Música!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Voz

Toda palavra tem seu limite. Eu queria amor era através do silêncio superar todas as barreiras, mas também o silêncio tem seu limite que o nada infinito por ser livre demais, prende através da ferida.

Às vezes é preciso uma palavra apenas que dê início ao horizonte, mas te digo em segredo que as minhas esperanças tinham exaurido quase completamente diante do nada...cheguei a pensar que nunca mais voltaria essa voz que insiste em escrever para um ti, um ti sem destino, um ti desconhecido. Senti por instantes que seria o fim, sem mais os recomeços que me acompanhavam, apenas banhado à tristeza, multiplicando cada vez mais a perda desses poemas diários que "passam por nós e não vão sós"...

e assim compreendi, é preciso não ter nada para dizer para escrever, que só assim se diz do nada, o nada que dá margem a tudo e desse tudo eleger apenas uma gota, um pequeno poema que nos toque. Nos versos poder dizer da lágrima que toca quando a nota do tempo se esvai.

Calma. Escuta, o tempo também volta na lembrança. A lembrança também passa quando o sentido falece. O sentido é sem sentido. Por vezes o sentido é o encontro. E é preciso haver desencontros para se encontrar. Vês, é tudo é uma questão de tempo...

Já tinha saudades tuas, desse ti sem destino. Tomara que um dia nos encontremos na dança, nem que seja apenas por segundos, para um poema poder nascer em nós...



( por LuizaMN)

10 comentários:

Assis Freitas disse...

que se faça o poema e se dê voz, a vós


beijo

Zélia Guardiano disse...

Belíssimo, Luiza!
Tens palavra mágicas que retiras de dentro da cartola...
Grande abraço e beijinhos.

Ana disse...

Lindo Lú!!

beijoka

Marcantonio disse...

As palavras têm limites. Mas aqui elas os forçam na tentativa de alargá-los. E consegue no belo penúltimo parágrafo! Calma. Escuta...

Beijo, Luiza.

Vanessa Souza Moraes disse...

Paciência também tem limite :)

Luiza Maciel Nogueira disse...

Vanessa: realmente paciência tem limite, mas aqui se fala de uma voz a quem não existe, mas que está em todos ao mesmo tempo, ninguém específico...

dade amorim disse...

Um texto bonito e eloquente, Luiza.

Um beijo pra você.

AC disse...

Que alma, Luiza!
Leio, releio e desta vez sou eu que fico no silêncio...

Beijo :)

meninavelha disse...

tentei te seguir e o link está corrompido, ......
beijos

Ribeiro Pedreira disse...

a voz surge dos menos esperados recantos. e se faz o poema...
bjs!