quarta-feira, 9 de junho de 2010

Em Espaços de Tempos

1. Dos Lampejos

Digo para esquecer,
que não se faça tristemente brio,
nem ofereça mentiras, beijos ou ventania,
mas o amor faz o que quer
e aceito o que vier.
Amor, desamor ou nada.
Tudo é lucro!

Apenas brinco com os seus lampejos.
Pode ser que depois me arrependa,
mas a vida é curta, o amor é raro
e as promessas todas
que circulem pelo ralo.



2. Do Segredo

Que a palavra se acomode nos olhos
até a sua transcêndencia em luz.
Da escuridão, do silêncio
que repentinamente gera vida,
no espanto do instante final.

Em cada momentâneo jaz um segredo.
As mentiras são prosa, poesia, arte,
todas verdadeiras para quem desejar.
Que não se esmaguem os segundos
em fileiras repletas de horas perdidas.
Faça chuva ou faça sol libertemos
as lembranças em despedidas.


3. Do Momentâneo

Em cada baile de ausências
a roda gira atenta.
Tristeza em vendavais serenos.
Sombrio o instante calado
sem cor que vibre a ofuscar
a solidão da palavra.
Abandonos...
Deixa, nada mudou.
O peito ainda emite teu som.

4 comentários:

Assis Freitas disse...

em três tempos como os movimentos de uma sonata, repito o final "O peito ainda emite teu som", belo.

abraço

Luiza M. Nogueira disse...

Uma sonata! Que belo! Que belo jeito de apreciar esses meros poemas. Olhos de musicais os teus. Aquele abraço.

Nydia Bonetti disse...

A tua poesia, sim - é luz! beijo, Luiza.

Luiza M. Nogueira disse...

Nydia: :) Grata. Poesia sim, qualquer poesia revela alguma luz dormente. bjs.