segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Haicais do mar em desatino





uma concha sussurra ao pé do ouvido 
preces embaralhadas 
no som do mar embevecido 


 na espuma das esferas em brio 
um peixe passa em silêncio 
desliza em passo quente 


 o sal do mar derrama 
 na face bruta do cais 
lágrimas de pedra





14 comentários:

Ana disse...

Muito bonito Lú. Beijinhos

Sandrio cândido. disse...

" lagrimas de pedra"
Luiza esta imagem só já me diz muito
lindo!
abraços

Mima disse...

as conchas sussurram tantos segredos do mar...

[belíssimo poema]

abração,

mima.

Celso Mendes disse...

lágrimas do mar
arranham a dura
face da pedra

muito belos, Luiza!

beijo.

D.Everson disse...

BONITOS HAICAIS =]

Ribeiro Pedreira disse...

a eterna peleja entre o mar e as pedras e tudo que verseja em torno.

Tatiana Moreira disse...

Versejar assim é lindo!

Um abraço carinhoso

Leonardo B. disse...

[maré, a parte do mar na raiz da poesia]

um imenso abraço, Luiza

Leonardo B.

dade amorim disse...

O mar é todo feito de lágrimas, disse um autor português. E teus haicais estão perfeitos e lindos.
Beijos.

Anônimo disse...

Parabens pelos haicais, estão lindos!
Beijos
Renato

Assis Freitas disse...

o mar é dístico
vem e vai, vai e vem



beijo

Carla Diacov disse...

Desenhos e versos encantadores, Luiza!
Beijos.

luiz gustavo disse...

no labirinto da solidão

(poema para fukushima II)




o tronco do pinheiro
é tudo o que me resta
nesta estrada vazia

a vibrante andorinha
anda rindo de mim
na varanda de pedra

onde inclinam-se
sob a chuva da tarde
folhas da bananeira

um bem-te-vi
sobre o telhado
também olha longe

de pés descalços
já sob a lua de julho
à beira do riacho

sinto o toque da brisa
entre raríssimos lírios
meus olhos de cristal

a inolvidável beleza
que sobe o monte gelado
da casa amarela

em grande silêncio
onde o tronco do pinheiro
me (a)guarda

respiro incenso
e o tempo aqui começa
enluarando o céu

como se fosse além
entre os sentidos
da garça alvíssima

agora a tarde
à beira do lago
incendeia-se

subitamente
balançam ao salto das rãs
adormecidas tulipas

a brisa que se eleva
sobre o charco
de pedras roladas

na neblina
onde a memória contempla
a essência do salgueiro

como as nuvens
seiva que se mostra única
ao vôo da mariposa

na noite
o vento sopra mais
insípido e bêbado

aqui estou
como um pássaro encarnado
silhueta esbelta

sobre os ramos do pinheiro
num instante de vértebra
o simples é esplêndido

este precioso
canto do canário
nas altas copas

num (es)talo de grama
resta agora o estrídulo
do falante grilo

um sorriso-mel da abelha
sobre a flor bela
esta divina donzela

uma borboleta
sai sonhando em círculos
do bambuzal

pousando
sobre o alpendre
da minha varanda

já em penumbra
exposta aos tendões
do amanhecer

Jorge Pimenta disse...

" o sal do mar derrama
na face bruta do cais
lágrimas de pedra"

é a força do mar, querida amiga,
é a imensidão dos teus versos!

beijos!