quarta-feira, 16 de junho de 2010

Instâncias Sonhais


De dentro, de fora, do lado e do outro varro o pó que se esparramou pelo lar do coração. As hipocrisias, os punhos, fechados, olhares mal encarados, feridas ainda pouco cicatrizadas, indiferenças na gaveta adormecida pelo tempo, amarelecida. Esqueço totalmente uns dias para voar e noutros queimo, arde e saio para inventar. Pouso alegre o final. Danças cá dentro e fora a música continuamente. Fingir cheio o nada, mentir sempre as pobres verdades, nobres mentiras de mim. Viver o sonho, a vida. O sonho da vida. Nenhuma tempestade é tanta e durou, mas quase passou os lilases e escuros voadores. Esvoaçantes flores azuis, pétalas de mar, instantes de sol e luar. Não cabe o tanto mais e o tudo bastou, esgotou, renovou. Ralos que a água escorre a dançar despedidas. Entrar novos ares, pores de sol, instantes abertos para a novidade sonhal, garoa mansa de mim. Da solidão reservo a natureza dos encontros, essências entre as palavras, idéias, sentimentos, futuros beijos das palavras nos olhos, dos olhos na vida. Da vida no sonho. Do sonho da vida. Do amor as verdades, a realidade e florestas, oceanos, montanhas, chuva e tempestades. Na vida sim. Na vida cultivar o amor. Cuidar do amor. Proteger, velar, seduzir amor. Milimidades sonhais. Um pedaço de pedra armazenada no tempo adormecido. Tantos códigos tempestuosos no olhar chuvoso. Raios, relâmpagos e ressentimentos. Imensidades sonhais. Sonhar sim. Indiferença não. A garoa, a calmaria e o silêncio do apreciar, mas e a vida, a glória, a luz? Recuso, fecho a porta do tempo, tranco a fechadura e abro ternuras pela palma da mão. Ternuras nos dedos. Pinto a parede de outra cor. Azuis e verdes no dorso do pé, pé na árvore, pé no chão. Jardins de harmonia e cidades de esperança e luz. Projeto futuros de paz. Planto um Bonsai da semente árvore, dá pequenos frutos. Sorvo a gula do vermelho rubro. Ofereço-o a um propósito. Colho miragens com pés de areia. Pouso e vôo e pouso. Instantes luzidios para a vida vibrar. Escuridão para abrigar ternura e apreciar. Silêncio para o lume dançar. Peixe no mar. Pássaro no instante ar.

4 comentários:

Assis Freitas disse...

enredo de epifanias conseguiste engendrar, alumbrado eu fico,

abraço

Luiza M. Nogueira disse...

Assis: :) tudo invenções, ficções, loucuras.

um abraço

José Carlos Brandão disse...

A poesia é ficção, mas que beleza!
As palavras dançam, brilham, mágicas.
Beijos.

Luiza M. Nogueira disse...

Vida e ficção, ficção e vida. O que a gente inventa da vida, o que a vida inventa da gente. A poesia não se explica, espirais de múltiplos sentidos ela tem. Mentiras que quisemos verdades, verdades que inventamos. E assim vai...preenchendo ou esvaziando a vida de ficção ou de mais vida...é tão louco isso.

Bjs.