ninguém, onde a união se espalha na vida. Meio estrada, meio ar, meio fogo, meio éter. Se o corpo vibra algum entendimento desentendido não sei. Não sei. Não sei. Se soubesse diria e faria e vivia e sonhava. Hoje não sei e amanhã ainda não existe. Portanto o dia persiste inteiro. 

A poesia virou caminho. Estrada que percorro até ti. Tu que vem quando anoiteço, quando acalmo, quando instante, quando miragem, quando inspiro alguma lucidez. Tu que mistério. Tu que esperança. Tu que luz. Tu que natureza. Tu que universo. Disabor ainda derrete o caos. Caos vívido de ti. Caos que é amor. Amor que é caos. Ternuras, desejos e nadas. Ainda acostumo a escrever enigmas para ninguém entender e viro caos, louca incompreendida. Tudo porque nada e nada porque tudo. E tudo dança agora, mesmo que ainda teus olhos não foram treinados para ver o tempo dançar. Teu coração dança. Tua alma dança. E as palavras abraçam-te sempre que teus olhos as beijam. Encontros. Cada pedaço do universo quer se encontrar com outro pedaço. E a isso chamo encontro e saudade é sempre de encontrar-se novamente. Mas é preciso abrir o instante para nascer alguma magia. E isso envolve deixar-me levar, parar de travar e às vezes esquecer. Difícil, mas necessário deixar ser. Todo dia desejo que o tempo me leve, que o instante me nasça e que a ti possa dedicar algum instante. Não sei porque, deve ser os mistérios da escrita para alguém que não está, que não foi, mas que é desassossego e inspira quem escreve. Desassossego íntimo. Amor que não me é. Saudade que não acha fim.

quinta-feira, 24 de junho de 2010


enquanto finjo
que não espero, anseio
cada pôr do sol


quando a noite
lhe beijar todo corpo
ame-a também


o mar ainda
tem brilho, barco, peixe
onda, pedra, luz




flor, sol e sombra
chamados e desejos
céu, ar e vento


cresce,  floresce
cada semente sente
 sinto se muito

 de vida breve
versos vivem no olhar
flores se pores


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Lágrimas

O menino abriu a porta com os olhos arregalados para o mundo, viu tudo que estava ao seu redor, contemplou o ambiente e depois observou tudo aos mínimos detalhes. Ele estava surpreendido com tanta beleza ao seu redor, nunca havia visto tanta beleza. Seus olhos se encheram de lágrimas, ele estava tocado, toda beleza havia tocado bem fundo dentro dele no seu íntimo. Ele pensou que não suportaria tanta beleza, tanto contentamento. Deu graças a Deus pela luz não chegar tão perto se não correria o risco de cegá-lo completamente, ainda que sentisse completamente perdido, completamente perdido dentro de um mundo tão desconhecido.
Assim como não se pode olhar o sol em seu brilho intenso, ele sentiu, o que olhava, aquela beleza poderia cegá-lo, então desviou os olhos. Mas por um momento ele pôde contemplar este estado de pureza, pôde sentir em sua pele a beleza do mundo todo, mas sabia que era apenas um pedaço ínfimo da beleza de todo mundo, beleza que brilha e resplandece dentro dele. Sentiu em contato com o seu mais íntimo eu, ele fazia parte do todo, todo o mundo estava dentro dele. Pode sentir o eu que é divino, o eu que brilha reluzente os olhos de quem vê, de quem tem coragem de se ver.
Ele se aproximou do espelho e viu seu corpo refletido, seus olhos vivos lhe diziam aproveite a cada instante, usufrua do eterno presente que está a todo instante ao seu redor.Desviou os olhos e pensou que vivia na loucura, se seguisse adiante poderiam chamá-lo de louco, e ele próprio se sentiria deslocado, ele próprio não suportaria tanta verdade dentro da loucura, a sua própria loucura. Loucura que ele não estava acostumado, loucura de ver em sentidos, em tudo observar o aprendizado, em tudo ser plenamente, tudo observar. Ele não estava acostumado, por isso a luz poderia lhe cegar, poderia deixá-lo completamente perdido, completamente diferente do que sempre foi. E isso era um perigo, não poderia arriscar-se tanto ao ponto de perder-se, mas o que ele não sabia é que já estava perdido.
Procurava uma forma, uma forma antiga de viver para sentir que não estava perdido, queria ver seu outro eu, o eu que já morreu naquele instante que viu toda a beleza, tinha medo, muito medo. Medo da renovação, medo de perder suas referências, medo de ser deletado. Não queria ser uma pessoa que não sabia quem era, não sabia quem era. Era apenas uma parte ínfima do universo, isso ele não queria saber. Queria acreditar que era grande, bom, o melhor de todos, o mais importante. Mas o universo revelou-se todo e ele sabia, sabia que nunca mais acreditaria que ele era o melhor. E pior, sabia que não poderia fugir mais de si mesmo, teria que entrar em contato. Mas não agora, agora ele queria ser livre para escolher não olhar, não queria ver o que existia por debaixo de sua máscara, não queria enxergar que vestia uma máscara até para si mesmo, não queria. Era demais para ele, era muito, ele não queria, não queria, queria ser o que era, queria voltar no tempo e resgatar o antigo eu, aquele que não chorava diante de tanta beleza e não se surpreendia com tudo que via. Aquele que não sentia...queria ser o de antes, o que não sabia da tal da máscara. Mas agora era tarde demais, tarde demais para se ignorar, tarde demais para ignorar a vida, tarde demais para ignorar o mundo, tarde demais para ignorar alguns aspectos que saberia que era importante. Mas agora ele não apenas sabia, ele sentia...Sentia tudo o que deveria fazer, tudo o que tinha que realizar. E tinha cada vez mais medo de olhar, olhar para dentro era muito intenso, muito profundo, perdia suas referências, perdia tudo o que tinha aprendido, nada lhe era mais tão importante para ser guardado, nada era tão importante para ser agarrado e engulido, tudo se tornara importante, nada tinha exclusividade. As pessoas o olhavam com certa desconfiança, e ele via tudo, infelizmente ele via tudo. Toda beleza e toda insatisfação humana, ele via tudo. Mas o tudo não era nada do que ele ainda iria descobrir.




escrito em 29 de Junho, 2006

A primeira professora de piano

Na época tinha sete ou oito anos, lembro que escolhi o piano como instrumento musical. Meu avô tinha um e eu gostava de tocá-lo ao meu modo, mas quem ouvia queria que eu parasse imediatamente. Divertia-me em notas e fazia barulhos irritantes aos ouvidos vizinhos. Nessa altura todos concordavam que eu deveria ter aulas de piano o mais rápido possível. Foi nesse tempo que conheci minha primeira professora de piano. Era uma amiga da amiga do amigo do vizinho. Diziam que ela era uma figura muito polêmica na cidade, mas nunca soube por que todos falavam isso dela. Ela era muito jovem para ser professora e as lições que me ensinou ao piano me ajudaram em tantas coisas na vida. Até hoje recordo do que me disse. E a cada dia que passa compreendo cada vez um pouquinho mais do que me passou. O aprendizado vai se completando com o tempo.
A profundidade dessa mulher era incrível, falava com uma voz de criança e tinha olhos muito vivos, típico das pessoas lúcidas e quase puras que quase ninguém compreende. Talvez seja por isso que foi tão polêmica na época, ninguém entendia sua alegria. Lembro também de estudar cada nota musical e ela me exigia todo dia a sentir cada nota em toda extensão possível para os sentidos. Cada dia inventava uma forma diferente de me dizer a respeito de cada nota e foi assim que ficava cada vez mais íntima do piano, da música, da vida que existia em cada nota que meus dedos faziam surgir, dar vida ao som. Ensinava-me inclusive o som do silêncio, o som de todos os objetos, instrumentos, vozes, movimentos.
Era de uma delicadeza suas mãos, seus braços, como uma verdadeira pianista que passeia pelo instrumento com a alma toda e nem um centímetro fora. Ensinou-me a cor que as mãos que cada pessoa de cor diferente tem, ensinou-me a minha cor peculiar, o movimento que cada pessoa adquire na vida com o instrumento, movimento peculiar, o preciso momento do toque, da intimidade, da aproximação com o piano. O preciso momento do toque é o mais precioso e para ele ser o que é, deve ser valorizado exatamente do jeito que é. Para ser reconhecido como é, não basta tocar e fazer um som qualquer, é preciso muito mais do que isso. É preciso deixar o som ser, é preciso ser a nota, o instrumento, a música e se entregar realmente no preciso momento do toque, da intimidade, da vida.
Nesses dias ouvia ela com muita atenção, mas muitas coisas me passavam despercebidas e só hoje vejo a importância dessa pessoa na minha vida. Ela é uma verdadeira professora de piano, a que desejo para todas as crianças que quiserem se aproximar um pouco mais da música, da vida, da paixão em criar e até mesmo do amor.



escrito em 18 de Janeiro, 2007

segunda-feira, 21 de junho de 2010

olhar escuridão

1.
esse olhar escuridão
abriga nostalgias
outrora de outros dias
cheios, vazios de nadas

2.
espalho a sina
a libertar pássaros pelo céu azul
mistérios sem desvendar
abstenho de os decifrar

3. 
não é por mim que canta o vento
nem teu coração pulsa por mim
e eu achei que era por ti que vivi
pelo menos até 



(aqui)


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Em espaços de tempos V: Caminhos me levem

Da Solidão

Tristes instantes cheios de nada.
Para recordar horas acesas
sem ti, contigo.
Natureza que esparrama
estradas.
Tempestades quando
vens.


Dos Inventos

Da simples complexidade
dos dias cheios de nada
crio caminhos para percorrer
instantes moradas.
As eternidades deixo-as na luz fina
dos olhos despertos.
Lagos de silêncio e solidões.
Brinco com o tempo
sem fim.


Do Agora

Inspirar o instante,
início de cada presente.
Presenteio solidões.
Expirar o instante custa caro,
morrer dia após dia para nascer
novamente a magia.
Abrigar escuridão.
Apreciar luz.
E vice-versa tudo agora.
Tudo sem fim.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Instâncias Sonhais


De dentro, de fora, do lado e do outro varro o pó que se esparramou pelo lar do coração. As hipocrisias, os punhos, fechados, olhares mal encarados, feridas ainda pouco cicatrizadas, indiferenças na gaveta adormecida pelo tempo, amarelecida. Esqueço totalmente uns dias para voar e noutros queimo, arde e saio para inventar. Pouso alegre o final. Danças cá dentro e fora a música continuamente. Fingir cheio o nada, mentir sempre as pobres verdades, nobres mentiras de mim. Viver o sonho, a vida. O sonho da vida. Nenhuma tempestade é tanta e durou, mas quase passou os lilases e escuros voadores. Esvoaçantes flores azuis, pétalas de mar, instantes de sol e luar. Não cabe o tanto mais e o tudo bastou, esgotou, renovou. Ralos que a água escorre a dançar despedidas. Entrar novos ares, pores de sol, instantes abertos para a novidade sonhal, garoa mansa de mim. Da solidão reservo a natureza dos encontros, essências entre as palavras, idéias, sentimentos, futuros beijos das palavras nos olhos, dos olhos na vida. Da vida no sonho. Do sonho da vida. Do amor as verdades, a realidade e florestas, oceanos, montanhas, chuva e tempestades. Na vida sim. Na vida cultivar o amor. Cuidar do amor. Proteger, velar, seduzir amor. Milimidades sonhais. Um pedaço de pedra armazenada no tempo adormecido. Tantos códigos tempestuosos no olhar chuvoso. Raios, relâmpagos e ressentimentos. Imensidades sonhais. Sonhar sim. Indiferença não. A garoa, a calmaria e o silêncio do apreciar, mas e a vida, a glória, a luz? Recuso, fecho a porta do tempo, tranco a fechadura e abro ternuras pela palma da mão. Ternuras nos dedos. Pinto a parede de outra cor. Azuis e verdes no dorso do pé, pé na árvore, pé no chão. Jardins de harmonia e cidades de esperança e luz. Projeto futuros de paz. Planto um Bonsai da semente árvore, dá pequenos frutos. Sorvo a gula do vermelho rubro. Ofereço-o a um propósito. Colho miragens com pés de areia. Pouso e vôo e pouso. Instantes luzidios para a vida vibrar. Escuridão para abrigar ternura e apreciar. Silêncio para o lume dançar. Peixe no mar. Pássaro no instante ar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Alento

Pode ser que mude e sangre e murchem as palavras quando parar de alento, mas creio que não existe ação capaz de tal destruição de vidas. São anos de perdição, anos de paixão, anos de repetecos. A fúria começa a partir de algum desejo de partir e depois nunca conseguir ir. Estarei sempre aqui, não importa, são tantas voltas a dar no mesmo lugar que já parei de procurar a causa que me deixa desorientada. Caminhos pra que? Ando porque cansei de sentar, corro porque cansei de andar, escrevo para alguém que não está. Narrativas mudas, incertas, o nada lá ao lado e o saber-se inventar porque sim, é preciso. Já não fumo as presenças nem as nadifico no mundo jogando-as em buracos negros, sorvo qualquer miragem desconhecida. Distâncias para a arte, o sonho e os inventos. Proximidade para a intimidade, um beijo e é só. Solidão que abriga universos. Universifico o pó. Qualquer presença um encanto. Qualquer miragem lucro. Já não me importo com despedidas nem me abalo com tristezas. Minto triste final, início, meio, eternidades que não tem fins. Amor sem mim. Saudades sem fim. Das saudades e do amor inverti-os em nostalgias, em luzes para mais tempestades da alma. Já não corro pela rua, nem paro para ver o sinal, mas sinto, intuo e vou para onde for o destino, estou em alguns, mas em outros ausento-me. Sem controle do amor, inevitabilidades, não paro nem obstruo sua passagem, deixo fluir a sorte que me faz quase invisível para uns e outros, mas não forço mais o corpo para ir além do nada nem invado solidões. Se o nada me quer, abraço, recebo e dou de presente aos futuros e passados. Não aprendi a amar o instante, mas queria, mas podia, mas vou aos poucos somando pequenos aprendizados. Errante perfume alado. Lembranças me tem e eu as tenho guardadas para a solidão e de quando em vez abro o pote de vidro para voarem todas invenções. Posso ter orgulho de tudo que vive, se esconde, se fecha e admirar cada sinal que aparece nas entrelinhas do mistério. Não decifro, mas contemplo cada olhar com seu universo luzidio. Vejo além do que vi e não ao não digo sim. Não decifro nada, nem quero buscar a felicidade em ti. Absorvo do dia o presente e amo cada gesto teu. E em cada gesto luzidio podes causar um furacão. Em qualquer movimento uma repercussão. A luz acende, apaga, acende, apaga...continuamente, para não ofuscar mais a vista de quem a vê, porque além do mais a escuridão abriga com ternura quem sabe viver, mas como não sei nada da vida, nem ela sabe de mim, peço somente instantes luzidios para mais miragens. Lume, repeteco e alento. Amor sem mim. Saudades sem fim. 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em Espaços de Tempos III

1. Da despedida

Semeio dos lábios a lágrima contida.
Multiplico despedidas.
Amor sem mim.
Saudades sem fim.
Tira o punho do peito.
Guarde da paixão somente luz
e esqueça de mim 
 
que não pude lhe fazer feliz.

2. Da  Luz
Permita que abandone
todos os versos
e de ti nasçam luzes. 

3. Dos sonhos

Já não corro
desesperada pela rua
para lhe encontrar.
Casei a saudade com o amor
na estrada dos sonhos
e percorro a cidade
dos teus olhos
como ilha perdida
de mim.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Em Espaços de Tempos

1. Dos Lampejos

Digo para esquecer,
que não se faça tristemente brio,
nem ofereça mentiras, beijos ou ventania,
mas o amor faz o que quer
e aceito o que vier.
Amor, desamor ou nada.
Tudo é lucro!

Apenas brinco com os seus lampejos.
Pode ser que depois me arrependa,
mas a vida é curta, o amor é raro
e as promessas todas
que circulem pelo ralo.



2. Do Segredo

Que a palavra se acomode nos olhos
até a sua transcêndencia em luz.
Da escuridão, do silêncio
que repentinamente gera vida,
no espanto do instante final.

Em cada momentâneo jaz um segredo.
As mentiras são prosa, poesia, arte,
todas verdadeiras para quem desejar.
Que não se esmaguem os segundos
em fileiras repletas de horas perdidas.
Faça chuva ou faça sol libertemos
as lembranças em despedidas.


3. Do Momentâneo

Em cada baile de ausências
a roda gira atenta.
Tristeza em vendavais serenos.
Sombrio o instante calado
sem cor que vibre a ofuscar
a solidão da palavra.
Abandonos...
Deixa, nada mudou.
O peito ainda emite teu som.

Em Espaços de Tempos II

1. Da Ausência

Se é para dizer-te do nada
invento algo no lugar.
Errante as palavras todas
não dão a entender
o essencial da ausência
que é tão só.

2. Da Essência

Claro que sinto
demasiados asteriscos.
Jamais escreveria
se não fosse o distante
e o impossível a minha
mais luzidia sorte.

3. Da Sorte

Volto ao início
do jamais, do ainda
e do sempre presentes em nós.
Acima de tudo sonhar
o nada, o silêncio,
os lírios, os jasmins
e toda luz dormente.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lampejo

O meu amor tem outro amor.
As suas mentiras são prosa, poesia, arte.
Em cada instante jaz um segredo.
Se inovar o olhar e tirar barba vou.

Digo para esquecer,
que não se faça tristemente brio,
nem ofereça mentiras, beijos ou ventania,
mas o amor faz o que quer
e aceito o que vier.
Amor, desamor ou nada.
Tudo é lucro!

Apenas brinco com os seus lampejos.
Pode ser que depois me arrependa,
mas a vida é curta, o amor é raro
e as promessas todas
que circulem pelo ralo.

Fúria

(Magia)

Ao silêncio recuso-me.
Quero qualquer tumulto
para não acomodar a palavra
no refrão dos olhos.

Que se inovem as tristezas
que se invoquem as nostalgias.
Que a tempestade venha
fazer parte da vida,
ainda que a ternura
se revolte suavemente
pela escuridão dos teus traços.

Essa é a alegria que circunda 
os meus dias, 
a chuva que me comove,
as lembranças sem fim,
o meu muro de jasmins.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Notas de Existir




notas ecoam e pássaros cantam
assim se perde no mergulho do som
a nota vazia que a natureza
enche de Intimidade



* escrito em 07/07/2009






terça-feira, 1 de junho de 2010

Do devaneio


Não irei a lugar algum, fico quieta no devaneio e firmo o vôo cada vez mais distante. Divino o ar e mais além. Devaneios de todos os lados e mentiras a parte, os sinais estão presentes por aí, em qualquer lugar o amor paira. E lá e aqui e em todos os lugares reina o instante no coração que basta acolher, faz lar do espaço vazio e preenche com  o delírio. Conectar-se com algo que paira. Parece que toda manifestação da mais pura arte instiga, dá a conhecer a simplicidade e desperta muitas perguntas e poucas as respostas que nos aquietam. O caos chega sempre sem avisar e então a loucura se instaura para aqueles instantes repentinos de lucidez que se mistura nos amores, nas dores e na união do tempo vivido, sonhado, amado, (passados, presentes e futuros). Basta sair da corda bamba que já me perco novamente sem volta, mas a imaginária corda bamba me auxilia no caminho para casa. Passo após passo invento, expando e espalho o que houver. É perfume agora de alegria repentina, sem explicação. Sonhei demais o dia inteiro e então voei na imaginação. Dancei sem sair do lugar. Agora pouso a lembrança na eternidade, registro uns sorrisos e alguma música da alma que seguia pelo ar, ao transformar das nuvens, no anoitecer. Pores de sol em hiatos de tempos. Lembro os sentidos todos em arrepio ao aproximar da batida do teu peito em sincronia com o meu coração. Os corações, o silêncio e as palavras. Mistérios são esses versos silenciados pela eternidade que em cada instante ensina. Cada um magnífico, dança em toda parte no prazer. Talvez células, átomos, seres de luz onde o amor paira livre no vôo da alma. São momentos que estive ao lado do amor e então voltei pra contar um pouco da vantagem do devaneio. Ir além, tocar a alma e preencher a vida com amor. Escuta, inventa , acolhe, preenche, expande e espalha. E depois é sorriso, é melodia, é vida.

Tocar*



A Nota
ao vibrar desapercebida
Toca o coração

Dançam as Ondas sonoras no peito
ao de leve toca um sussurro breve

Em interação, batem as ondas
como se fosse um mar bravio,
rebelde, porém autêntico
tranqüilo repercute Vida
todo Ser que ali presente
é presenteado.


*escrito em 02/07/2009