quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Rumo?

(Rabisco - por Luiza Maciel Nogueira)


1.
a palavra exata
não existe
fora dos teus olhos
por isso
calo demais
qualquer som



2.
não existes
não ressoas
não me tens
então vou embora
fazer silêncio
em outra senda
sem ti meu bem


3.
prá que trovejo
se nem mesmo sinta
qualquer coisa
(aqui)
sem senda ouvi
"vá por ali"


4.
é tanto
fingimento
que cansei
de declarar
que minto
(só pra mim)



5.
me deparei
com o nada
e aí?
descobri que
é algo
e vibra
mesmo que seja
nada
algo existe
(aí)


6.
voa
e pronto
deixa-me
(aqui)


7.
não importa
continuo
rebelde
sem rumo
na minha
só e sedenta
de um sorriso
mínimo
que seja

5 comentários:

VASCODAGAMA disse...

Entrei no seu cantinho
e amei


VOU VOLTAR

Tania regina Contreiras disse...

Mesmo o nada tremula, sob o sentir poético!
Abraços,

Tania regina Contreiras disse...

Mesmo o nada tremula, sob o sentir poético!
Abraços,

Assis Freitas disse...

fazer silêncio é muito bom alternado com uns nadas,

beijo

j maria castanho disse...

palavra: pão da alma, numa
constelação sem remorso

"O persa – tão zeloso em rejeitar
Imagem e altar e as paredes e os tetos
Dos templos construídos pelo homem –
Cavalgando os altos píncaros dos montes,
A lua e as estrelas adorava
E os ventos e a matéria primitiva
E todo o firmamento, eram para ele
Ao mesmo tempo Deus e natureza."

Wordsworth


Quando pouco a pouco mergulho meus dedos no teu cabelo
Água cigana de rebentar em cachos à tona do verbo a tez
Cingido diadema da voz distante cintila e desenrola o novelo
Da fala, eis a luz, aqui a chama, a onda sobre a areia se desfez
Além o gesto nos lábios acesos de dizer o nome Era Uma Vez
O Sonho que esperava à porta mas uma janela porém se abria
E sem bater entrava enquanto à solta de tanto bater o coração
Partia, e nas asas do serão, a terna noite murmurava Bom dia!...


Quando assim era, dispersa a alma sôfrega à desfilada acendia
Nos requebros tónica irregular da marcha à volta deste castelo
E guebro me chamavam, parsis do fogo que do alto do monte
A voz ao céu lançava tendo por único templo todo o universo
Devoção ao eu superior cujas filhas soberanas da delta fronde
Souberam, e ainda sabem, ascender por seus raios se o reverso
Da vida se mostra à sua ínclita face ou a insana febre defronte
Infiel à pureza singular, honestidade e benevolência ordenadas
Com que a regra se exige a quem erga as palmas bem cruzadas.

Divindade do fogo, cor da energia tomada em seu supremo ser
Aceno secreto A deus revisita angelas formas e te penetro fala
Que dizer é acender o nome até nele gerar o grito que não cala
Depor-se na argila dos píncaros zoroastros e luz até o céu ferver
Reunindo em si fogo, ar, água e terra com que de si a si se gera
Espelho circular cujo brilho encerra a palavra é assim tida vera
Se verdadeira e única explicar todo o firmamento duma só vez
Que ao resto do mundo natureza e divindades igualmente serão
Pondo caminho de luz a rasgar o breu se o céu tremeu azul e pez
Até este aquecer ao forno em que cozer da alma seu próprio pão...

Sim, conta-me outra vez, como foi que Pitágoras fez aquele dez
Nascer somando os primitivos quatro números (um, dois, três
E quatro) e nele resumiu o sistema solar por quantos planetas são
Nove ao todo, zero, enfim, que de tudo é princípio e também fim
Sinal de ligação, alvo, núcleo de célula e protoplasma, íris e visão
Sopro de Gês que serpenteia e abraça ovos de Fénix e Querubim
E exala do ninho de nardos, mirra e cinamomo a chama derradeira
Também primeira a iluminar a vida sendo-lhe margem e fronteira.

Conta-me, para que nunca o esqueçamos, seu voo até Heliópolis
E como as demais aves fizeram cortejo real em seu redor e do Sol
E com ouro, incenso e mirra exéquias a seu pai cumpriram gentis
Em Tebas assim o Egipto renasceu esplendor no ledo e fértil atol
Imperial como antes e próspero com plumas de ouro e carmesins.

Conta-me, que não renego meu ser guebro no seio e luz dos parsis!