Música!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Alento

Pode ser que mude e sangre e murchem as palavras quando parar de alento, mas creio que não existe ação capaz de tal destruição de vidas. São anos de perdição, anos de paixão, anos de repetecos. A fúria começa a partir de algum desejo de partir e depois nunca conseguir ir. Estarei sempre aqui, não importa, são tantas voltas a dar no mesmo lugar que já parei de procurar a causa que me deixa desorientada. Caminhos pra que? Ando porque cansei de sentar, corro porque cansei de andar, escrevo para alguém que não está. Narrativas mudas, incertas, o nada lá ao lado e o saber-se inventar porque sim, é preciso. Já não fumo as presenças nem as nadifico no mundo jogando-as em buracos negros, sorvo qualquer miragem desconhecida. Distâncias para a arte, o sonho e os inventos. Proximidade para a intimidade, um beijo e é só. Solidão que abriga universos. Universifico o pó. Qualquer presença um encanto. Qualquer miragem lucro. Já não me importo com despedidas nem me abalo com tristezas. Minto triste final, início, meio, eternidades que não tem fins. Amor sem mim. Saudades sem fim. Das saudades e do amor inverti-os em nostalgias, em luzes para mais tempestades da alma. Já não corro pela rua, nem paro para ver o sinal, mas sinto, intuo e vou para onde for o destino, estou em alguns, mas em outros ausento-me. Sem controle do amor, inevitabilidades, não paro nem obstruo sua passagem, deixo fluir a sorte que me faz quase invisível para uns e outros, mas não forço mais o corpo para ir além do nada nem invado solidões. Se o nada me quer, abraço, recebo e dou de presente aos futuros e passados. Não aprendi a amar o instante, mas queria, mas podia, mas vou aos poucos somando pequenos aprendizados. Errante perfume alado. Lembranças me tem e eu as tenho guardadas para a solidão e de quando em vez abro o pote de vidro para voarem todas invenções. Posso ter orgulho de tudo que vive, se esconde, se fecha e admirar cada sinal que aparece nas entrelinhas do mistério. Não decifro, mas contemplo cada olhar com seu universo luzidio. Vejo além do que vi e não ao não digo sim. Não decifro nada, nem quero buscar a felicidade em ti. Absorvo do dia o presente e amo cada gesto teu. E em cada gesto luzidio podes causar um furacão. Em qualquer movimento uma repercussão. A luz acende, apaga, acende, apaga...continuamente, para não ofuscar mais a vista de quem a vê, porque além do mais a escuridão abriga com ternura quem sabe viver, mas como não sei nada da vida, nem ela sabe de mim, peço somente instantes luzidios para mais miragens. Lume, repeteco e alento. Amor sem mim. Saudades sem fim. 

6 comentários:

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"Narrativas mudas, incertas, o nada lá ao lado e o saber-se inventar porque sim, é preciso"
maravilhosa aventura literária

lampâda mervelha disse...

Incenso sentido a meia luz.

:) belo.

A Magia da Noite disse...

e o amor é mesmo assim, uma lâmpada que acende e apaga, como farol na escuridão dos tempos, lembrando o nosso lugar no coração.

Luiza M. Nogueira disse...

Ediney: Aventura de quem não tem muito o que fazer :). bjs.

Lampâda: :) grata.

Magia: lembrando que somos pequenininos perto do resto. bjs.

Ribeiro Pedreira disse...

em espaços de tempos, a luz dos teus versos revelam prosas profundamente líricas, indecifravelmente sensíveis.
Bjs.

Luiza M. Nogueira disse...

Ribeiro: grata pelo carinho! cada qual bebe versos em seu modo único de ser. Modo terno o teu. beijos.