quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tempo enfim

Exercício de criação 2 proposto pelo poeta do Gambiarra Literária:


Tictac
das flores não sei
das moscas te dei
rodopiam até no lixo
que não sei
que prefiro esquecer
pois já me esqueceste
e eu perdi o tempo
os presentes
eu: a mosca no lixo

das flores e do jardim
já a cegueira de novo
e de novo
o não encontro

e tu
amor que não me é
tempo sem volta
ternura sem fim
abandonei enfim
porque sei lá
não me tens
mas rodopio
mesmo assim
sem ti
sem mim

porque não sei
talvez finjo
para esquecer
que dói
toda mudez
jamais...
dingdong

4 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Parabéns, Luiza.
Escravos do tempo, quebramos os relógios e vivemos à procura dos cacos. Difícil tarefa falar do tempo. Eixo existencial. Tão grave que me calo.
Um beijo.

Assis Freitas disse...

quanto tempo de nós é intenso ou vento,

beijo

Ribeiro Pedreira disse...

no lixo inerte e silente, a mosca se alimenta, produz e reproduz em inquietos rodopios na tentativa de esquecer o amor que não lhe parece.

Leticia Brito disse...

O silêncio mudo das horas passadas e não esquecidas sempre vai doer.
Excelente poema, Luiza, parabéns.