Música!

sábado, 26 de junho de 2010

Perfume

Tudo que vive tem perfume, cheira a vida e reflete no coração de quem sente. Não importa se o caminho é pular palavras, engolir sílabas, devorar razões para nascer um sentimento, alguma emoção e essas mentiras/verdades da alma que respira o nada. Esse mesmo nada que já inventou algo, que já transformou-se em ti, em mim, em nós, no mundo, no universo. Esse nada que de nada não é. As manhãs são lúcidas e que importa de onde vieram quando escrevo somente para sentir um pouco mais. E a ilusão de que amo demais, quando o amor só tem de simplicidade e concretude. Amo por amar, da mesma forma que toca a esperança quando bate na porta da vida. Se complico é só por medo de demasiados e ainda existe essa parte em mim que ainda não amadureceu e que anseia pores de sol em algum lugar. A parte apaixonada pelo desconhecido, apaixonada pelo mistério de cada olhar, a parte que se apaixonou pela espera e que guarda cada pedaço de esperança quando vê um pôr do sol, quando acha que viu alguma luz. Não importa se vem na cidade, num dia cheio de caos ou em meio à natureza. É sempre alívio quando vem. Pode ser instante ou miragem, um instante qualquer de pedaços espalhados de ti, inteiros do mundo, universos. São sempre bem vindos. 

Mares, sóis, chuvas, tempestades e florestas de amor. Da semente, rizoma que cresce lentamente. Já não me importo se a vida hoje disse para mim acalmar o coração e esconder a verdade de todos, que já disse mentira de mim,. Não paro para pensar se foi amor ou ilusão. Foi o que foi e pronto. Hoje é o que é. Estou aqui. Meio dormindo, meio acordada. Escrevendo meios de chegar aonde ninguém, onde a união se espalha na vida. Meio estrada, meio ar, meio fogo, meio éter. Se o corpo vibra algum entendimento desentendido não sei. Não sei. Não sei. Se soubesse diria e faria e vivia e sonhava. Hoje não sei e amanhã ainda não existe. Portanto o dia persiste inteiro. 

A poesia virou caminho. Estrada que percorro até ti. Tu que vem quando anoiteço, quando acalmo, quando instante, quando miragem, quando inspiro alguma lucidez. Tu que mistério. Tu que esperança. Tu que luz. Tu que natureza. Tu que universo. Disabor ainda derrete o caos. Caos vívido de ti. Caos que é amor. Amor que é caos. Ternuras, desejos e nadas. Ainda acostumo a escrever enigmas para ninguém entender e viro caos, louca incompreendida. Tudo porque nada e nada porque tudo. E tudo dança agora, mesmo que ainda teus olhos não foram treinados para ver o tempo dançar. Teu coração dança. Tua alma dança. E as palavras abraçam-te sempre que teus olhos as beijam. Encontros. Cada pedaço do universo quer se encontrar com outro pedaço. E a isso chamo encontro e saudade é sempre de encontrar-se novamente. Mas é preciso abrir o instante para nascer alguma magia. E isso envolve deixar-me levar, parar de travar e às vezes esquecer. Difícil, mas necessário deixar ser. Todo dia desejo que o tempo me leve, que o instante me nasça e que a ti possa dedicar algum instante. Não sei porque, deve ser os mistérios da escrita para alguém que não está, que não foi, mas que é desassossego e inspira quem escreve. Desassossego íntimo. Amor que não me é. Saudade que não acha fim.

2 comentários:

Assis Freitas disse...

desassossego íntimo, esse é o motor da escrita, a ebulição do eu,

beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

Assis, :) um beijo.