quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Com licença

(por Luiza Maciel Nogueira)

ESTOURO


não adianta
ando, corro
e até tento voar
mas no máximo
olho os pássaros
passar




GAIOLA


presa no sorriso
adormeci luz
nos entretantos
perdi tempo
não vi ternura
não escutei
ré, nem fá,
nem lá, nem si
nem mi, só dó
sem brilho




DEPOIS


depois da música
o silêncio vem e vai
entre notas toca a pele
ondas do mar
gotas de chuva
um pouco do sol
e gelo
um baita frio



APERTA A TECLA STOP

alguém
pel’mordedeus
cala a minha matraca
não consigo mais parar
de atordoar os versos
e ansiar universos
em gotas pálidas




DELETE

deleta tudo
começa de novo
e de novo e de novo
até renascer realmente
a vida toda
diante dos olhos, na pele
por isso vai! delete



PASSO FINDO

inicia um passo novo
de dança errante
sorriso torto
em tempo finito
música mortal 
de ferida aberta
ou mal cicatrizada
de face manchada
corpo gordo
tão feio e desengonçado

que ficou charmoso
e no final lindo



GOTINHA

então respiro
sem dó
sem brilho
mas o lar do (aqui)
é uma gota
que derrama
uma nota
a cada vez
que arde


5 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Tudo muito lindo, Luiza!
Se você me pedisse para escolher um, eu ficaria com todos...
Você é demais!!!
Beijo

Assis Freitas disse...

que felicidade poder escrever assim, não raro as palavras sorriem em teus versos, afastai a tecla stop


beijo

Vieira Calado disse...

Esses exercícios poéticos
são sempre bem perceptíveis e elegantes.

Beijoca

Pirussas disse...

Bom dia. Foi um prazer visitar o seu blog, e a ver se me torno seguidor, para ser mais fácil visitar nos dias a seguir. Gostaria muito de divulgar o meu novo blog. As aventuras de um Empregado Gourmet. Visite e siga. Se gostar mesmo, até um post pode fazer ;) ;) Muito Obrigado.

http://ohpirussas.blogspot.com/

AC disse...

Que fôlego, Luiza!
E ainda você se queixa. :)
Há talento dentro de si (e ré, mi, fá, sol...) sabia?

Beijo :)