Música!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Olhar primeiro

Exercício de criação 4 proposto pelo Gambiarra Literária


Tanta coisa insiste em chamar os olhos. É quase como um grito ou uma ferida prestes a doer, mas ainda não dói. Ainda não. É início, novidade, louvor. Na janela: lá fora canta a ventania fina – meus olhos não vêem, mas o coração sente. Como os livros que jazem na estante a espera de serem devorados um por um – quem sabe um dia. Ah, essa parede branca à frente e a vontade de passar um pincel em tudo. Os pássaros cantam sempre atrás da porta, depois do muro – o mesmo muro de jasmins, lembra?

A amplitude do quarto me aflige, a brancura oferece a vontade de pintar e inventar. Os lápis ao lado me chamam e tudo que vejo passar é o pouco que fica no traço do mar. Não sei, mas é um chamado sempre ao novo e só sei que se vale a pena se espalhará cada vez mais.

Os pássaros ainda cantam, um Bem-te-vi e depois abro a janela para escutar melhor. A oração da vida deve ser essa: o cantarolar dos pássaros junto com o chiar da ventania. O trânsito lá fora é o mesmo cá dentro. Agora tudo se mistura loucamente e as coisas do quarto parecem que repousam numa paz profunda. Aqui só sinto uma tempestade sem fim querendo sair em tintas e mais tintas. Talvez o que repouse seja infinitamente mais sábio...





3 comentários:

Zélia Guardiano disse...

Ah, Luiza querida...
O desejo de criar: tudo é letra, tudo é palavra, tudo é óleo, tudo é acrílico: sépia, alizarim, rosa-antigo...(rs...Vou aproveitar este modesto comentário para uns versinhos: rimou, né? rs...)
Mas, voltando ao seu lindo texto: é a ânsia pela criação, não é?
Identifiquei-me profundamente!
Com que alegria assinaria embaixo...
Enorme abraço, amiga!

Assis Freitas disse...

a sede da criação, beira de fonte


beijo

Ana disse...

as vezes eu também tenho essa vontade, mas a minha é de jogar tudo pra alto pra ver se cai ahahaha, beijo.