segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O poeta



o poeta se embriaga
de poesia, verso, palavra
diz não ao silêncio e grita
seu sangue jorra no papel

o poeta escuta vozes:
de mistérios ou silêncios
de regressos ou despedidas
de memórias ou sonhos

o poeta escuta flores, ventos,
mares, conchas, folhas, noites,
madrugada, terra, barro, pó,
pássaros, chuvas, tempestades,
gotas, solidão e multidão
papel, lápis, tinta

o poeta é surdo!
alucina a tradução
inventa sua própria
língua
e lambe os vãos
das palavras
paquera o verso,
faz amor

o poeta se diverte
em nada dizer
e dizer absolutamente

o poeta?
que sei eu do poeta?
nada
além do abismo
que se mete




18 comentários:

ana. disse...

Não sei nada sobre mim, menos ainda sobre o poeta.
Ainda que seja eu.

Mima disse...

"Seu sangue jorra no papel".

Oras, a graça do poeta é que ele é meio gente. Não há quem explique, e nem quem não entenda. Mesmo que não se entenda.

Entendeu, né...

[sobre poetas e poesias, não se fala. Lê-se; sente-se, enxarca-se.

Ana disse...

saber é tão relativo, né Lú? bjs

Fred Caju disse...

Ando lendo bastante o Manoel de Barros e seus nadas poéticos. Bem sincrônico com o seu poema. Abração!

Anônimo disse...

Uau, quanta coisa há no ser poeta, hein?
Beijos
Renato

Leonardo B. disse...

[ao poeta que nada reclama tudo lhe pertence; corpo de letra onde se adormece a noite e o dia em cada palavra mais, em cada palavra menos, em cada palavra toda onde o mundo se reconhece]

um imenso abraço, Luiza

Leonardo B.

dade amorim disse...

O poeta teve um belo retrato, bem fiel, traçado nos versos desse poema, Luiza. E o mais verdadeiro é mesmo o abismo em que ele vai entrando cada vez mais fundo.
Beijo grande e obrigada pela lembrança.

Rabisco disse...

Lindo!
Está lindo!

Realmente de poeta todos temos um pouco...está espalhado aos bocadinhos por todos nós. Basta vê-los sem os olhos com que normalmente vemos e lá está.

Fez-me lembrar a autopsicografia de Fernando Pessoa.

Bjs

http://rabiscosincertossaltoemceuaberto.blogspot.com/

Vanes disse...

Uma grande realidade Luiza, Nada sabemos do poeta... talvez por isso o admiramos tanto!! =) Abraços!

Celso Mendes disse...

o poeta é um eterno alucinado que brinca costurar palavras em versos, bem assim, como aqui.

lindo, Luiza!

beijo.

Jorge Pimenta disse...

o poeta, esse plantador de sonhos, esse druída das realidades, o espezinhador de abismos.
beijinho!

Jota Effe Esse disse...

De poeta nada sei, a não ser que é ser pó, que se dispersa e se junta com o vento. Meu abraço.

Ana Pontes disse...

Olá,
Como isso é poético e tem luz! Eu gostei do poema, eu sinto o poeta, errante, andando embriagado de suas próprias palavras por vielas de pedra sem ligar para nada além da noite.
Escrever é uma coisa muito gostosa, é um prazer infindável, ainda mais quando você sente que mexeu com alguém com aquelas suas palavras. É um dom, sublime.
Minha alma sangra ao colocar a mão no lápis e tirar meus sentimentos para fora de mim e deixá-los assim, expostos. Mas é bom, quando a gente sabe que alguém estará lá para recolher ao colo, como um filho, esses sentimentos que vcê deu de presente.
Então, gostaria de te convidar a visitar o meu recanto de pensamentos, e seguir, se gostar. Eu ficaria deveras honrada com a sua visita.
Um grande abraço,
Ana Pontes

http://asoleneanapontes.blogspot.com/

Hosamis disse...

Luiza, o que houve?? Dê notícias, por favor! Beijos,

Hosamis

Luiza Maciel Nogueira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"o poeta é surdo!
" tem apenas sua língua e palavra

Hosamis disse...

Luiza, poeta da imagem, você nos encanta entre riscos e sonhos... estamos com saudades.

Beijos,

Hosamis.

Luiza Maciel Nogueira disse...

Obrigada Hosamis pela força, mas eu vou precisar de um tempo aí para me recuperar. Peço paciência. Beijo.