segunda-feira, 12 de julho de 2010

Água Rara

1.
das lágrimas,
agora vejo 
são águas raras
que renovam 
a dor


2.
queria lhe perguntar
se ainda tens aquele poema
do tempo que chora
cada vez que passa
alguma beleza infinda


3.
pode ficar com teu mistério
e com todo o silêncio
pode ficar com os sorrisos
e toda aflição

pode ficar que te devolvo tudo
que quiseres
e que nunca foi meu

devolva-me 
o segredo de quando ainda 
a lágrima inocente corria 
nos olhos vivinhos 
de amor sombrio, escuridão 
sem pensar que amava
sem achar que doía


8 comentários:

Ribeiro Pedreira disse...

a lágrima que renova a beleza alia-se ao desejo profundo de tomar os sorrisos e tudo que houver em segredo, disfarçado de não querer.
o amor que dói é o mesmo que doa.
bjs.

José Carlos Brandão disse...

Água rara - de rara sensibilidade, a água da sua poesia.
Beijo.

Assis Freitas disse...

gostei muito, e bastante e demais, tudo ao mesmo tempo,

beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

Ribeiro: ou seja palhaça na certa. Por isso o nariz vermelho que falta pintar. :) beijo

José Carlos: grata, :) beijo

Assis: os poemas ficam lisongeados :) beijo.

Renata de Aragão Lopes disse...

Estou a ler seus poemas de um a um. Gostei daqui! : )

Luiza Maciel Nogueira disse...

Renata: grata, bjs.

Gabriel Rübinger disse...

Achei realmente singular e apurada a sua percepção poética. Estou a devorar teus poemas - dificilmente encontro pérolas assim na rede.

Luiza Maciel Nogueira disse...

obrigada Gabriel, tem influências que me fizeram ver a poesia de outra forma como: Gaston Bachelard (A Poética do Espaço), Clarice Lispector (toda obra), a produção do haikai na contemplação da natureza e algumas visões de mundo singulares na forma que tudo que vem da vida é poesia, basta só a gente captar que vem do ar...enfim. Boas leituras. Beijos.