Música!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Errante, demasiado humano


- Lembra que...

- Não comece, por favor Helena nem comece. Finge que meus olhos não te viram, que não estou e que nunca fui te ver. É preferível que nos esqueçamos de tudo que nos faz sofrer para abrirmos a porta para a felicidade. Ame quem te ama. Esqueça das boas ações, de amar sem pedir nada em troca. Esqueça! Ame quem te ama. E ponto, pare de querer fazer as pessoas felizes, amar quem não te corresponde. Em primeiro lugar é você! Depois? Depois sim, os outros...


- Lembra do conto de Rubem Alves "Ostra feliz não faz pérola". Eu sempre achei a felicidade fútil - quer dizer enquanto bilhões de pessoas estão miseráveis eu me considero feliz? Mas tudo bem Otávio, dessa vez vou tentar... apesar do que eu sempre achei a "felicidade" uma forma de fingimento, um ideal inalcançável criado pela sociedade, uma fuga da dor. Mas prometo que vou tentar, começar com isso de ser feliz sem pré conceitos...depois te conto se valeu a pena ter renunciado à pérola...





domingo, 28 de novembro de 2010

"Brilho"

(ilustração por Luiza Maciel Nogueira)


"As palavras ganham vida e chegam, até ti, envoltas em manto de ternura, roçando suavemente a pele e amainando a inquietação do vento forte. Preciosas são essas palavras, que insinuam o cenário do apaziguamento. Pois eu digo-te que as cuides, que as mimes. Vais ver que, quando partires, elas já farão parte de ti. Não, o mundo não te fará reverência. Mas, se reparares, irá admirar a convicção no brilho do teu olhar."


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Diálogo do íntimo


(Orquídeas por Luiza Maciel Nogueira)



tens razão coração
pare de transbordar palavras
escuta um pouco desse silêncio
de flor no vaso, de moscas a rodopiar
do céu em grito azul




domingo, 21 de novembro de 2010

Poema de brevidades

(por Luiza Maciel Nogueira)



gotas arrebentam nas ondas do tempo

o mar aparenta a vivacidade do mundo
movimenta ondulante em ritmo profundo

enquanto o sol escalda o horizonte
os olhos brilham nas rochas, no mar em reflexo solar

em lágrimas tudo gira quando o vento emudece
uma música suave de amor breve



sábado, 20 de novembro de 2010

Os 3 mundos

(por Luiza Maciel Nogueira)



(a rosa maior
beija o universo
enquanto a
pequena rosa
tenta se esconder)

o outro mundo
simplesmente gira
esse mundo
quer voar na música
dentro da poesia
aquele mundo
do olhar como flor
assusta
é tempo de se esconder




quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poema sobre poema

 
(por Luiza MN)



Os poemas são como o vento.
Vão e vem pelas nossas mentes.
Passam pelos nossos corações.
Sem rumo aparente.

As vezes como um vento frio do inverno
trazendo introspecção,
cortando nossos corações,
refletindo sobre a razão.

As vezes como um brisa acolhedora da primavera
acalentando nossos inquietos corações,
trazendo esperança
e boas sensações.

Também pode ser
como as tormentas de verão
forte, imprevisível,
sacudindo nossas emoções.

Por isso eu digo
não me pergunte como será o próximo
pois assim como o vento
os poemas são imprevisíveis.



escrito por Renato Nogueira



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Do distante

(por Luiza MN)


não quero me despedir
do sorriso
que não faço parte
do olhar
que não me contém
do que não me é

e que mesmo assim
pela presença que toca
agradeço

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Rosa

(Mulher por Luiza MN)



gotas de chuva na pele
o perfume da flor
e um pássaro na garoa voa

tanta gota cai
quando a nota voa

a mulher é pássaro
que se esquiva da dor
enquanto cheira a rosa
para esquecer o amor



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Afago

(Rosa por Luiza Maciel Nogueira)



já agora resta
apenas um sorriso
de ternura breve e leve
por todos os amores,
pelo grande amor,
por uma flor, pela chuva,
pelo vento,

(pelo tempo...)




domingo, 14 de novembro de 2010

"DIÁLOGO DO DESCONHECIDO"

(por Luiza MN)

"- Posso dizer tudo?
- Pode.
- Você compreenderia?
- Compreenderia. Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e - por ser um campo virgem - está livre de pré-conceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade."

Clarice Lispector
in: "A descoberta do mundo"




(por Luiza MN)


"O QUE É ANGÚSTIA"

"Um rapaz fez-me essa pergunta difícil de ser respondida. Pois depende do angustiado. Para alguns incautos, inclusive, é palavra qua se orgulham de pronunciar como se com ela subissem de categoria - o que também é uma forma de angústia.
Angústia pode ser não ter esperança na esperança. Ou conformar-se sem se resignar. Ou não se confessar nem a si próprio. Ou não ser o que realmente se é, e nunca se é. Angústia pode ser o desamparo de estar vivo. Pode ser também não ter coragem de ter angústia - e a fuga é outra angústia. Mas angústia faz parte: o que é vivo, por ser vivo, se contrái.
Esse mesmo rapaz perguntou-me: você não acha que há um vazio sinistro em tudo? Há sim. Enquanto se espera que o coração entenda."


 Clarice Lispector
in: "A descoberta do mundo"



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cidadezinha

(Cidadezinha por Luiza Maciel Nogueira)


Na noite estrelada as luzes que brilham em cada lar. É indício de vida, indício de alma. Ao olhar o horizonte negro, o céu cinza escuro e as pequenas luzes penso numa cidade de estrelas...

Vida nova, vida breve, vida vivida pela boca usufruída em goles de gotas, em sonhos leves. Quanta vida, quanto sonho - se cada luz pudesse ser um multi-verso, um infini-verso (verso sem fim) e é em ternura atenta, verso raro no olhar embebido.

Em cada luzinha mora um sonho, esperança de ser encontro. Desmancha no silêncio o verso, captado em um segundo breve - pela lente do encontro. Não sei. Fingimos que compreendemos um tanto, mas é tão mínimo o que fica. Só o quanto se aguenta do mundo. Só o quanto se permite sentir...tudo o mais vibra em oração plena. 

Um multiverso cheio de nuances que em cada luz vibra o encontro.

A vida continua. A vida, os encontros, as ternuras...

As luzes da cidade quando anoitece...é que em cada luzinha mora alguém - um multiverso, um universo, uma alma. E é preciso saber o manto negro também abriga versos de escuridão...

Em toda parte a poesia respira silêncios...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"Azul-àLaranjado" por LARAMARAL

(Laramaral por Luiza MN)



"Neste anil que me é navegável
E passa molhando meus pés
Fico a ver jangadas translúcidas

Nesta fruta cítrica que furta a cor
De réstias de sol exausto
Lanço chamas em nuvens brandas

Faze de mim mais uma réstia
Montanhosa de seu horizonte
Que perde qualquer vista
Preta e branca

Para eu esculpir seus traços
Na minha mistura aquarelada
Que reafirmo enquanto durmo
Para vivê-la assim que sonho
Acordada"



Escrito por LARAMARAL

Nas nuvens

(por Luiza MN)



por um tempo andarei nas nuvens
mas quando cair é adeus felicidade
bom dia tristeza
depois é tempestade pois choveu
e eu sei tantas lágrimas no céu




terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema escuro

(por Luiza Maciel Nogueira)


o mato é preto
o pôr do sol avermelhado
nada mais é fadado

a luz do mundo de ninguém
é de todo mundo
vida que entra, também sai


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Eu amo à bruta" - Cadernos de Luísa

(ilustração1 para "Cadernos de Luísa" por Luiza M.N.)


"Minha amiga, você é alguém que ama. E eu aprendo com você. Ai dos que não sabem. Porque já dizia Vinícius: “A vida só se dá pra quem se deu” – diz Érica, enquanto jantam em um restaurante perto da faculdade.

- Aprende comigo? – Luísa ri com vontade. - Aprenda a amar sofrendo menos. Aprenda de uma forma mais leve, Érica. Eu amo "à bruta", como escreveu a Inês Pedrosa. Não sou nada tranquila nesta arte... Não tenho grande domínio do que sinto.

- Aprendo sim, e muito! Saiba que adoro os de bílis negra... Nada de moleza!

- Sim, nada de moleza – repete Luísa, com menos entusiasmo”. "




(Cadernos de Luísa,
escrito por Vanessa Souza Moraes
)

http://vemcaluisa.blogspot.com/

domingo, 7 de novembro de 2010

Poetas que presenteiam os meus desenhos com suas belas poesias

(por Luiza Maciel Nogueira)

EPIGRAMA

"Marta, para todas as horas possíveis o amor.
Assim o ciclo remissivo das estações
traz à primavera a esperança em flor."


Escrito por Hilton Valeriano







(Jardim de luz - por Luiza MN)

* do que está velado *

"não sei
do mistério
da folha
da sombra
do vento

ao andar
entre esporas
do tempo
entendi de
perscrutar
o véu sobre
tua face
paradoxalmente
rijo e transparente

não te desvendei
te guardei segredo
jardim fechado
te tranquei
no silêncio
do almoxarifado"


Escrito por Úrsula Avner

sábado, 6 de novembro de 2010

Muito feliz com os convites aceitos!! - Versos: o encontro dos olhos

(imagem por LuizaMN)



"ela era estrela
ele era sol
se tocavam brevemente quando pássaros voavam"

escrito por Fabio Rocha






“estrelas
são pássaros de sol
tatuadas
na pele da noite
quando o céu é azul”


Escrito por Ribeiro Pedreira



 



"Lições..."

(... ) atração magnética ia muito além das aulas do colégio. A presença dela o paralisava. E ele queria desenhar todo seu futuro, juntos, a partir dali. Mediu as possibilidades; calculou os erros; considerou o horóscopo, cor da roupa, pernas cruzadas, olhar de soslaio, direção do vento e calou insegurança. Se tal silêncio nos afasta, qual palavra nos aproxima? E decidiu arriscar um "oi!".

Escrito por Guilherme C. Antunes




 


"Encontros, (des)encontros e (re)encontros - fé em dias mais amanhecidos "

" - Engraçado, eu nunca havia acreditado muito em breves encontros que mudam uma vida - divaga Luísa.
- Para mudar uma vida, tem que ter encontro. E eles começam pequenos, porque o começo é assim, é começo, nem meio nem fim, mas já é a ponta da linha que se arrasta - diz Bê".

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)

***
escrito por Vanessa Souza Moraes





Versos de pele: o sol e a noite

o olhar já não se distingue da pele
o sol faz luzir a noite
estrelada pela escuridão profunda
no destino da boca cessa o céu
enquanto o sol ainda aquece
a noite viva do olhar


escrito por Luiza Maciel Nogueira

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Encontros, (des)encontros e (re)encontros - fé em dias mais amanhecidos

(imagem por Luiza MN)



" - Engraçado, eu nunca havia acreditado muito em breves encontros que mudam uma vida - divaga Luísa.
- Para mudar uma vida, tem que ter encontro. E eles começam pequenos, porque o começo é assim, é começo, nem meio nem fim, mas já é a ponta da linha que se arrasta - diz Bê".

(Cadernos de Luísa, Vanessa Souza Moraes)

***

escrito por Vanessa Souza Moraes







terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tempo tempestade

(por Luiza Maciel Nogueira) 




lar doce início durante a chuva
gotas repercutem no mar
tempestades de nuvens cinzas
ventania sem parar
pingos, luzes e o anoitecer
luar segue o tempo



(por Luiza Maciel Nogueira)




Olhar primeiro

Exercício de criação 4 proposto pelo Gambiarra Literária


Tanta coisa insiste em chamar os olhos. É quase como um grito ou uma ferida prestes a doer, mas ainda não dói. Ainda não. É início, novidade, louvor. Na janela: lá fora canta a ventania fina – meus olhos não vêem, mas o coração sente. Como os livros que jazem na estante a espera de serem devorados um por um – quem sabe um dia. Ah, essa parede branca à frente e a vontade de passar um pincel em tudo. Os pássaros cantam sempre atrás da porta, depois do muro – o mesmo muro de jasmins, lembra?

A amplitude do quarto me aflige, a brancura oferece a vontade de pintar e inventar. Os lápis ao lado me chamam e tudo que vejo passar é o pouco que fica no traço do mar. Não sei, mas é um chamado sempre ao novo e só sei que se vale a pena se espalhará cada vez mais.

Os pássaros ainda cantam, um Bem-te-vi e depois abro a janela para escutar melhor. A oração da vida deve ser essa: o cantarolar dos pássaros junto com o chiar da ventania. O trânsito lá fora é o mesmo cá dentro. Agora tudo se mistura loucamente e as coisas do quarto parecem que repousam numa paz profunda. Aqui só sinto uma tempestade sem fim querendo sair em tintas e mais tintas. Talvez o que repouse seja infinitamente mais sábio...





Rastros


(por Luiza Maciel Nogueira)



1. o caminho inicia quando em cada passo
surge uma nota que toca até o topo
e se multiplica enquanto segue rumo



2. notas nos pés
indicam o caminho
a seguir o canto
dos pássaros


3. toda nota
um dia foi passo
todo caminho
é feito de notas


4. o silêncio carrega  
uma pausa breve
entre as notas

só o silêncio
aprende a criar a nota
que da terra surge
e é gestada
multiplicando-se


5. quem quiser faça
do silêncio ou do som
sua cidade


6. poema bonito
pode ser torto
mal amado
e agredido?

ah, pode
o poema tudo pode


7. sete mini poemas
sujos
doem os olhos

mas o poema tudo pode
e isso basta
para tudo ser lindo










segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Réstia de luz

(por Luiza Maciel Nogueira)


Quisera naquele tempo ter dito que aquilo que rondava os nossos olhos era o próprio desejo: adormecia um poema.


Luzia nos olhos um poema adormecido, uma gota de esperança. E esse era todo o mistério a espera da dança, tão já a nutrir a semente de um encontro.

Como se não bastassem as palavras todas para dizer, o silêncio nos consumia e nós sorvíamos a réstia do tempo.


Pudera de repente multiplicar todas as sementes para semear esperanças sem futuro, todas presentes numa lágrima de luz. Apenas isso: luzia nos olhos uma lágrima de luz. Não me pergunte porque, é a prece do tempo amor e no tempo flui uma ventania onde escuta-se música...as notas do amor.

Certas coisas são isentas de explicação...e por favor não confunda palavras com verdade - é mentira - uma forma de querer tocar o nada, a réstia do tempo. Uma maneira insana de querer traduzir o tempo.


Sim, as palavras escondem a verdade, a saudade, iludem e não acredite amor. Duvide de tudo que não lhe toca. Duvide principalmente do que não te faz luzir os olhos.