terça-feira, 24 de agosto de 2010

Passarinhos

(Pássaros no galho de uma árvore - por Luiza Maciel Nogueira)



os pássaros cantam a oração da vida
ao deslumbramento dos raios solares
comunicam entrecruzamentos
do vôo, das árvores, do tempo
do vento, da chuva, dos frutos

derramam no vento a semente
que é levada ao seu destino
não por acaso esta crescerá




(Fotografia de Luiza M. N. - Figueira plantada pelos pássaros no meio de uma árvore Angico em início de decomposição. O Angico abriu em duas partes, uma delas já caiu, a outra vai cair em breve, porém a figueira plantada pelos pássaros continuará no lugar do Angico, suas raízes atravessam a grande árvore até a terra. Sábia natureza!)


Figueira surgiu
no meio de um Angico
passarinho esperto
não quer deixar morrer
seu lar de pouso e ninho





12 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Lindo os dois poemas,o seu e o da Natureza! Trazem um frescor ao coração...
Beijos

Naty e Carlos disse...

Ser importante é fazer com que as pessoas gostem de nos, assim do jeito que somos, e se alguém não der importância a isso, este alguém nunca foi importante para nos.
Uma boa semana
Bjs com carinho

Assis Freitas disse...

teus passarinhos não passarão, eternizam-se em canto,


beijo

Vieira Calado disse...

Saudemos

então

os pássaros!

Beijocas

Márcio Vandré disse...

Queria ser um pássaro para ter a liberdade de voar e passar no ar o tempo que eu quisesse. Sem necessidade de término, como em um sonho ou coisa afim.

Beijo, menina do nariz descolorido! :)
Quero vê-lo pintado de vermelho.
Au revoir.

Márcio Vandré disse...

Ahá!
Eu conheço esse tipo de nariz!
Hahaha!
Agora sim! :)
Um beijo, moça!

Lara Amaral disse...

Hoje: foto, desenho e poemas estão lá no topo das copas de árvores, bonito olhar cá de baixo! =)

Beijos.

AC disse...

Os pássaros
Não sentem o passar do tempo
Os pássaros
Fazem parte do tempo

Beijo :)

Ribeiro Pedreira disse...

sábia poetisa que verseja o dom da natureza.
bjs!

Luiza Maciel Nogueira disse...

Ribeiro Pedreira: nada de sábia poetisa só reproduzi o que os olhos viram, o que o coração sentiu. beijo

Hilton Valeriano disse...

Passarinhos intimistas. belo!

j maria castanho disse...

as libações da espera meditam comigo


Com o destino traçado pelas vinte estrelas de Tique me disse Dice
As rosas, lírios, violetas, íris, jacintos e narcisos atapetam-lhe o chão
E cré com cré, lé com lé, nos losangos do centro do corpo humano
Coração e ventre nos vértices se unem, ondeiam, oscilam e dançam
Com precisão imaculada o fumo serpenteia a evolar-se das fornalhas
Enquanto na cella espero instruções da Mestra Sacerdotisa contemplo
É maior o meu respeito se na libação executo o mister da concentração
Recatado estou perante ti, ó divina feita mulher por cuja sede me meço
E teço exemplo sem ilusão mas que com a arte exímia exerço e adestro
Que a honra seja trinta e seis vezes superior à de qualquer outro escriba
Pois servir-te é merecer teu afago e desfrutar de tua vista e fala e sentir
E estar enlevado na partilha do fumo celeste pelo mesmo bocal leonino
E saber a luz que há na voz e escutar teu canto pelas minhas argilas lido
Minhas placas de alabastro esculpidas no estilete do rigor de tua ordem.

Quando a Lua cheia de teu nome transforma o sonho em vida real o rio
Devolve ao céu a tua silhueta de alambre e ambrosia que nele mais és
Mais ondulas e abrilhantas espigas e cintilas nas verdes folhas da hera
Essa que teceu a rede onde foram aprisionados os titãs primitivos infiéis
Masmorra dos descrentes a quem nunca será dada honra de argonauta
Nunca poderão negociar nem viajar entre o céu e a terra nem venerar-Te
Mesmo que suas raízes nasçam nos témenos que sejam tua propriedade
Pois nunca delas a flor brotará nem o ciciado murmúrio das ocarinas
Eflúvios chamamentos suspirados entre sonhos do mel apreciado bebo
Sorvo lânguido do bocal sobre o qual antes teus lábios disseram prece
E nada fica agora que obstrua a cristalina seiva do ser no libado vigor.

Estrela Inanna ladeia teu sucumbir perante a luz de Arina se amanhece
Porém não há batalhas divinas mas respeito e contemplação ordenada
Que quando Arina elucida todas e todos, ar, fogo, terra, água obedece
E lúcida é a alma que sabe e reconhece ser seu mister e a quem pertence
A voz rasga os véus e sopra vontades aos ouvidos acautelados e fiéis
Que ao oficio de dizer é inerente o acto se a fala no nome apenas se exala
E inala Inanna os eflúvios do meu pote enquanto espero se Shara chama.

A chama que é Shara e aquece o Lar pernoita também quando Arina dita
Sua cor aos quatro cantos do mundo pois o canto é luz de quem acredita.