quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Da Incompletude

(Gota - por Luiza Maciel Nogueira)


PERDOA

Inferi o entretanto na pele,
o tanto que perdoa amor,
foi mesmo falho,
apesar de terno,
eternamente enquanto
(a parábola do riso).


ENCANTO

Se te disseste ausente,
intuo o tão presente,
mas a escorrer lentamente
pela pele no som
que apesar da dor
és meu encanto.


APENAS

Os versos todos insuficientes,
sem poema, palavra, poesia
que te faça sentir o silêncio
as tempestades, os ventos,
as chuvas, o mar.
Sem poema que te faça sorrir.
Sem delírio que te faça sonhar.
Apenas poema
frágil, ignóbil, gentil.


AUSENTE

parece que nada te toca
qualquer beleza
não te surpreende
todo instante insuficiente
aquela pétala insignificante


ME PROCURA

agora amor me procura
no instante íntimo do beijo,
estalo do corpo, mosca no lixo
me procura no macio

busca sem fim o instante
e por favor recebe de bom grado
esses versos falhados






3 comentários:

Assis Freitas disse...

se isso é incompletude, dou-me por incompleto sempre. tua safra poética, e pictórica, reluz,


beijo

Ribeiro Pedreira disse...

quando o amor se esconde em ausências íntimas da pele, é tempo de arrefecer o coração numa suavidade que acalenta.
bjs!

Lara Amaral disse...

A incompletude da gota
quase toca
quase escorre
é sempre, quase sempre
um falhar no umedecer
das palavras
dos gestos.

Versos para vc a partir dos seus, e do seu magnífico desenho.

Beijos.