sábado, 30 de abril de 2011

Mínimo



às vezes o silêncio

convoca os lábios
reveste o manto
de segredos

só o tempo
despe a verdade
um dia um milímetro
se revela

(universo)




segunda-feira, 25 de abril de 2011



(Poesia III - por Luiza Maciel Nogueira)



quando tudo é poesia,
luz, energia, oração
saberão os olhos do amor?
o tempo dirá




quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um canto livre


(Poesia II - por Luiza Maciel Nogueira)




em cada canto da pele
em cada pedaço do céu,
da terra, do mar
mora a poesia

em cada mílimetro de vida
lá está ela: a poesia
poesia = vida

o toque na pele
a areia e o mar
o vento nas árvores
um beijo, um sorriso, um olhar
o silêncio, o desejo, o amor
poesia, poesia, poesia

(poesia é encontro,
poesia é prece
e poesia é vida)


poesia, poesia, poesia...










quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um sonho, apenas um sonho




- É um sonho Fábio, não é realidade. E talvez fosse melhor permanecer apenas como sonho, nada mais...
- Você tem um medo da realidade Mia.
- Não é medo, é realismo. O sonho sempre será melhor que a realidade.
- Ah, então é por isso que você não é feliz.
- A minha felicidade é sonhada. Não tenho pretensão nenhuma de realizá-la, mas as vezes eu acho que o sonho existe e vou atrás, mas é só um sonho. A minha realidade não banca esse sonho.
- Você é doida, sabia?
- Sabia.





Madrugada



ternura em flor
amor
despir o silêncio 
numa prece
só tua 
meu sonho
tem afeto
bruto verso
poesia nua




terça-feira, 19 de abril de 2011

Com uma flor e algumas notas


(A flor do desejo - por Luiza Maciel Nogueira)



embora o tempo queira partir
ela guardou uma flor para lhe dar
não pergunte porque endureci
o tempo morre devagar

a prece é uma música serena
feita num céu de violões
onde pássaros são notas 
que voam livres, como a luz

quando houver amor
ela aprenderá a dançar




*

Hoje também estive aqui junto com Samara Bassi:






segunda-feira, 18 de abril de 2011

Em passos





aprender o canto
buscar
os ecos na pele
inspirar o vento
esperar a vibração
da música
alcançar a alma
elevar o coração
esquecer do resto
amanhecer no céu

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lume*


(por Luiza Maciel Nogueira)


chegou o dia
não precisava mais
de um olhar
só precisava
era dos ouvidos
para escutar
o canto secreto
dos pássaros




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Caminhante rumo ao mar



(por Luiza Maciel Nogueira)



era todo sorriso
olhos de chuva crescente
mal sabia de seus rumores
escuro não era
foi de uma presença leve
depois a verdade 
quis bater na minha porta
a chuva era apenas minha tempestade
onde encontrei em quem gotejar
depois o tempo levou
o silêncio vibrou no infinito
e isso me bastou







quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poema de esquecimentos urbanos


(Paisagem de Igarapava - por Luiza Maciel Nogueira)



onde nasci 
o mato é maior 
que qualquer edifício
a cidade é uma vírgula
no meio do matagal

hoje em São Paulo
a vida não para
a poluição afoga qualquer rio 
e toda selva é multidão afobada
edifício em construção
concreto sem chão

lágrima de esgoto
que vai pro lixão
e ninguém percebe

(até esqueci
de regar a flor,
escutar o tempo,
tomar sol,
orar com os pássaros,
apreciar o pôr do sol)




segunda-feira, 11 de abril de 2011

A flor da noite


(Noite - por Luiza Maciel Nogueira)



recai sobre o verso
a pele da poesia
ou quem sabe do amor
do que já passou
sob os lábios de desassossego
nasce a pequena flor

na oração do tempo
a poesia desnuda o olhar 
expande seu corpo 
sob o chão, sob o céu, sob o mar

no coração da terra
poesia, arte, música

(Vida em prece)





sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre a ilusão


(Sobre a ilusão - por Luiza Maciel Nogueira)


sem pele, sem corpo, sem destino
mas ainda a ilusão
de cair nos teus braços
despir-me de excessos
apaziguar o destino
fingir que não estou

(tempestade de ninguém)

(...)




quarta-feira, 6 de abril de 2011

Poema Mãos


(Estudo das mãos - por Luiza Maciel Nogueira)


1. anseio

por um anseio
pelo breve relato das mãos
ouvi tocar a música
semente que evoca
não é mais que tentação


2. toque

na maciez da pele
o toque das mãos
gesta ternura em beijos
o toque lá e aqui
cria a ação


3. ação

enquanto as mãos
passeiam, vão e voltam
tocam o céu
depois quando chegar sua hora
semente brota
enche o mundo
de cor, música, ilusão
talvez com amor
embora nem sempre
seja possível amar





terça-feira, 5 de abril de 2011

Poema Lágrima


(por Luiza Maciel Nogueira)



1. Como a chuva

quando a lágrima
derrama seu corpo
sob a face
é preciso esperar
nascer a dança
(esperança)



2. Lago

renasce 
um lago de ausências 
sob os olhos
reflete a lágrima
o mundo do olhar
enche de mar  
as montanhas da ilha 
(solidão)


3. Nascente

percorre o infinito
lembranças, despedidas, 
angústia, tristeza, ilusão
uma gota cai 
e outra nasce 
sob a face



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um sopro de Blues


(Blues - por Luiza Maciel Nogueira)



sopro cheio de azul
espalha o seu Blues
a música faz viagem
até quem a escuta 
atentamente
deseja a paz 
o sopro do céu







ps: fiz esse desenho em homenagem ao meu avô que toca Sax.