quarta-feira, 31 de agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011





na espera da chuva
lentidão de lágrimas
só uma gota cai




Fonte de orvalho



sussurro, são tão poucas 
as palavras disponíveis
para recitar o intraduzível 

na tela dos orvalhos 
derramados no vidro julgo 
desamar resquícios de memória 

a lucidez dos beijos  
crava a fonte de desejos 
o corpo abraça inquietações





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Brevidade sobre o silêncio, o tempo e a morte




o silêncio tem sido cobertor  
em noites de lágrima, 
em dias de frio extremo 

por vezes a morte nos cala  
como faca cravada no peito  
nos arranca a palavra 

nada mais será como antes 
o tempo gira feito roda gigante 
e nada mais será como antes




segunda-feira, 22 de agosto de 2011




O poeta



o poeta se embriaga
de poesia, verso, palavra
diz não ao silêncio e grita
seu sangue jorra no papel

o poeta escuta vozes:
de mistérios ou silêncios
de regressos ou despedidas
de memórias ou sonhos

o poeta escuta flores, ventos,
mares, conchas, folhas, noites,
madrugada, terra, barro, pó,
pássaros, chuvas, tempestades,
gotas, solidão e multidão
papel, lápis, tinta

o poeta é surdo!
alucina a tradução
inventa sua própria
língua
e lambe os vãos
das palavras
paquera o verso,
faz amor

o poeta se diverte
em nada dizer
e dizer absolutamente

o poeta?
que sei eu do poeta?
nada
além do abismo
que se mete




sábado, 20 de agosto de 2011

Sopro de Miles

pelo sopro, pelas cordas
a música pauta no azul
sóis nos dedos do poeta: jazz

o corpo em contrapartida
dança no compasso do blues
em notas despe mistérios

a luz vibra na garganta
e vira sol
só no sopro do jazz

Muro de jasmins



os jasmins que deixei  
em cima do teu piano
amontoaram-se 
até virarem muro 
as flores acumularam-se  
em perfume e beleza, 
porém me é tão distante  
já não vejo tanto
pétalas, folhas, ramos 
já nem sei mais
qual raíz poderei regar
e se quero que cresça 
assim


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Exílio



expulsa da terra
estive a sonhar com borboletas
saltitantes em galáxias
desconhecidas
em mares de arcoíris
na gravidade dos peixes
na órbita de um beijo
invisível


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

se eu não acordar com um sorriso



se eu não acordar com um sorriso
talvez eu perca muitos outros sorrisos


Sorriso

(arte por Andrea Benetti)




Mecanismo de busca





buscam a bailarina
a sombra, a ilusão
muito céu azul,
um ipê roxo
os sonhos do Van Gogh,
noutras querem desenhos
de árvores desconhecidas
por vezes alguém procura
versos invadidos de luz
e acho que foram
para o lugar errado
aqui só tem papo furado




(sobre quando buscam algo no google e encontram meu blog "Versos de luz")

Polo

existem pássaros presos
na garganta
como resquícios de memórias
sem futuro nem passado


um esboço em fuga
em busca de alguém




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Todo poema



todo poema

sempre foi oferenda
à quem lê
por isso cede
dá-se os versos
a quem sonhar
poema
a quem sentir
palavra







A plenitude das pétalas


brotam jasmins nos olhos
na dança dos orvalhos
em garoa cristalina

despe no peito seu aroma
em lágrimas de luz o toque
da essência dos sóis

derrama seu peito
na nascente do beijo
espera a semente florir

em cima da rocha
no encontro das ondas
enquanto o mar ainda

(amar)




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

Calejo



o terno azul nas bordas
manto fino de dor
em círculos itinerantes

a vida não para
de calejar nosso instante
das lágrimas dos outros

(por vezes tão nossas)


Um dia possível


um dia possível
um sorriso nos lábios
alguém ao meu lado
e tudo solto
feito orgasmo


sábado, 13 de agosto de 2011

A semente



a semente brota
diante do amor da água,
dos abraços da terra
e dos beijos do sol


nas carícias dos ventos




(o amor concede espaço
para ser)






















Abre Caminho - por Luiza Maciel)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ÍRIS


dançam na íris
as imagens do sol
o brio dos riscos
sob o reflexo
das curvas nos olhos

mares, sóis, rios
pássaros, brisas, peles
calafrios

eu quero
um rastro de pedra
de luz e silêncio





Lá no Projeto PontuAção

Estou participando de um outro blog do projeto PontuAção: Poesia em Quadrinhos junto à Hosamis e Carmen Silvia Presotto, sustentado pelo Vidráguas. Confiram:


http://poesiaemquadrinhosnaescola.blogspot.com/






*

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A última nota


I.

a última nota
deve ser infinita
como deveria ser
todo amor


(em beira de precipício)



II.



o último sol
deve ser mortal
como quando queima
só resta o rastro do pó




(e nada mais)




III.


o último verso
deve ser feito de luz
como o primeiro
nasce nos olhos
com espanto!




(e talvez queime sem fim)






IV.


o último silêncio
deve ser belo demais
para palavras...







segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Versos: o encontro dos olhos III


(Luiza Maciel) 



"Verbalizo o verso (en)cantado
música em tons de cor
Na delicada alegria em que valsas para mim
Sons alados que se misturam aos pássaros que encantam minha manhã...
:)), eba!!
Há música em todo lugar...
Onde há música há sonhos.
Música, música, música...
Poesia é música serena
Pra alma que não é pequena
Sonhos , versos inversos que saciam minha sede de vida... Me tornando grande no pequeno gesto de Amar !
na tarde azul, ouço pássaros amarelos...
ecoando notas, alegrando os passos
pássaros cantam em notas de poesia a liberdade
multidão de pássaros, um canário vazio não deixa a poesia entrar
Dores que cala em seu olhar."


[Família Poema]
em uma brincadeira de grupo do facebook


Samara Bassi
Roberta Seoane
Luiza Maciel Nogueira
Ediney Santana 
Franzé Oliveira 
Franck Santos
Raquel Amarant
Carla Maria Stopa
Joao Vitor Fernandes 

domingo, 7 de agosto de 2011




deixo a pele tocar em ti
o amor não é mais que permitir
que o diferente entre, tenha passagem livre
ainda que em poucos lugares
consiga passar ileso...



sábado, 6 de agosto de 2011

Amoroso



penso em olhos
de mares distantes
repletos de flores
Inexplicáveis
gelam os cílios
do Pássaro solitário
em busca da quietude
dos vendavais
quando tocam ramos
e folhagens
mesmo no inverno
de tudo...





Lá no Vidráguas

Estou no Projeto PontuAção:

http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/08/05/pontuacao-em-nei-duclos-com-vidraguas-poesia-em-quadrinhos-nas-escolas/


Um dia



um dia, quando for noite
me ausento do corpo
e sonho pra sempre
o mundo Van Gogh
de noites estreladas
cerejeiras em flor,
matagais azuis no mar
em sussurros de vendavais
em infinitos matizes
sem a crueldade
dos homens de coração
de gelo


um dia 2

o gelo no peito
o frio das horas
a fragilidade da pele
sem alma...


Um dia 3

Em Picasso
a pele não resiste à realidade
são fragmentos em busca de amor

sem delírios e miragens
o homem nunca foi inteiro
é oco, vazio, cubo de gelo
que não derrete...

um dia, quando for noite

um dia, quando for noite
me ausento do corpo
e sonho pra sempre
o mundo Van Gogh
de noites estreladas
cerejeiras em flor,
matagais azuis no mar
em sussurros de vendavais
e infinitos matizes
sem a crueldade
dos homens de coração
de gelo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vestígios da terra



 o esplendor na noite
de rios em infortúnios
sombras de esquecimentos
docemente partem em ondas,
maremotos de água
cantam sob a frieza das pedras
em silêncios sem pele
frágil como lábios rachados
no inverno
montanhas, mares
e um tempo sem tamanho
a pausa do infinito
pulsa sob as mãos
nos olhos, na pele..
palavras nuas
no canto dos olhos...
e o peso da memória

o segredo da semente
brilha
viva dentro da terra




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poema no canto dos olhos



nos recortes da memória
na tela da pele nua em sede
ou até nas nuances da paisagem,
confesso: a palavra não mora ilesa
recordas da morte em meio aos outros

das nuvens traçadas pelo vento
enquanto o tempo se esvai
dos raios solares, da noite,
da chuva, do gelo e da chama
que te fizeram brotar
aqui agora assim
essas palavras nuas
no canto dos teus olhos...


e um traço de memória



Guarde contigo

guarde contigo um poema
um esboço de ternura no bolso 
tuas pupilas percorrem corpos 
teus olhos cantam estórias, 
versos sussurram sonhos 
das lembranças inventadas 
e poemas vibram luzes 
de quem um dia pousou  
seu Ser em um pedaço  
ínfimo de papel 

(e se entregou...)


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Haicais de certa beleza e complexidade



(pássaros nos ramos - Luiza Maciel Nogueira)


palavra ao vento em busca de pele
broto d’água escorre e até arrepia 
no fio da linha do corpo rumo ao amor 


em muros escala a superfície
até o beijo inconsciente onde nascem os vícios 
das memórias sombrias sem alma 


nos olhos vela lume flor 
mordisca a paisagem como fruto 
aroma ,sabor e pele em desatino 


nota no céu, pássaro no ar 
voa, pousa em ramos, voa, pousa em fios 
declaram cantorias difusas


suspendo desejos em lume  
impraticável é a solidão das gotas de chuva 
no encontro perene das reservas da memória









terça-feira, 2 de agosto de 2011

Haicais psicodélicos



sabor de Sóis
sopa de estrelas
peixes no céu




corre a lesma
verde limão na rúcula
rumo à plutão




baba crua
um fio de macarrão
brilha entre os dentes




Nasce um breve poema



o som do rio sob reflexo do sol
movimenta a transparência das águas,
as sombras dos remos umedecem a nudez
é fria ternura e os tempos tão breves
giram em torno da música nascente
pousa teu rosto no colo dos silêncios
das conchas do mar, do canto das aves,
e das terras que brotam signos


(escuta)

















(Poesia XV por Luiza Maciel Nogueira)




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Lá no Tertúlia Pão de Queijo

Estive nesse maravilhoso blog junto ao querido poeta Fouad, com meu desenho preferido!


http://tertuliapaodequeijo.blogspot.com/2011/07/arrebol.html


Haicais de ausência



sem o silêncio da onda
a vida continua longa
e só desagua o mar




sem partitura
diz o tempo que precisa
de ternura




qual o destino da semente
quando pisada resolve
partir



Sobre o toque da paisagem



ar frio
a rede na janela
segura a paisagem
embaçam os olhos
de suicídio
meu verso quer
se jogar só pra voar
entre o impossível
transformar-se 
em silêncio


abrir sóis em limbos
levar pássaros para orar
no ouvido dos homens
toda beleza do mundo
e então esperar
que uma nota chegue
ilesa e desperte
como semente no vento
de esperança


















(Doce Ipê - por Luiza Maciel Nogueira)