segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Relato sobre pássaros

Deixar ser o verbo, a poesia, a vida no movimento constante da procura pela libertação do ser é tarefa de muitos, realizada por poucos. Deixar ser o que tiver de ser na luta diária de se desamarrar das nossas próprias amarras. Acreditar na capacidade e na beleza de ser simplesmente o que se é e deixar fluir. Deixar fluir a gama de pássaros que vem e vão em vão! Pássaros idéias, pássaros poemas, pássaros afetos, pássaros desenhos, pássaros preces, pássaros silêncios, pássaros músicas, pássaros canções, pássaros desejos, pássaros ações. Existem pássaros por toda a parte. pássaros presos, pássaros soltos, pássaros mortos. Libertem os pássaros, deixe que eles voem para onde quiserem! Capta pássaros e solta-os no movimento da vida da ação e reação da natureza. E como somos por vezes movimento incessante, inquietações turbulantes quanto existem revoadas de pássaros na alma que mais parecem surtos. Aprendamos a escutar o canto dos pássaros, seus ritmos, suas passagens, suas preces e até os seus silêncios. E por fim não deixemos os pássaros enjaulados dentro de nós!


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Fenda


teu corpo abriga minha pele
teu seio sugere um esboço
tua alma se encaixa na minha
teus olhos é como voltar pra dentro de ti
e recordar anseios perdidos ao vento
passa teus lábios no meu
tempo

tua pele terna esperança
que dança no mar
e os peixes oram para ti
nadam...

nada convoca o silêncio
beijo o tempo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


per(verso) é o verso
que quer percorrer
todo o teu corpo


Para um sorriso sem fim

teu sorriso sem fim
talvez um dia me mate
de tantas miragens,
mas se um dia mergulhar
nos olhos teus e me banhar
até me afogar de mar na íris
serei tão feliz

meu horizonte é ponte
até ti

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Poema para Mirze


ela versa em tom maior
dança pelo mar da poesia
exala sua alquimia

seus olhos cortam
o fundo do mar, do céu
ela revela o profundo
a música do mundo

batem as ondas no verso
o som do pássaro em lua cheia
no sol, na chuva, na chama

ela canta seu universo
sem parar
e peço: continue

poema para Mirze*
wwwmeulampejo.blogspot.com





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Poema em oferenda de carnaval


para ti ofereço palavras sem destino
como asas em céu noturno
o único fragmento que sobrou de mim

além do mar
na beira do teu sorriso
além do sol
no toque da pele
além do cansaço
de todos os dias

é carnaval
e te chamo para dançar
como se amanhã não houvesse


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Meia noite de mistério

é madrugada e teus olhos dançam
pelas constelações dos sonhos
negro céu, pássaro estrela

voa pelo infinito, na sinfonia
dos olhos mais lindos
que chovem mistérios

indecifráveis*

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Som

como todo verso
nasceu de repente
embebido de silêncio

abandonou sua cruz
lentamente em um único acorde
desistiu de mentir para si

descansou o corpo na terra
pousou seus ouvidos no chão
escutou atentamente
e fez sua última canção

já nada mais importava
além do som da terra
além do som do amor



domingo, 12 de fevereiro de 2012

Prece Sinuosa



para escutar a prece das flores 
eleva-se até a imensidão 
o instante pássaro... 
que flores também dançam 
e utilizam suas pétalas 
como asas para sonhar 
desde a raíz 
e mergulham na terra, 
se alimentam de magma 
que parte da flor é fruto 
sumo de desejo na boca





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Haicais em desatino

lírios e lábios
desejos de céu
asas de amar

cais em garoa
perfume de jasmins e sol
luz nos olhos

dançam os lábios
na umidade da pele
o brilho do sol

nos vãos do silêncio
arde a atmosfera
de um beijo


*

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na janela dos interiores



na janela dos interiores
jaz um silêncio profundo
na espera de um sorriso
que faça os olhos brilharem
em gesto contido
de desejo que derrama ao fundo
um beijo nos olhos feridos

Luiza Maciel



"e há uma vidraça
entalhada de belo
e qualquer resquício que cativa o olhar
e não mingue num fechar abrupto
de uma tempestade furiosa, nem se desfaça
vertendo versos escorridos nos vão dos olhos, em sol ardente.

há um entalhe
um detalhe mínimo
e singelo nas floreiras da minha janela
na curva da escada por onde avisto
o jardim e esse silêncio que me diz
muito mais que mil palavras."

Samara Bassi


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

dentro da poesia


(foto editada - Luiza Maciel)


entreguei ao nada
a última pedra
que apodrecia no peito
entre mil vãos
dentro da poesia
tinha certeza
que ela sobreviveria infinda,
mas deixou apenas
um broto de pedra
pequenina em algum lugar
de mim




a morada da poesia?
o oco da viola
do coração
o vazio no azul
a bailar na ventania
o pó entre os dedos
dos pés
um sorriso inocente
aquela folha solitária
no ar
ou entre a multidão
nos olhos ela nasce
e cresce
um dia ela morre?
ou acenderá sua luz?
quando tudo desaba
lembro do pó
nos dedos dos pés
acho que eles cantam





*