quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Uma prece devida


(Solar na superfície do mar - por Luiza Maciel Nogueira)


me era pedido como prece

beijar as beiradas das palavras
na busca incessante
de traduzir sóis

entre as frestas dos olhos
desvendar cantos encobertos
em brumas sob o mar

peixes sedentos
em algas no baile da sintonia
curvas, ondas, ventanias

era suposto mergulhar na superfície
iluminada pelo pôr do sol
jazida em brio nas águas

onde vela o som nascente
no contraste das sombras
na essência da prece

(a vibração do silêncio)





11 comentários:

D.Everson disse...

MUITO BOM GATA

Ana disse...

Lú que coisa linda linda linda e ainda cheia de luz!!! Um beijo

Milena disse...

Coisa linda de se ler e ver Lú!

Beijinho

Zélia Guardiano disse...

Lindeza, minha querida Luiza!

" me era pedido
beijar as beiradas das palavras "

Não tenho um comentário à altura... Fico aqui, olhos fechados, refletindo sobre seus encantadores versos!

Beijos, amiga, grande poeta!

dade amorim disse...

Muito lindo seu poema, Luiza querida.
Um beijo pra você.

PS: Sabe que você não é a primeira pessoa que me confunde com a Mirze?
Outro beijo.

Jorge Pimenta disse...

a prece para a conversão das palavras na vibração do silêncio. e todos os mundos (mesmo os vozeados) se tornam, então, possíveis.
beijo, querida luíza!

Assis Freitas disse...

beijar as beiradas das palavras, contorná-las, e dar-lhes sopro de vento para asas



beijo

carmen silvia presotto disse...

O silêncio se dobra ao múrmurio de teus versos úmidos... no infinito há uma curva sonora que recolhe a poesia e é para lá que eles vão...beijos, muito lindo.


Bom final de semana!!

Carmen.

Jota Effe Esse disse...

Depois do balé nas estrelas, a prece no mar, que é sonho mergulhado no infinito. Meu beijo.

Celso Mendes disse...

beijar nas beiradas para sentir o silêncio das palavras. uma prece da essência dos sentidos.

muigo belo.

beijo.

luiz gustavo disse...

" poema para fukushima "




como um relâmpago
o dia intenso aturde
o céu sem nuvens

lá fora o uivo do vento
e com o crepúsculo
compartilho tudo isso

nesta tarde fria
a mesma garça mostra
os mesmos caminhos

na mesma tarde fria
o segredo do crepúsculo
em silêncio se revela


ah ! o crepúsculo !
ao som do vento terral
sentado contemplo

- toda solidão -

e sob um céu leitoso
quase invisível e serena
a garça branca

ah ! céu sem nuvens !
atrai meu olhar o luar
sobre as montanhas

eis a lua cheia -
na próxima saberei
se aqui vou estar

à noite
as nuvens passam
perto dos montes:

- é chuva agora -