Música!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Luiza Maciel Nogueira"




"cria ave
cria vento
cria canto
cria tanto
criatura
criadeira"


 

poema escrito para mim
pelo poeta amigo Fabio Rocha
do blog Da Busca



Desde já

(Pássaro sobrevoando o mar - por Luiza Maciel Nogueira)


1. Ponto final

ponto final amor
ponto final
chega de vírgulas
dois pontos, parágrafos
ponto vírgula e travessão
vá voar, vá rir, vá ser feliz
e por hoje é só!

só tenho vocação
para te amar
e ponto!
ponto final amor
ponto final!


2. Mística

pássaros, árvores,
mares e ondas
rumo à essência
do olhar novo
instante primeiro

a dança das ondas
no olhar derradeiro
enquanto embriago
os olhos de mar
a pele em ondas

os pássaros cantam,
as árvores sussurram
a canção da ventania
e meu mar é todo teu
simples assim 


3. Introspecção

quando só
solidão
papel vazio
crio versos
todos para ti
sem saber
quem és
e onde posso
te encontrar

 

domingo, 29 de agosto de 2010

Pele, osso e invenção

(Rio que desagua no mar - por Luiza Maciel Nogueira)


"na escuridão,
pássaros voam
repousam
entre galhos
entre amores

mares tomam cores
fundem-se a possíveis sóis
pedras e rios
em humanísticos rumos

o que parece treva
sucumbe à poesia
e toda claridade
é invenção da luz."


 Escrito pelo amigo poeta Ribeiro Pedreira
do blog Alguma Poesia


Amei o presente em forma de poesia!

Gratíssima!!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Poema desejo




1. Ânsia

sorvi sem saber
da eternidade que pulsava
na ânsia das nossas mãos
à espera do retorno,
da ternura e do silêncio


2. Insensatez

os delírios clamam
por insensatez no sabor
em uma pétala de céu
inebrio a noite enluarada
sem a lucidez da gota
a tremeluzir na escuridão
profunda de um beijo



3. Lábios

nos lábios do desejo
dançam labaredas
em ritmos pautados
garoa, doce perfume
a delícia das carícias
na maciez da pele 
o início do amor




Brilhinho triste

(Rochas no mar - por Luiza Maciel Nogueira)


é sempre no silêncio
que te encontro
sem palavra que preencha
o vazio que deixaste
sem poema que nos salve
sem verso que nos una
apenas ternura, silêncio
e a beleza da gota
repleta de brilho 
viva no mar


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Paraíso

(Paraíso - por Luiza Maciel Nogueira)



o paraíso é ao lado
do imenso mar
mergulhado
em um barco a vela
ao apreciar o nascer do sol
lá no início do horizonte
o paraíso é lá
lá longe o paraíso





quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Gracejo maluco

(Café - por Luiza Maciel Nogueira) - jan/08




pouco importa o quanto
de tanto faz os passatempos
de graça a poesia vem
sem querer num susto de repente invade 
depois é melhor voar distante
não se acorrentar ao desespero
sorver o dia inteiro, dizer jamais
sempre e quem sabe ainda
os conflitos se resolverão
na prosa ou até no silêncio
do verso final




terça-feira, 24 de agosto de 2010

Passarinhos

(Pássaros no galho de uma árvore - por Luiza Maciel Nogueira)



os pássaros cantam a oração da vida
ao deslumbramento dos raios solares
comunicam entrecruzamentos
do vôo, das árvores, do tempo
do vento, da chuva, dos frutos

derramam no vento a semente
que é levada ao seu destino
não por acaso esta crescerá




(Fotografia de Luiza M. N. - Figueira plantada pelos pássaros no meio de uma árvore Angico em início de decomposição. O Angico abriu em duas partes, uma delas já caiu, a outra vai cair em breve, porém a figueira plantada pelos pássaros continuará no lugar do Angico, suas raízes atravessam a grande árvore até a terra. Sábia natureza!)


Figueira surgiu
no meio de um Angico
passarinho esperto
não quer deixar morrer
seu lar de pouso e ninho





segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Entre moradas

(Rio que desagua no mar - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
amanhece um desejo vago
de ternura passageira
na maciez dos beijos raros
olhos de gároa mansa
leve como brisa
a cantar a oração do ar

1.1
(tudo adianta,
tudo vale a pena
e em comunhão
tudo dança
no instante já)


2.
os ponteiros passam 
na mudez de outrora
sem elo que entorne
o espaço da partida
derradeira 


3.
o sem tempo
da beleza
arde os olhos
(até goteja)


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

No jardim

(Árvores - por Luiza Maciel Nogueira)


1. Árvores

no jardim
a vida dança
reinam as árvores 
adormecidas à espera
da chuva ou na ânsia 
do próximo raio de sol

sonho eu
as árvores são vívidas
sagradas não desanimam,
nem anseiam
só cantam
silenciosamente


2. Vai e vem

vento vai
vento vem
as notas nas folhas
se alinham
em espaços
de tempos 


3. Sem perfume

talvez um soneto
se desfaça no olhar
de tantas ventanias


4. Silêncio

quem sabe 
versos surjam
para o soturno
embriagar-me
de beleza



5. Pela poesia

ainda reclamo
por uma poesia extensa
que derrame a claridade
sob a cidade densa
que seja sobre

árvores, jardins, silêncios,
mares, pássaros chuvas
amores, instantes, músicas 
porque só assim
a vida é imensa


6. Exigência

não tem graça
falar de tristeza
quando um verso
não é rio
que flui
na correnteza


7. Já era

te vi por aí
e aí
não te era
nunca sobra 
nós quando 
o instante
espera 


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Lara Amaral

(Gota - por Luiza Maciel Nogueira)



"A incompletude da gota
quase toca
quase escorre
é sempre, quase sempre
um falhar no umedecer
das palavras
dos gestos."




(Um presente recebido da poetisa Lara Amaral  do blog Teatro da vida para o desenho "Gota"!
Publico porque AMEI, um muito obrigada!)

Livre para um poema*

(Livre para um poema teu - por Luiza Maciel Nogueira)





(livre
para um poema
teu*)






*para ti se quiser ousar


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Com licença

(por Luiza Maciel Nogueira)

ESTOURO


não adianta
ando, corro
e até tento voar
mas no máximo
olho os pássaros
passar




GAIOLA


presa no sorriso
adormeci luz
nos entretantos
perdi tempo
não vi ternura
não escutei
ré, nem fá,
nem lá, nem si
nem mi, só dó
sem brilho




DEPOIS


depois da música
o silêncio vem e vai
entre notas toca a pele
ondas do mar
gotas de chuva
um pouco do sol
e gelo
um baita frio



APERTA A TECLA STOP

alguém
pel’mordedeus
cala a minha matraca
não consigo mais parar
de atordoar os versos
e ansiar universos
em gotas pálidas




DELETE

deleta tudo
começa de novo
e de novo e de novo
até renascer realmente
a vida toda
diante dos olhos, na pele
por isso vai! delete



PASSO FINDO

inicia um passo novo
de dança errante
sorriso torto
em tempo finito
música mortal 
de ferida aberta
ou mal cicatrizada
de face manchada
corpo gordo
tão feio e desengonçado

que ficou charmoso
e no final lindo



GOTINHA

então respiro
sem dó
sem brilho
mas o lar do (aqui)
é uma gota
que derrama
uma nota
a cada vez
que arde


Da Incompletude

(Gota - por Luiza Maciel Nogueira)


PERDOA

Inferi o entretanto na pele,
o tanto que perdoa amor,
foi mesmo falho,
apesar de terno,
eternamente enquanto
(a parábola do riso).


ENCANTO

Se te disseste ausente,
intuo o tão presente,
mas a escorrer lentamente
pela pele no som
que apesar da dor
és meu encanto.


APENAS

Os versos todos insuficientes,
sem poema, palavra, poesia
que te faça sentir o silêncio
as tempestades, os ventos,
as chuvas, o mar.
Sem poema que te faça sorrir.
Sem delírio que te faça sonhar.
Apenas poema
frágil, ignóbil, gentil.


AUSENTE

parece que nada te toca
qualquer beleza
não te surpreende
todo instante insuficiente
aquela pétala insignificante


ME PROCURA

agora amor me procura
no instante íntimo do beijo,
estalo do corpo, mosca no lixo
me procura no macio

busca sem fim o instante
e por favor recebe de bom grado
esses versos falhados






terça-feira, 17 de agosto de 2010

Água Rara II

(Gotas são pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
cada lágrima habita um enigma pássaro
a vibrar na face, na chuva, no mar
molécula de beleza e liberdade
que dura o tempo do enquanto
enquanto a dor falece seu encanto


 2.
Pássaros voam e pousam pelos olhos.
Oceanos e oceanos. Mares e mares.
Sendas, passos, traços,
cautela amor que não tivestes.
Mergulhastes na profundeza do verso
e a mudez do som que criastes em ti,
da intimidade com o nada que já disse,
é tanto.


  3.
se o esquecimento
ainda não lhe bastastes
me procura nos pássaros,
no silêncio, na chuva
busca sem fim
o detalhe no instante
e a música virá
espera...


(escuta)













segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sol



(Beija-flores - por Luiza Maciel Nogueira)


Sol no horizonte se põe.

Um dia chegou abrangente num sorriso e o olhar derramou o amor.
São versos ternos que queria silenciar todos os dias.


Foi na cidade que te vi, na estrada um colibri.


Depois de muito tempo a avenida estava esvaziada de ti. Comecei a pensar que não tinha mais volta, voltei a chegar. E todo lado eu via um instante de poesia. Era belo e triste como as ondas do mar.


E tudo era poesia, em cada verso um olhar. A natureza dizia cada coisa no seu lugar. A chuva para sentir, o vento para fluir e o mar para navegar.


E assim se foi mais um dia, chegou a noite adormecia. Na cama beijou o amor da madrugada abraçou. Um sonho sempre dá asas.


No céu um cometa pousou, eram os teus olhos. Olhos de amor.




(escrito em 27 de Novembro de 2009)

domingo, 15 de agosto de 2010

História

(Piu - por Luiza Maciel Nogueira)



A história começa onde termina. É um qualquer lugar, uma esquina. Tem olhos que se olham, mas não vêem nada. Tem gente, tem sonhos, tem dor e também tem amor, por mais escasso que seja, é sempre dor um amor.

E sós estamos juntos.

Essa é a história de todo lugar tem cheiro a memória e passa devagar. Em cada olhar mora um verso, em cada esquina um sonho, em cada coração um universo, em cada sorriso uma luz.

Um oceano de saudade percorre e é sempre urgente sentir.

Essa história é curiosa. Ela tem início na dor e passa a ser sorriso.

Que mistério o amor!

Lembraria com um sorriso cada amor, cada poesia com o olhar de cada dia.

É sol, é luz...

É não precisa dizer mais nada, eu já sei.
Nunca quis, eu sei.


(escrito em 26/11/2009)

sábado, 14 de agosto de 2010

Singelo

(Bailarina e pássaros - por Luiza Maciel Nogueira)




do singelo que repousa
destoam moradas
que o vento sopra e repele
para outra noite
outro corpo, outra pele
outro olhar







sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tem poema

(Preto Livre - por Luiza Maciel Nogueira)




Tem poema safado, poema ousado, poema acabado. Tem poeta perdido e tem poema achado. Tem poema de amor, poema de dor, poema de luz, poema de sombra e poesia de abrigo. Tem poema ferido. Tem poema triste. Tem poema saudoso, poema de louco e tem poema caduco, poema mal visto. Tem poema chato, poema de mato, poema de rouco e tem poesia de gago. Tem poema cego, poema lúcido, poema normal. Tem poesia dos olhos e tem poeta astuto. Tem poema delicado. Tem poema singelo. Tem poema porrada e poesia de guerra, tem poeta brigão, poeta porreiro, poeta pião e poeta barbeiro. Tem poema livre e solto e tem também poema preso, tem poeta travado e poeta arteiro. Tem poema calado, tem poema falado, tem poema abandonado e poeta solitário. Tem poema pedaço, tem poema inteiro, tem verso danado e poeta faceiro. Tem poema desastrado que dança o dia inteiro, tem poema ventania que canta melodias. Tem poema de partida e poema de chegada. Tem poema de instante e poesia de morada. Tem poema semente, poema árvore, poema flor e poema de fruto. Tem poema de criança, poema adolescente e poema mais velho. Tem poema que brota e poema que cresce, poema que desce e poema que sobe. Tem poema que morre e poesia que desaparece. Tem poema sorriso, poema de olhar, tem poema de beijo e poesia de se abraçar. Tem poema sedento e tem poesia alimento. Tem poeta que canta, poeta que foge, poeta que sente, poeta que mente e poeta que explode. Tem poeta que ama, poeta que arde, poeta que morde, poeta que late, poeta que sofre, poeta que sonha e poeta que dormente. Tem poema que é música, poema que é nota, poesia que pia e poesia acorde. Tem poema que grita, poema que rima, poema que é baixo, poesia que sussurra, e poeta músico. Tem poesia que afoga, poesia que acorda, poesia que assusta e poesia suporte. Tem poema terno, tem poema bigode, tem poema corpo e poesia sacode. Tem poema preguiçoso, poema rapidinho, poema fajuto, poema sozinho. Tem poema concreto, poema delírio, tem poema imaginativo, poema expulso e poema bem vindo. Tem poema porta, poema janela, tem poema lençol e poesia encoberta. Tem poema esfarelado, tem poema enluarado, tem poema emaranhado e poema enamorado. Tem poema erótico, poema pueril, poema maldoso e poema gentil. Tem poema solar, poema escuro, poema clarão e poema escuso. Tem poema tudo, poema nada, poema mais ou menos, poema dinheiro e poesia de graça. Tem poesia lembrança e poema miragem, tem poema agonia e poema saudade. Tem poema parado, poema fluindo, poema voando, poesia tinindo. Tem poema tantos, poema poucos, poema contente, poema insuficiente. Tem poema reto, poema largo, poema curva, poema traço, poema caminho e poema passo. Tem poema enigma, poema mistério, poema claro e poesia sincera. Tem poema drama, poema comédia, poema trágico, poema aventura, poema ficção, poema realidade, poema maldade, poema crú, poema no ponto e poema passado, poema carcaça, poema sem graça. E tem também poesia feita com o coração, poema vivo e poesia na mão, poema sorrindo.

Tem tanto poema, poeta, poesia...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tempo enfim

Exercício de criação 2 proposto pelo poeta do Gambiarra Literária:


Tictac
das flores não sei
das moscas te dei
rodopiam até no lixo
que não sei
que prefiro esquecer
pois já me esqueceste
e eu perdi o tempo
os presentes
eu: a mosca no lixo

das flores e do jardim
já a cegueira de novo
e de novo
o não encontro

e tu
amor que não me é
tempo sem volta
ternura sem fim
abandonei enfim
porque sei lá
não me tens
mas rodopio
mesmo assim
sem ti
sem mim

porque não sei
talvez finjo
para esquecer
que dói
toda mudez
jamais...
dingdong

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Rumo?

(Rabisco - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
a palavra exata
não existe
fora dos teus olhos
por isso
calo demais
qualquer som



2.
não existes
não ressoas
não me tens
então vou embora
fazer silêncio
em outra senda
sem ti meu bem


3.
prá que trovejo
se nem mesmo sinta
qualquer coisa
(aqui)
sem senda ouvi
"vá por ali"


4.
é tanto
fingimento
que cansei
de declarar
que minto
(só pra mim)



5.
me deparei
com o nada
e aí?
descobri que
é algo
e vibra
mesmo que seja
nada
algo existe
(aí)


6.
voa
e pronto
deixa-me
(aqui)


7.
não importa
continuo
rebelde
sem rumo
na minha
só e sedenta
de um sorriso
mínimo
que seja

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Da Melancolia


(Gotas - Luiza Maciel Nogueira)



Já se derrama no olhar
para renovar as águas do tempo.
alvitres, ternuras, nódoas, impulsos.
Nostalgias, miragens, lembranças.
Nós que se vão no compasso perdido,
instante de vida prometido.
Registro de cor, sentido e sentimento
pra não dizer do silêncio e do nada
do poema selado, marcado,
desaparecido, exaurido, acabado.
Do poema abandonado.











sábado, 7 de agosto de 2010

Para Fouad Talal

(Japão - por Luiza Maciel Nogueira)

Para o poeta Fouad Talal do Versos de Cor .


Habitas versos de intensos prismas 
e compões ao teu modo o que quiseres
ris, brincas e pede passagem
para a esperança, outra para o amor,
mais uma para a arte e outras tantas
para o nada; respiras, caminhas, observas.

Beijas o nada sem entender qualquer mistério,
mas mesmo assim não importa
as lindezas continuam lá ainda que um dia
dia pensemos o contrário
"nunca estiveram ao nosso alcance".
Bebes a essência de cada morada do verso.
O indecifrável te impele,
universificas as esperanças do dia
e loucos enigmas te fazem vívido!

Um dia ainda faço um poema para ti.
Um poema de ti.