(Urubu - por Luiza Maciel Nogueira)
Ele me olhava indefeso, com pouco medo
e seus olhos adormeciam nos meus.
Olhos negros de bicho.
Seu estômago gritava por carniça, por sangue.
O peixe exalava o aroma da morte.
Ele cedia um passo após o outro,
deixava-me aproximar.
Eu via a fome, eu sentia a dor,
não tive medo, não tive nojo.
Tive fome, se pudesse também devoraria
o peixe morto na areia
limpava a areia com minha baba
deixava só osso, mais nada.
4 comentários:
Poema magnífico mas que exala solidão.
Que doido Lú, até urubu você desenha. bjinho
Gostei! Um poema forte, que expressa o ser urubu.
Linda ilustração!
Beijos
Renato
o urubu está candido na sua nobre missão de limpar, mais nada
beijo
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