Música!

terça-feira, 22 de março de 2016

Miragens, Lembranças e Encontros

(Simples)
1.
Não é pra ti. Não se engane, nunca foi pra ti. Acreditava que era, que sim, mas não. Passou tanto tempo, tantas feridas, tantas palavras ditas pra um "ti" que existiu dormente. Dorme tranquilo que nunca foi pra ti, ou viva vivo que já não digo mais só pra ti. Mas o ti aqui é pra alguém, sim pra quem quiser receber palavras, achar que toca e pensar ou sentir que ecoa algum sentido e portanto é para ti. Sempre foi assim, a música da vida é pra quem quiser escutar, pra quem quiser. Não que isso seja vida, essas palavras vazias, tão cheias de nada. Flores de nada que te devo. Nada mais, nada menos que o que quiser receber da vida. Vida com perfume, com lembrança, com lume. E o lume é só por ser esperança e tanta chama. E a chama é por ser de vida. Vida e esperança ou são sinônimos ou se complementam. Talvez os dois, ou até mais. Não sei. Talvez.


2.
Sabes que já não volto, que por não voltar também já não me arrependo. Fria, talvez mas chega de deixar que o tempo se vá assim tão depressa pelo ralo. Instantes luzidios, lembra? Pra isso se vive.


3.
Da música, da escuridão e das solidões ainda soletro alguma luz, alguma esperança. Que a luz sempre foi feita da fé que nos habita, de algum sonho que ainda não morreu. Da espera aguardo somente miragens que só alimentam beleza nos olhos. Aqueles detalhes tão vivos que nos somam. E há tempos repito é no detalhe que mora a calma. No aparentemente simples e banal mora a beleza. Na verdade a beleza mora em todo canto, em qualquer miragem que já agora virou uma lembrança. E tudo isso é também vida, é também luz. Veja bem a lembrança permanece e que bom, mas o instante luzidio corre sem fim e é bom agarrá-lo também de quando em vez, quando ecoar nos olhos alguma luz. Nos olhos e no coração. Tudo isso são encontros que vivem, intimidades que repercutem e que alimentam a esperança. Por isso amor que amo um ti. Pela intimidade da palavra, mas não se engane, não e por ti e é porque é um ti que faz ecos em mim. E portanto viva tranquilo que não me deves, não te devo e não somos. A vida é, a poesia é e poesia é vida que dança. Os instantes, versos que flutuam enraizados a ecoar nos olhos de quem estiver disposto para apreciar, para ver a dança e escutar a música da vida. 


4. 
Sim, a música da vida e os instantes dançam, a vida dança. Nada é mais tão banal. Agora percebes, agora sentes?


escrito originalmente em 2010.

2 comentários:

Vieira Calado disse...

É banal a vida?

Pois... tornar-se-à banal para quem não sabe dançar...

Saudações poéticas

Luiza Maciel Nogueira disse...

:)