quinta-feira, 30 de junho de 2011

Poesia VII e VIII


Estrada de terra*


percorro a estrada de tanta Poesia:
imponentes árvores
a grama dourada pelo sol
ventania acaricia a face
um mar de Morros 


no horizonte
a Sinfonia das folhas
raios solares 

brilham em Pedras
tanta poesia que meus olhos
mal alcançam...


como as formigas
trabalham sem parar
enquanto pássaros
flutuam no azul

pequenos pontos de luz
na estrada
anunciam o caminho




quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lá no Vidráguas

Hoje estou lá no Vidráguas: 


http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/06/29/drummond-em-quadrinhos-por-luiza-maciel-nogueira/



Toque



I.
achei que podia
beijar o infinito
e com um estalo
tudo ficaria 
re(sol)vido




II.
minúscula
até cabia
na tua palma
(vazia)




III.
é pouco tempo
de vida
como gota que cai
ou nota que se esvai
um dia
(finda)







(Experiência com carvão natural e aquarela 
por Luiza Maciel Nogueira)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Lá no Válvula de Escape

Hoje estou lá com Cris de Souza com um desenho inédito:

http://crisdesouzavalvuladeescape.blogspot.com/2011/06/trilogia-ou-tres-poemas-desencontrados.html





(Lágrima por Luiza Maciel)


Garça branca



nuvens esparsas
matizes no céu
e a sinfonia do vento
como seda na pele
tocam em sol
esvoaçam o verbo
garças planam
em círculos no azul
silêncio absoluto...
(aproximo os remos
da água)


vitórias régias 
(desabrocham)
me curvo diante do espelho
e meus olhos anoitecem
na sintonia do rio
musgos compõe
a minha face
de peixe frio



quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Estopim" (Laramaral)



"Nunca sei o que será de mim
Pista de mão dupla sem
Desvio
Caixa de música sem
Corda
No pescoço
Dependurada
Como argola que prende cortina
Transparente
Por um fio
Enxergam-me através
Sem desa(r)mar
Como bomba de breve
Pavio"


escrito por Laramaral

(Caixa de música - por Luiza Maciel)


*desenho realizado a partir das repercussões e ecos de "Estopim"

terça-feira, 21 de junho de 2011

Bebida


(Visão por Luiza Maciel Nogueira)


a visão de meus olhos cansados
é tão embriagada que não vejo o que vi
distorção do céu e a árvore logo ali
sol sol sol, repito porque não há tanto sol
em parte alguma brilham os olhos
como bolas de ping pong: sobem e descem
vão para onde querem
invento luzes que não existem ali
talvez me aqueçam


Astro-lábios


(Astro-lábios (sugerido por Cris de Souza) por Luiza Maciel Nogueira)








segunda-feira, 20 de junho de 2011

Tão tarde




amanhece
e as sombras das árvores
tremeluzem
as folhas se entregam
derramam seu corpo
leve sob a terra


de toda mentira
da vida, de tudo
derramaria um grito
se não bastasse
o silêncio
me revoltaria
se não fosses um traço
um leve sussurrar
(oco)
sem eco...



(O sopro da menina virou ventania - por Luiza Maciel Nogueira)



























sexta-feira, 17 de junho de 2011

Flor esta


(Flor esta - por Luiza Maciel Nogueira)



uma casa no matagal
um lar de sonho
um bando de pássaros
como pensamentos
voam até outros lares

onde será que vão chegar?
inteiros ou mortos
na viagem 

são pássaros
em céu desconhecido




(...)

todo silêncio
declama uma prece
busco (escutar)

pouso os ouvidos
no infinito
ouço o mínimo

o pouco
do canto que ouvi
jaz aqui

quinta-feira, 16 de junho de 2011

temo afogar
a última
gota

(calei)

‎(presa)


(Pintura de Magritte)


o pássaro que lá prendia
fugiu para outro céu
o peito já não abriga
os anseios de fel

apenas uma pomba banca
ficou onde devia
encoberta por ares
bizarras sinfonias

passou tanto tempo
até a última liberdade
passou a eternidade



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Decerto


(Baile - por Luiza Maciel Nogueira)


decerto
tinha um rosto
encoberto

decerto
não amanheceu
nos lábios dela

decerto
não se amaram 
tanto assim

pois o amor
não se define...
nem se compara

o amor é
e pronto!



(15.06.11)



leves pinceladas
cobrem o céu
de cinza claro



*

(eco)



o pássaro silencia
seu canto que repercute
em eco no ar...

eco eco eco
uma orquestra
de ecos

o menino acorda
um músico compõe
pelo piar de um pássaro






terça-feira, 14 de junho de 2011

Poemas de um inverno rigoroso



Gelo*



contente-se
com o nada
o risco é
tudo
risca a fresta
do verso


(aqueça)



Neve*

frio ardor
sugere mínimo
amargo tardio
doce


(derreto)



Floco*

oro versos cinzas
em sombrias
madrugadas
inspiro pouca
esfera
difamo pó
é tão frio


(trema)




















(lírio)
saudades do sol
ternos olhares passam
nesse delírio de inverno




*

quarta-feira, 8 de junho de 2011