quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Haicais de certa beleza e complexidade



(pássaros nos ramos - Luiza Maciel Nogueira)


palavra ao vento em busca de pele
broto d’água escorre e até arrepia 
no fio da linha do corpo rumo ao amor 


em muros escala a superfície
até o beijo inconsciente onde nascem os vícios 
das memórias sombrias sem alma 


nos olhos vela lume flor 
mordisca a paisagem como fruto 
aroma ,sabor e pele em desatino 


nota no céu, pássaro no ar 
voa, pousa em ramos, voa, pousa em fios 
declaram cantorias difusas


suspendo desejos em lume  
impraticável é a solidão das gotas de chuva 
no encontro perene das reservas da memória









14 comentários:

MIRZE disse...

LUIZA!

Fiquei sem fôlego lendo o poema!

Há brilho em cada verso seu. lume de poetisa.

A pintura,......sem palavras!

Porque você não faz um blog só para arte e outro para poesia, já que é fera nas duas coisas?

Só uma ideia.


Belíssimo!

Beijos

Mirze

Zélia Guardiano disse...

Haicais de muitíssima beleza, lindamente ilustrados!
Ah, é sempre uma viagem encantadora vir aqui...
Beijos, querida Luiza,repletos de carinho e admiração.

Ana disse...

Lindo desenho Lú, sou tua fã. Bjo

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom, Luiza!! Gostei do estilo e da forma!!

[]s

Luiza Maciel Nogueira disse...

Mirze querida eu já pensei nisso, em separar as coisas, mas fico pensando no trabalho que daria...pensei também em postar separado poema da imagem já que muitas vezes um não tem nada haver com o outro...sei lá acho que como as vezes um influencia o outro e por vezes os versos inspiram um desenho ou vice e versa escolhi essa forma de expressão. E também como é um registro do que me vai no dia- como uma espécie de diário de livre expressão pessoal não me preocupei em separar os dois. Talvez um dia mude de idéia, mas por enquanto gosto dele assim. Obrigada querida, beijos!

Jorge Pimenta disse...

luíza,
neste encontro com a memória (sombria, primeiro; com reservas, depois) todas as palavras lançadas ao vento reflorescem em encontro perene. afinal, tudo é memória, mesmo.
beijinho!

Tatiana Moreira disse...

Lindo de ler e sentir...
É sempre bom quando as palavras alcançam o nosso coração!
Um beijo carinhoso

Celso Mendes disse...

entre as palavras que brotam, uma linha d´água que goteja, pássaros, voos, pousos, céu, ar, sentidos... desenham-se memórias lindamente traçadas em tercetos.

beijo.

Assis Freitas disse...

entre cantorias difusas, gotas de chuva, sabor e pele em desatino há um aconchego para a palavra,


beijo

Sandrio cândido. disse...

Luiza
Já o titulo nos diz o que leremos, há um toque de natureza que fascina em tuas telas é preciso mais que o olhar sobre os monitores, é preciso contempla-las de tão belas e o como nos diz.
beijos

Lara Amaral disse...

Tão bonitos os seus tercetos, leio algumas vezes cada, absorvendo essa delicadeza.

Vou publicar um conto daqui a alguns dias, estou trabalhando nele ainda. Essa sua imagem ficaria boa com ele, posso usar?

dade amorim disse...

A memória que retém tantas coisas é por si mesma uma cantoria difusa de pássaros, uma solidão sem chuva.

Beijo e parabéns pela imagem, ótima, que guardei pra postar qualquer dia desses, pode?

Luiza Maciel Nogueira disse...

Pode sim Dade, considere-se livre parapostar a imagem que quiser. Beijos!

Cris de Souza disse...

Tudo muito lindo por aqui, Lu.

Beijão, flor!