Música!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cecília Meireles

(Jardim de luz - por Luiza Maciel Nogueira)



"Para onde é que vão os versos"

"Para onde é que vão os versos
que às vezes passam por mim
como pássaros libertos?

Deixo-os passar sem captura,
vejo-os seguirem pelo ar
- um outro ar, de outros jardins...

Aonde irão? A que criaturas
se destinam, que os alcançam
para os possuir e amestrar?

De onde vêm? Quem os projeta
como translúcidas setas?
E eu, por que os deixo passar,

como alheias esperanças?"




Ah Cecília!

Essas esperanças que esperam
pela nossa dança!

Tanta chuva já inicia nos olhos
e tudo pelo sorriso, tudo pela dança
do instante mais bonito...

ainda que o tempo passe
todo verso permanece intacto.
A poesia brinca de eternidade.

A beleza um presente infinito...
assim como teu sorriso!




E assim Cecília pensei que os versos vão até o infinito de cada olhar, quando o enquanto encontra o agora...ou seria loucura afirmar tamanha barbaridade? Que o verso voa pelos ares sem morada nem destino, sem resposta nem mistério.  Apenas voa...apenas. Sabe-se lá para onde...




quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Poema de pouco amor

(Praia do Mar Casado - por Luiza Maciel Nogueira)


procuro um poema simples
que case com areia e mar

no encontro das ondas
nos olhos vibre a palavra
vezes seguidas sem conta
no silêncio de um verso
de tão pouco amor

 





quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Adiante

(Pássaros a voar - por Luiza Maciel Nogueira)




voe em outra senda
vá longe

(bem longe)

até que a distância
se torne proximidade
e então voe
ainda mais longe
porque amor
o tempo não espera
a gente voltar
então voe e voe

(além mar)







Haicais de pouso

(pássaros nos fios - por Luiza M.N.)



(já nada)
nada nas mãos
vento já não balança
nas tardes findas


(mudez)
pássaros nos fios
silenciam o canto
para depois


(esperar a dança)
após o sonho
criam-se outros sonhos
de esperança



(cansaço)
cansaço solar
uns dias no escuro
a lacrimejar



(suspiro)
já não resulta
fingir custa bem caro
deixa-me partir



(simples)
na escuridão
pela mínima luz
é fácil sorrir



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

(...)

(Restos - por Luiza Maciel Nogueira)



arte que vale a pena
faz amor
nos olhos, nos ouvidos,
em todos os sentidos
de qualquer jeito

(e foda-se...)







quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Da cor de Lara*

("Azul escuro com um toque de laranja" - por Luiza M. Nogueira)



o horizonte já indica
a poesia, lá vem ela
seus contornos azuis
com toques leves de laranja
a paisagem é tão bela
chamas olhares pela tela
traduz sensibilidade tamanha
em versos da breve vida
vida leve

nascia o sol no azul
o escuro do mar cobria a boca
lar de cada pedaço do céu 
todo vento ensina amar




*Com carinho para a poetisa Lara Amaral
que dedico esse desenho e esse poema!



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Aos Palhaços


(Palhaço - por Luiza M. Nogueira)



Pelos olhos e pelos sorrisos,
uns palhaços me disseram:

- Sorria, que a vida
é um circo de poesia!




para os www.psicologosdotransito.org
que me abriram um sorriso no meio do trânsito
em plena segunda-feira

 
*

Emily Dickinson





"By homely gift and hindered Words
The human heart is told
Of Nothing - "Nothing" is the force
That renovates the World -"

Emily Dickinson



Pela morada presente e por Palavras silêncios
Ao coração humano é dito
Do “Nada” – o “Nada” é a força
Que renova o Mundo –

(tradução própria)


terça-feira, 14 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tempo leva

(Árvore da noite - por Luiza M. Nogueira)


a essa altura já percebeste  
a noite que diga: as estrelas brilham
as árvores dançam atentas
ao pormenor de cada brisa

a essa altura já devias sentir 
o tempo passar, das lembranças
poder sorrir dos seus mistérios

o futuro virá de qualquer modo
e o amor não importa
tanto assim quando fere

o que basta quando tudo silencia
quando somos muito ou pouco
um para o outro enquanto
ainda o desencontro
não nos abre uma porta
para o infinito nos levar

domingo, 12 de setembro de 2010

Faz tanto tempo...

(Casal sombra - por Luiza Maciel Nogueira)




não sei te dizer
não sei
o silêncio que nos diga
através do canto

(só não espere tanto)

é que não sei

(e dói tanto)







sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Poema picareta

(Vinho - por Luiza Maciel Nogueira)



sonho na mão
um café para a solidão
embriagarmos até o fim
vai e vem, vem e vai
ali e aqui, aqui e ali
nem aí!
e pergunto
qual quê?






quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Água rara III*

(Chuva - por Luiza Maciel Nogueira)



1.

sussurros na mata
adiam o anúncio da chuva
trazem a lágrima do céu azul
brisa gentil, doce perfume
a paisagem seduz os olhos
de água rara, saudosas gotas
o céu cinzento perpassa o tempo


(oceanos ecoam) 



2.

o tempo passa
mas o amor perma
nece
sempre em quem ama
é que a beleza
quando toca é infinda
e o instante carece de ternura
quando os olhos se perdem
no cansaço de uma espera



3.

(água amor)

a raridade de uma gota
envolta de amor

oceanos de desejos
que se desmancham 

mares de esperas
que se cansam

ondas e ondas
de amor






* a série água rara é influência de Vinicius de Moraes e todos os poemas intitulados de "água rara" e os desenhos de gotas é uma homenagem ao grande poeta que canta “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor, brilha tranqüila Depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor.”!




sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Oferenda

(Jardins na pele - por Luiza Maciel Nogueira)



silêncio amor
deixa que tudo tem seu encaixe
do que é vivo e vibra

revolvi a música
nesse pedaço de inocência
papel alado em branco
o perfume da essência

miragens amor
paisagens, versos, sonetos
na pele do desejo




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lar

(Maré e floresta - por Luiza Maciel Nogueira)




versos incrustados na pele
sussurros adiados na espera
o corpo revestido de alma 
onde o lar do paraíso vibra
nos desejos da pele despida
essência, lume e som

(o silêncio ora em nós)







A Poesia de Úrsula Avner

todos os versos escritos pela poetisa Úrsula Avner
me sinto honrada de poder ilustrar algumas das suas lindas poesias!





(Rochas no mar - por Luiza Maciel Nogueira)


*Poema (re) visitado*

"percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúdeo mar esbravejar
e lanço rimas ao ar


alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam


visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar"




(por Luiza Maciel Nogueira)


*Fuga*

"menina sonhou que podia voar
passarinho quis lhe ensinar
conversa vai conversa vem
menina entendeu tudo bem
na hora de alçar o voo
menina não quis tentar
em vez de aprender a voar
menina correu para o mar"

 




*Dançante*

"poesia
vestida de flor
brinca de aveludar
meus sentidos
aguça os ouvidos
quando ouço
canto de beija-flor"




escrito por Úrsula Avner