Música!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio VIII

descansa teus lábios
no seio da terra
que nosso silêncio
ainda não cessa


(Luiza Maciel)




no seio da terra
descansa meus lábios
que neste silêncio
amanhã recomeça



(Celso Mendes)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Fragmento


urge a mensagem das conchas
nos ouvidos
um silêncio sereno em suspensão
nos mares das ondas nos olhos
em contraste o caos do peito
que não sossega
vibra incessantemente
como súbita fragmentação















(2008)

Fragmento mínimo

explodir em verso 
na inquietação insone 
do silêncio sem fim 


feito coração 
no esforço de espalhar
fragmentos de si




Fragmento sem perdão



te cobri de pássaros, música e ternura 
te vi com os olhos nús na essência dos sóis 
quando tombam no prazer do horizonte 
e se revoltam em arco-íris e nuvens 
em sombras e raios de luzes 
na revoada fina de um afeto sem fim






Fragmento perdido no tempo


Se te disser que não entendo
como teus olhos chovem,
como brilham quando sonham
no sumiço das malícias...
e te enxergo criança no parque a sorrir 
apenas inocente.

Depois recordo do tempo perdido
em desconfianças.
Desconfiava que teu sorriso
um dia pudesse matar toda minha solidão
que tinha na palma da mão.
E isso era tão real quanto aquela canção
perdida no tempo, nunca encontrada
jamais confessada somente engasgada
cruelmente fadada em silêncio
como forma de oração.


Fragmento de ternura





I.
tua pele
abriga meu corpo
teus braços
em abraço
irradia


II.
beijo
tua pálpebra
cansada
no fundo
dos teus olhos
úmidos
de orvalho
inspiro sol


III.
tuas mãos
atingem o toque
das esferas em brio


IV.
quem dera
plantar sementes
no fundo dos teus olhos



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio VII




enquanto buscava
por uma música para sussurrar
nos teus ouvidos,
tão logo ainda já diga adeus
a canção nunca feita para ti
mora em algum lugar de mim
silenciosa, vibra por aqui
e quase a escuto
e quase te digo...



Revoada


de asas abertas 
e acordes soltos
é a morada dos pássaros

há um susto no sussurro
dos repentes das asas 
em vôo brando

sementes se espalham
enquanto giram os sóis
dos teus lábios

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poetássaro


(para Eugenio Sorel)


o sorriso do palhaço
faz caminho onde a poesia mora
e as crianças riem soltas
quando dançam sob teus olhos
dançarinas atingem o brio
quando lançam cometas
em truques de mágica,
no teu verso equilibrista
em palavra contorcionista
de poema voador

(Mia Alari)

veja o amigo secreto inteiro em:
http://tremdalira.blogspot.com/



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio VI



algo sussurra 
infinitamente
como se quisesse 
desafiar o tempo
em salto repentino
e nos chegasse
ternamente nos ouvidos
a doce oração da terra

mas humanos que somos,
não a escutamos...


Pássaros em ondas sonoras

sábado, 10 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio V

algo amanhece 
e anoitece em nós 
algo não sei o quê, 
que de repente 
aparece, desaparece 
como ciclo súbito 
de sóis, luas, caminhos 
e toda uma constelação 
imersa em caos 
e embebida de mistério...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio III


indício de chuva
nos olhos fere o tempo

indefinível o traço
dos versos como orvalho
que pousam nas pétalas

e não agridem a asa 
da (p)rosa



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sobre algum silêncio II

a poesia sussurra 


goteja lembranças


circunscreve em cais


umedece os lábios


dança com pássaros


nas beiradas da pele




.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Da palavra que se constrói







Os jasmins, lírios,  
ou até flores da violência 
que hoje regas
um dia crescerão sob o céu
claro ou escuro
crescerão um dia
revelando seu perfume
sob as mãos, nas narinas


e até o que inspiras
dizem que é escolha:
tua










terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poema fu****




aparece um anseio da flor

no canto da pétala que jamais olho

preferia fechar a pálpebra
para aliviar a dor

nunca ouviste, estranho
construí uma peça com roteiro
desenho na memória
e quem era o culpado 
morreu!

Restaram os cúmplices,
Eu!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Rio negro


(Arte de Marcantonio Costa - Melancolia)


 um risco nos olhos
com reminiscências 
a lágrima quase cai
discretamente
em cada reta
rio negro sem perdão
escurece meus olhos
mar escuro sem fim


*

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Haicais de pássaros de música




glória de pássaros
bagunça a escuridão
em notas luzidias

sonoros entretantos
adivinham a senda
um beijo nos teus olhos

sons percorrem a noite
no céu da pauta 
a música na asa



*

Estou também junto com MIRZE em:

*

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sina



um som 
sob as retinas 
peço ao Sol:
ilumina a partitura 
e faça da ternura 
como meu clima 

que é de espera 
a minha sina



*

Poema sobre interrogações e o enigma homem

I.
O que dizer do silêncio fosco,
do destino cravado aos olhos,
de um grilo noturno sem voz.
Noite sem manto, cega a sina
caos arrojado ao peito.
O que dizer da lança nos lábios
se o canto dos pássaros
não encerra sua poesia,
o que dizer da travessia?

II.
Dizem as paredes 
que a resposta é mínima... 
saberão elas do enigma? 
 no pulsar infinito tremem as portas 
 rangem sobre os cílios 
sussurram sobre o homem: 
- Mais do que temporal, 
você é o Caos!

II.
toda verdade será condenada
à mentira de quem escuta?


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Síncope


(Dona Música - por Luiza Maciel)


Todo ser tem um som
 e exala sua música...



toda música tem seu ser
todo ser dura um instante


que a cada instante 
se inova


em contratempo
o caos alimenta espaços


talvez conceda transmutações
salto quântico!





sábado, 12 de novembro de 2011

A flor e o rio


(Rosa do peito - por Luiza Maciel)


a flor e o rio
o rio e a flor
na história do peito
o rio molha a flor
a flor se afoga no rio




*

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Prece para alargar horizontes mínimos


que o tempo não deixe pó no teu caminho 
e limpe os olhos do cansaço 
deixe apenas uma gota leve e branda 
para sonhar dentro de uma lágrima 
a imperfeição de um sorriso imenso
assim, nada é o que parece
tudo é tanto





segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Haicais da música em si





a orquestra do coração 
sussurra em palpitações 
sons transcedentais 

vibram notas 
sustenidos, bemóis, sóis 
repercutem na pele 

 a multidão que passa 
orquestra em complexidade 
todo som do mundo

no compasso do coração
a música confere vida
a cada batida




(Música, Notas na pele, Orquestras)



(Música, Notas na pele, Orquestras II)


(Música, Notas na pele, Orquestras III)


(Música, Notas na pele, Orquestras IV)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Poema sem título



Já não toco a porta
de quem não me quer dentro.

Já não caio em armadilhas
de lembranças sem perfume.

Eu não! Prefiro as nuvens
que o tempo leva...

Prefiro o gosto inventado
dos pássaros em seus vôos...

Não vês que eu já fui há tempos?
cansei, sorvo apenas gotas de sonhos...

Me deixa em paz!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lá em belos prados

Estive nesse lindo espaço da Mirze que adoro, leiam o poema aqui: http://wwwmeulampejo.blogspot.com/2011/10/das-lagrimas-que-falam.html#links




como também no Projeto PontuAção junto a crianças maravilhosas da professora Vanessahttp://vidraguas.com.br/wordpress/2011/10/26/pontuacao-em-vidraguas-para-encerrar-estrelada-a-noite/





Um poema sobre aquela Nuvem



Aquela nuvem 
me observava atenta 
se pudesse me lia 
e dizia de toda minha transparência 

Aquela nuvem 
até sorriu para mim 
me disse em fragrância de jasmins 
e no sem tempo ela se movia 
beijava minha eternidade 
as coisas por vezes beijam nossa eternidade 
como as folhas que agora ressoam lá fora 
e que também moram cá dentro



Um poema sobre aquela Nuvem II


As nuvens andam tagarelas
conversam comigo
ouço suas estórias
elas também cantam e tocam
em acordes maiores
as mais belas canções
e me contam piadas
e me dizem de suas estradas
que nuvens também caminham
pela sina do azul do céu
e quando se vão
me brota uma saudade
daquela nuvem

o pássaro agora canta
sob o poste da avenida
já agora surge uma nuvem
colorida de cinza
e aos poucos me despeço
que ela vai e dança
com brisa, com o tempo
hoje criei um afeto
por nuvens
as magrelas, as gordinhas,
as quase nuvens e os quase ventos
hoje o céu me fisga

E tu dirias, se visses
que em meus olhos
tem um país só de nuvens
a bailar sob o céu
das minhas retinas
e eu sorriria para ti
um riso lento
cheio de saudade


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A menina das lágrimas

(Pequena III)


a menina que segura lágrimas
verte água em luz, transforma-se em águia
deixa a gota cair e cuida para o sentimento fluir

a menina que segura lágrimas
sabe que a lágrima
um dia pode ser passarinho
a menina invisível que segura lágrimas
faz-se de sombra para enxergar a luz
brinca de esconde-esconde
e de repente se encontra

a menina das lágrimas
tem um pote de gotas d´agua
e quando a lágrima amadurece,
encontra seu repouso sob o céu,
quando chega a hora a menina abre a caixinha
e liberta a multidão dos pássaros
cada qual voa para um lugar diferente
ela tem saudade, mas saudade é uma coisa boa
que lembra que a gente ama alguém
e tem lembranças boas desse encontro
em outra caixinha que compõe a nossa vida

depois a menina das lágrimas 
cessa seu choro e diz
que é preciso voar alto e longe,
colher lágrimas com sorrisos
e cuidar do tempo de cada lágrima,
da música de cada gota
e principalmente do sonho
em cada esperança

poema para Manoel de Barros
que me ensina a sonhar mais alto


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Poema de entrega ou Prece para ser levado ao lar

(Cortinas e bailarina - por Luiza Maciel)


insinuo o passo, curva sinuosa
cabelos ao relento no quase beijo
rodopio em fragrância, desatino 
é corpo de mar em onda

Sóis nas notas da pele
em dança o timbre da luz
percorre ternamente nos olhos
nos contrastes das sombras
embriago a pele

reluz o encontro
em lento desatino
me entrego em deleite

me leva onde a música mora
me leva...



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Haicais do despertar da semente



matizes de nuvens ao vento 
as plantações das margaridas 
e o mundo em movimento 

 a terra abraça as sementes 
gesta a vida, brotam flores 
 contra o céu azul 

pela semente vela 
cada grão de terra 
 e cada gota de chuva 

cada flor, pólem 
em rastros de pó e vendavais
são antes brotos de luz



Assis Freitas:
"quando desperta
a semente avisa
que o solo mina"

Um poema para ti*

(Casal - Luiza Maciel)




qual o teor da verdade 
dos teus lábios? 

o que diz o silêncio 
da tua pele? 

 como cantam os vendavais 
da tua história? 

 nem mesmo tu sabes... 

mas ao menos sentes 
teu coração?




*O "ti" aqui, nesse caso se refere a todos que lerem e a ninguém em específicidade. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Brilho ínfimo



recheio de absurdos 
com cobertura de sonhos 
o aroma do paraíso 

 tens uma galáxia na garganta, 
 milhares de universos parem
em beijos, explosões, asteróides, cometas 
é o caos em ânsia de equilíbro
a espera do nascimento da próxima estrela
como a semente que brota, cresce
expande e multiplica em diversas sementes

faíscas brilham nos olhos teus
dentro de cada esperança 
palpita o coração por ti 




(com um ínfimo pedaço de terra 
se constrói o infinito 
só pelas pontas dos dedos)


terça-feira, 27 de setembro de 2011

O que é o amor afinal?




- Mia?


- Oi?


- Você ainda me ama?


- Depois de tudo, você ainda pergunta se ainda te amo? O que é o amor afinal? 


- Para mim é sorrir quando se tem alguma notícia boa, mínima que seja de ti.


- Então sim, ainda...