sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Poema Fogo


(Chama - por Luiza Maciel Nogueira)
1. Brasa


ardor em flor
brota uma lágrima
de fogo em brasa


2. Chama

o ar queima
dança a labareda
tremeluz
em ritmo profundo
o vento nutre a chama
lâmina luminosa
sorri na escuridão


3. Fumo

irrequieta flama
sopra no ar
o sopro do fim
silvestre lume
fumo espesso
nuvem de desejo
dança ao céu


.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Poema Mar


(Mar III por Luiza Maciel Nogueira)


1. Onda
sopra o vento
toca na pele da água
cede seu vigor
suscita seus mistérios
na fúria do mar
nasce a onda


2. Maré
o sol e a lua
emergem canções
atentamente
o mar escuta
depois recita
os sons da vida


3. Sal
os rios, as rochas
abrigam 
todo sal do mar
se reunem 
para luzir no oceano
o seu amor





Poema Brisa




1. Beijo
ar solar, brisa do mar
o horizonte nasce
quando sobressai o ar 
já rarefeito de tantos sais
o lume na pele
inicia um beijo
de ventania breve


2. Ciclo
inicia o dia 
com um beijo de ventania
embriaga de prazer
o manso vendaval
gira no horizonte
a morada do ar
vai em vem
vem e vai
apenas segue 
sua sina


3. Passagem
ternura em flor
o amor, o toque e o beijo
no tempo tudo isso dura
apenas enquanto
depois passa, flui
deixa que um dia
se vai 
depois serão 
outros ares




escrito em 10/02/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Poema Flor


(Luiza Maciel Nogueira)

1. Pétala
tremeluzia ela
nas mãos
delicada e leve
de silêncios e maciez
a ternura na pele
ao sabor do delírio
arrancava todo fel


2. Espinho
na ânsia das mãos
a lâmina fez o corte
imprescindível
doce delírio
amargo mistério
já com cautela
inebrio a flor
de lento desejo


3. Néctar
depois 
espera pelo gole
o doce suco
da flor do tempo
o ritmo do prazer
em suave delírio
brisa do mar nos olhos
com pálpebras fechadas
o perfume do amor
até a garganta
gotas de luz





Paz


(Alados - por Luiza Maciel Nogueira)




tudo que interessa 
é pousar nas nuvens
sentir a brisa do mar
debruçar os olhos na paisagem
beber a chuva quando ela assim chegar
assistir o nascimento das ondas
dançar com as nuvens
já basta tudo isso
não me interessam guerras
não bebo sangue





sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um beijo no passado


(por Luiza Maciel Nogueira)



- Não adianta, o tempo passa de qualquer modo e aceitei essa realidade. Que tudo passe tão rapidamente quanto for e logo beijarei o passado nos olhos nús.

- Foi, não foi. Talvez tenha ido, talvez já se foi. Nem tudo se vai Mia, algumas coisas permanecem intactas com o tempo...

- O tempo muda tudo Fábio...tudo.

- Não sei Mia, algumas coisas podem passar, mas a lembrança sempre vai existir. E não há como deletá-la, ela é parte da nossa história. É por isso que as vezes permanece.

- Quando recordamos de algo com uma saudade assimilada acho beijamos o passado...aí vemos o que realmente importa nessa vida...não o passado, não as lembranças - mas como nos relacionamos com elas. E daí surge o beijo...um beijo no tempo. Como aquelas coisinhas todas que passaram e nos constituem cada uma de um jeito. Então o melhor é deixá-las assim tal qual coisas lindas para se guardar, às vezes nem tão lindas assim, mas não menos preciosas...

- Vou falar para todo mundo que hoje ganhei um beijo do passado. Vão achar que sou louco...


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Deserto


(Deserto/de 2007 - por Luiza Maciel Nogueira)


Eu já tinha me esquecido dessa pintura feita a guache, ela só existe em foto na internet no meu antigo Flickr - na época eu não guardava os meus rabiscos eu os jogava fora. Nessa altura do campionato eu esqueci a senha do Flickr, eu até tinha deletado a foto no computador - ainda bem que guardei na internet, um dia a gente entende pra que servem essas tecnologias.



Pausa secreta


(Luiza Maciel Nogueira)


o singelo
no olhar do mistério
flor de desejo
em pele acesa

azul de tanto céu
a esperança da luz
no canto da sombra
serena em vão...



escrito em 18/01/2011


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vale


(Rosa para colorir - Luiza Maciel Nogueira)



Quando cresceres vais ver 
o quanto passou desapercebido 
algumas flores que pairavam
no teu jardim.

É preciso regá-las diariamente, 
conhecer o seu perfume
não desperdiçar os olhos
em dissabores e desalinhos,
aproveitar a vida até o fim.

De verdade grande amor
ela passa tão rapidamente
logo mais não se vê
e passou sem nos tocar.

Por isso vale, vale o que vier
quando vier, se um dia vier.
Tudo vale quando vem
e se não vem, já se foi
e se foi também valeu.  

Não há nada que não valha
se respira e sente.
E se não sente,
morreu.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Busca


(Chuva para Vinicius- por Luiza Maciel Nogueira)


Procurei a gota, 
ínfima beleza 
que beija o corpo. 
Essência, lume, 
universo, vida, pó, 
mas um dia ela seca 
ou evapora. 
E então, como não 
dizer adeus? 
Renascer o canto 
sem resquício de mágoa 
ou passado. 

É quase impossível.
(eu sei) 







segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Lya Luft


(Rosa de aquarela II - Luiza Maciel Nogueira)



"DANÇA LENTA

Não somos nem bons nem maus:
somos tristes. Plantados entre chão
e estrelas, lutamos com sangue,
pedras e paus, sonho
e arte.

Nem vida nem morte:
somos lúcida vertigem,
glória e danação. Somos gente:
dura tarefa.
Com sorte, aqui e ali a ternura
faz parte."

por Lya Luft
(Para não dizer adeus, pg31)


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Grão


(Luiza Maciel Nogueira)

após muito sonhar
cheguei a uma conclusão
nada é pra mim
a música é de todos
quem quiser ouvir
a terá sob as mãos
na pele do coração
é assim, não é para mim
o grão sabe ser grão
apenas um
no meio da multidão
e sim, sim
em união




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poética da semente


(árvore vista de cima - por Luiza Maciel Nogueira)





nasceu semente 
de um fruto
e então caiu 
nos braços da terra
brotou, cresceu
criou raízes, 
tronco, ramos, folhas
sob o céu nublado
no horizonte 
se fez sombra
ninho onde os pássaros 
repousam, nascem, cantam 
aprendem a voar
sob o céu

(...)




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Selo

Ganhei um selo de qualidade do blog Palavrasdocoração


agradeço e aí vai as coisinhas a serem ditas:

Nome: Luiza
Uma Música: Serve “Luiza” do Tom Jobim?


Dez coisas sobre mim:

1- adoro desenhar
2- gosto de Van Gogh e tudo que diz respeito a ele – foi quem mais me inspirou a começar a desenhar
3- eclética por natureza em quase tudo. Músicas, literatura, artes em geral.
4- gosto da natureza, ir ao parque ver principalmente as árvores
5- gosto de cantar e tocar umas notas – mas muito ruim mesmo, de passar vergonha
6- gosto de simplicidade em quase tudo
7- gosto de ler bastante, mas nunca acho que li o bastante
8- comecei um curso de pintura esse mês
9 – adoro receber flores só para desenhá-las em seguida
10- desenho e escrevo mais do que publico

Humor: Oscilante, mas procuro manter o bom humor.
Uma cor: todas, sem cor como que eu vou desenhar?
Como prefere viajar: de qualquer forma desde que seja para um lugar cheio de natureza.
Um seriado: House, mas faz tempo que não vejo.
Palavra mais dita por mim: enfim
O que achou do selo? Adorei recebê-lo.
O selo vai para os blogs: Não gosto na verdade de escolher poucos, queria escolher todos. Então fica assim para todo mundo que passar por aqui e sentir o chamado.

tudo bem mas é que não podia esquecer desses aqui:

http://ursulaavner.blogspot.com/
http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com/
http://tremdalira.blogspot.com/
http://fictamors.blogspot.com/
http://vemcaluisa.blogspot.com
http://fouadtalal.blogspot.com
http://dabusca.blogspot.com/
http://ac-wwwinterioridade.blogspot.com
http://nydiabonetti.blogspot.com/
http://azultemporario.blogspot.com/
http://mileumpoemas.blogspot.com/
http://teresacristinaflordecaju.blogspot.com/
http://paulobecarehenrique.blogspot.com/
http://poesiacronica.blogspot.com
http://poesiadiversidade.blogspot.com/
http://passaroimpossivel.blogspot.com/
http://ribeiropedreira.blogspot.com/
http://infotocopiavel.blogspot.com/


são esses blogs com certeza muito recomendados!
e eu fiz um selo próprio para esses cantos que tanto gosto:


proponho que acrescentem a poesia favorita de vocês
o escritor favorito, filme que recomendam e porque escrevem?




Amor sim


(desenho de 2008 - Luiza Maciel Nogueira)

1.
quebro a pedra
tiro o sumo
bebo o néctar


2.
quando o muro caiu
construí outro
ter-te seria só uma vaidade
que não aguentaria
tanto tempo assim


3.
amor sim amor
ternura pra ti
não tanto que te iluda
mas um bocado que te preencha
depois pra vida nascer feliz
nos olhos derramei sementes
na pele ofereci carícias

beijei os olhos uma última vez
soprei uma luz até ti
porque amar é também voar
não tanto que te iluda
mas um bocado que te preencha
amor sim amor




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Três em um


(Árvores, prefiro árvores - por Luiza Maciel Nogueira)


PASSOS


pretendo esquecer a mágoa
afundar o corpo na água
limpar o atraso do passado
sorrir para o horizonte
sem preocupar-me 
com o futuro da pele no ar
sem tantas lembranças
sem tanta tristeza
sem tanta ansiedade
pretendo parar de jogar as cartas
escolher o meu caminho

depende só do destino







(Sem pudor - por Luiza Maciel Nogueira)


TODA TERNURA

toda ternura no olhar
explode o amor pelas paredes
a pele arrepia em delírio
segreda seus desejos
derrama beijos
no horizonte do silêncio
corpo abraça corpo





(Quebra-cabeças na praça - Luiza Maciel Nogueira)


LUCIDEZ MOMENTÂNEA

a verdade não insiste amor
persiste nas retinas 
sem tempo que atrapalhe a sua cor
sem violência que a sustente
a verdade só é
não bate, não desiste, não maltrata
a verdade mata



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


(Rosa de aquarela - por Luiza Maciel Nogueira)


"rosa de aquarela
com um vermelho tão vivo
dando cor ao galho"



*Teresa ofereceu ontem esse haicai para a imagem da rosa.
Agradeço, adoro haicais.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011



(Ipê e pássaros migratórios por Luiza Maciel Nogueira)



"venta e leva
pra longe do ar
no abrigo da terra"

Augusto C. Alencar




Lá no SemprePoesia

Ontem estive lá com a poesia de Úrsula:
http://ursulaavner.blogspot.com/2011/02/fio-de-vida.html


Ofereço essa rosa em retribuição à Úrsula e suas poesias:



(rosa de aquarela por Luiza Maciel Nogueira)


Grata pela beleza e poesia.

Luiza Maciel Nogueira


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Só árvore


(árvore de aquarela - por Luiza Maciel Nogueira)



árvore beira canto
pura e simples, sem manto 
no entanto, quando sopra e venta
árvore se agita, braqueja




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Lá no PoesiaDiversa

Lá estive ontem:

http://poesiadiversidade.blogspot.com/2011/02/affonso-romano-santanna-poema.html

http://poesiadiversidade.blogspot.com/2011/02/carlos-drummond-de-andrade-poema.html

Era mais fácil nunca mais ver, evitar falar e se encontrar. Era mais fácil dizer nunca mais.



- Faz um mês que eu ligo Mia e você não atende achei que estavas mal...só aqui mesmo na biblioteca sabia que iria te encontrar. Só não sabia que gostavas de ler teses, qual é?


- A tua Fábio, estou lendo a tua tese.


- Não sabia que gostavas de matemática.


- Não gosto.



(lúcidas linhas - por Luiza MN)




Manto azul

(pintura de Francis Picabia - 
Amanhecer na bruma, Montiguy 1905)




folhagens oram 
em findas tardes

sombras azuis 
se misturam no azul


em calmaria o 
silêncio passa

 o toque da harmonia no olhar
nos eleva para o paraíso




"O paraíso é, antes de tudo, um belo quadro"
Gaston Bachelard




quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quando entardecer*


(Árvore do fim da tarde por Luiza Maciel Nogueira)



é tarde para se aproximar
é cedo para ir embora
é quase, é ainda, é enquanto
os amores forem escuros cantos
as avenidas forem de saudade
a pele do verso for desejo
a música uma dança de notas

espera da incompletude o verso
do silêncio um sopro, uma oração
do encontro o beijo, o abraço, 
o passo, o toque, o presente
a vida um universo de possibilidades
é tão tarde, tão cedo, tão já




Empurrão




- As nossas dores são tão banais, nossos amores tão infantis, nossa felicidade tão triste, tão frágil... O medo é uma porta Fábio, mais um passo e caímos no abismo...o medo é desejo de cair em forma de dor... 

- O medo é humano Mia... (pausa) todos queremos nos sentir seguros. 

- Poucos mergulham no desconhecido por opção Fábio...a maioria das pessoas são empurradas a...

- A serem fortes, frias e neutras...com o tempo nada as toca.

- A serem frágeis Fábio, não há fragilidade maior que fingir que nada toca, não há imbecilidade maior, não há desperdício maior...

- Mia, as vezes isso também é tão humano quanto...todo mundo tem um canto que prefere que fique no escuro...nem tudo toca, nem tudo é fingimento, nem todo silêncio é frieza Mia. Por vezes o que não toca não é frieza, mas falta de sintonia...nem todo mundo tem isso um com o outro. Aliás são poucas as pessoas que fazemos conexões fortes o suficiente para abalar as nossas vidas...poucas, muito raras. A vida Mia é feita também de desperdícios, condição intrínseca para os encantos valerem a pena...