quarta-feira, 28 de julho de 2010

Esquecimento


(Dançarina e pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)


aos poucos perco a fala
o contorno do tempo é intraduzível

já é tudo silêncio macio
é que qualquer palavra cairá
no vazio do esquecimento

o sentimento é intraduzível
e a ternura é um detalhe
que permeia a escuridão
de qualquer gesto inteiro
enquanto o tempo se esvai
lentamente pela noite
na pele de tantos sentidos

já perdi o perfume das ausências
e saudade é regresso de tristeza
mas não importa mais
as asas são para os pássaros
deixo que livres pousem e voem 
enquanto permaneço sempre
onde nunca e tudo bem

o passado não me tem
eu sou de ninguém



*

terça-feira, 27 de julho de 2010

Desatinos de Jardim

(abstrato - por Luiza Maciel Nogueira)


o belo e tudo o que existe
no beijo do amanhã
trovejar nostalgias nos lábios
enquanto ainda receio
vendavais luzidios
anseio e pronto
o silêncio de qualquer coração

aconteceu de repente
se te adoro é por desconhecer
que já é tão tarde
essa cegueira e o desatino
ainda teus versos enquanto
corpo a corpo

 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Noturno

(São Paulo 100km - Luiza Maciel Nogueira)



gota, lágrima, orvalho, neve, frio
flor, sombra, luz, brio
te vejo, mas já não importa
o cansaço silencia
qualquer verso partido




*

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Do Rio


(Viola no Rio - de Luiza Maciel Nogueira)


1.
a pedra do rio
perdi na correnteza
das prosas mudas

2.
flui o lento mistério
dos lírios
no riacho da pedreira

que a pedra possa
banhar-se de rio
fluir nas águas
límpidas daquele
sorriso faísca
chama de vida

  
a mensagem transmutou  
ficou voe ao infinito lar

3.
decepções temos todos
metamorfoses temos poucas
de rocha e rio
a palavra transcendeu
o papel



(*versos inspirados em meu amigo Ribeiro Pedreira)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dos olhos de outra cor

(Face - de Luiza Maciel Nogueira)



Meu amor tem olhos de cores diferentes.
Em um a floresta brilha viva no olhar,
o outro é todo mar.



*poema para Renato Nogueira

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Te desejo

(Nascer do sol na estada do litoral - de Luiza Maciel Nogueira)

Te desejo boa viagem
que aprecie o sol quando se pôr
e a lua quando a noite chegar.

Te desejo proteção e carinho
que fiques envolto nos abraços do ar,
que não te aconteça nada de ruim
nem precises se queixar.

Te desejo só deleite, regalo e alegria
sem a tristeza para te acompanhar.
Que descanse da cidade e toque,
componha o trabalho dos seus sonhos,
da tua sina e espere a nota certa chegar.

Desejo que o dia possa te acolher
e a noite possa te embalar sonhos bons.
Que o instante te nasça nos olhos vivinhos
e a estrada que caminhas seja toda feita
de ternos versos de amor.

Que sorrias, que toques, que sejas
e possa escutar a poesia, a música
de cada lugar, de cada olhar, do teu lar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Náufrago

(Tempo a Naufragar no Mar)


O tempo naufraga lentamente...

Para as minhas retinas
é tudo silêncio absoluto
até a caneta se recusa a escrever.



hoje também estou aqui




sábado, 17 de julho de 2010

Na janela
a árvore canta
no azul

Três gotas no vidro
lágrimas de céu
repousam

In the window
the tree sings
in the blue

Tree drops in the glass
tears of sky
sleeps
Fotografia de Tainha
escritos de Agosto/2008
*

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Prece

(Sentidos na Pele)

da poesia nos olhos
das lembranças na pele
da beleza de uma lágrima
das recordações
e das pessoas que nos tocam
ao passar em nossas vidas

da sensibilidade
da clarividência
do amor
da dor

do mar nos olhos
dos olhos de vida

e do silêncio final

(...)


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Haicais*

(Cerejeira em Flor)


canários pousam
nas cerejeiras compõem
orquestras de sol


pétalas de sol
luminosos vendavais
na garoa mansa


chuva nos olhos
a pele em arrepio
de luar sombrio


sementes de sol
fluem em vendavais
pousam no limo





instante Van Gogh*
do matagal luzidio
abraços sem fim






quarta-feira, 14 de julho de 2010

Saudade Indevida


Aqui nesse canto de saudade indevida
pisquei o silêncio, o gesto, o tanto
sem pensar que seria ausente
o mistério de sonhar.

E o amor se revelou escondido
num chamado perdido
nas sombras do olhar,
no escuro ao redor da chama
dessa paixão com muito drama.

E a chuva, o temporal, a tempestade
a afogar de intensidade qualquer paz.
O caos adentrando na vida,
a poesia embebida
e nada mais...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Recordando Drummond

1.
tira essa máscara vil de infinito
veste a máscara do instante
para nascer o raiar do dia
nos lábios disfarçados de tontos
para que possamos ver
que tem uma pedra no caminho
e a pedra é tudo que sei, tudo que vi,
tudo que serei, tudo que vivi


2.
metamorfose nos olhos
é segredo de quem ama
a ausência assimilada
e Coisa, coisamente
uma preciosidade 
enterrei no coração


3.
das coisas findas e lindas
Drummond já disse
se cavucarmos bem a gente
encontra a poesia
sem qualquer explicação
só beleza, caos
e um terno mistério...
até enlou-crescer
de paixão


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Água Rara

1.
das lágrimas,
agora vejo 
são águas raras
que renovam 
a dor


2.
queria lhe perguntar
se ainda tens aquele poema
do tempo que chora
cada vez que passa
alguma beleza infinda


3.
pode ficar com teu mistério
e com todo o silêncio
pode ficar com os sorrisos
e toda aflição

pode ficar que te devolvo tudo
que quiseres
e que nunca foi meu

devolva-me 
o segredo de quando ainda 
a lágrima inocente corria 
nos olhos vivinhos 
de amor sombrio, escuridão 
sem pensar que amava
sem achar que doía


Beijo

1.
bobagem essas palavras
quererem por fim
beijar o silêncio
dos teus olhos garoa
de esperanças
fatigadas


2.
o tempo mudou, ouviste?
mesmo assim faço jus
de pousar os lábios
onde não tens fins


3.
sei que é demasiado
tarde para ternuras
que tens outra e mais
outras que sou
apenas mais uma
com a excepção se ser
não sendo só tua

sexta-feira, 9 de julho de 2010

*Flores

(Flores de Outro Mundo I e II)

As flores que me deste são de outro mundo só
não pudera esfarelar as pétalas uma por uma
e contar o quanto tens de mim no teu coração:
impossibilidades matemáticas...

Acho que te queria saber mais facilmente,
como somar pétalas de flores e o resultado
ser um pouco aproximado da minha saudade
e de tudo que ela repercute como onda que sustenta
o meu sentimento instável por ti, de uma dimensão
paralela inexistente com altos e baixos de ternura,
talvez um pouco demais, oscilando a partir
de nada mais nada menos que a minha imaginação
a flutuar em alturas longínquas encobrindo meus
conflitos de pessoa intelectualmente dispersa,
mas que gosta por demais de apreciar-te
nas horas vagas no vazio só do tempo
que devagarinho nos esgota desabando
de nossas mãos já vazias há tempos
e ainda perdidos de nós...

até que o tempo pare e mais uma vez
e a eternidade nos apresente
um pouco de ****...



*escrito em Abril/2008 
(desenhos de Jan2010)

Anotações sobre o mar


As palavras pararam de me nascer e como prometi escrever. Constatei o óbvio. Ando seca de idéias, pobre de sensações e invenções, mas lembrei que não tem problema. Nada que disser vai mudar o teu dia ou o teu humor. É que parei de querer lhe dizer tudo. Digo o nada, o ridículo, o insensato e não me importo. Amigos primeiro, depois uma mãozinha para os dias caídos e já perco novamente o raciocínio. Não sei porque vim escrever. Queria escrever sobre o mar, os peixes e as gaivotas mas a sorte não me veio e a inspiração anda teimosa.

Ah sim, o mar. O mar tem tanto na superfície e mais ainda nas suas profundezas. O mar por vezes se reflete no olhar de quem já viveu e abriga imensidões, multidões. Sim claro, no coração sempre um pouco ferido, mas não menos forte, não menos humilde. Ferido somente para a abertura da compreensão da dor. A sabedoria tem mares e mares de aprendizados, mares e mares de vivências e a sua profundidade é incrível. Não tenho sabedoria, não o saber não me sabe, nem mesmo a vida me sabe. Mas é o ideal. Um dia sim digo que caminho nas profundezas de um oceano vívido. Por enquanto agradeço a minúscula parte do mar que posso contemplar. E depois quem sabe expandir não é destino?

Ai ai o mar! Que saudade de mergulhar no mar, ir para a praia e beber água de coco. Que saudade do sal das horas sem pressa, de férias, de sono, de sonho, de sol. Ficar esticada na areia, correr pela praia, aspirar o ar fresco e correr pra longe fugindo de qualquer problema da cidade. Que saudade de ver os pequenos peixes em contraste com a água cristalina. Saudade do sol na pele e da água salgada no corpo. Saudades do mergulho e das horas a nadar sem rumo. Ai ai o mar, a praia e as ondas. O barulhinho das ondas o pé na areia fofa e até dos caldos. Qualquer mar, não importa desde que seja mergulhar sem medo de ser feliz. Ah sim, como eu queria ser uma gaivota para viver perto do mar. E não sair de lá. Depois voar, voar, voar. Ai ai o mar!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

(Mosca na Flor)


jardim beleza
moscas em rodopios
da flor o néctar 


quanta cegueira
ontem não vi as flores
e tantos jardins


a zunzum voar
a dar voltas sem parar
moscas no olhar




terça-feira, 6 de julho de 2010

Sinal

(Vento)

Me dê uma pista
um lampejo, uma placa,
uma flecha, um caminho,
um jasmin, uma flor,
um jardim ou esquece
e não me dê nada.

domingo, 4 de julho de 2010

Endereços

1.
Permita que saia de mansinho de qualquer lugar e percorra o céu sem me achar. Que este dia seja apenas mais um dia em meio a tantos outros. Que não veja mais do que caminhos tortos. Permita que anoiteça e sem pensar em nada. Que possa recomeçar, tirar o vício do sangue, calejar o instante. Permita que especial sejam as pessoas tortas e seus caminhos tortos. Permita que o cima seja embaixo e o embaixo seja lá em cima, que nada seja mais correto ou mais bonito e que tudo se destaque ou seja tedioso demais para olhar. Permita que anoiteçam os dias, que tudo se converta em oceano e a água seja toda feita de inovadora esperança.

2.
A verdade amor é que parei. Parei de querer florecer mais. É que eu vi que não adianta sofrer. E que sofrer é pra quem ainda não aprendeu a deixar. Deixar o tempo morrer. É certo que já amei cada mistério que não quis desvendar, por medo. Por medo de amar, mas garanto que não jogo fora. É que de tanto esperar, ansiar adormeci pra sempre sem ti. É que de tanto, de tanto voltar esqueci. Esqueci.

3.
Jà reparou que o oceano não tem fim, que o universo vai se multiplicando cada vez mais e que as estrelas que consagramos sempre já se foram há muito tempo? É que somos por demasiado passados, livros que se abrem quando lêem. Lembrei, lembrei de uma máxima, essa é antiga, daquelas que sabemos todos, mas que tem que ter alguém tonto para dizer o óbvio. Temos livros nos olhos. E cada livro, já dizia alguém sensível, cada livro é um universo. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Desertos

Então é isso mesmo que eu pensava
Nunca foi, nunca é, nunca será.
E por tanto desamor o tempo seca
sem esperança que chegue pra voltar
Entao é isso mesmo que eu sentia.
Desertos, desertos e mais.
E você foi o sol com a poesia,
você foi a música sem tentar.
Me despeço agora como sempre.
São partidas sem lugar no escuro sem par.
Então é isso mesmo, eu sempre soube.
Toda ternura é sempre igual.
Tempo, universo e coração.
E todo resto é solidão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010