Música!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Para engrandecer ínfimos

para engrandecer ínfimos
pouso os ouvidos no silêncio
escuto notas revolvidas de esperas
um toque quase infinito
por ser tão bela embora grite
a esperança que nasce
é limite da imperfeição


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Dentro de botas impressionistas


estive dentro de botas impressionistas
é incrível como as coisas se destacam
quando somos ínfimos perto de imensidões,
caos que dança em harmonia
de sintonia escura em escuridão terna
misturada com os sonhos
de morar em uma bota impressionista
onde a solidão é compania
sonhei que pintava dentro da bota
os detalhes de dentro
cores de beleza inimagináveis
deitava na sola e olhava o céu
e uma imensidão lá estava
vasta de ínfimos...





quarta-feira, 23 de maio de 2012

enquanto eu dormia no girassol de Van Gogh

enquanto eu dormia no girassol de Van Gogh
sonhava alto pássaros ao pôr do sol
planavam em círculos no girassol que eu dormia
o canto era belo demais,
como as músicas que escutamos somente em sonhos
como as pessoas que só aparecem de repente
tu surgias banhado de sol a musicar meus horizontes
e de repente o girassol no qual dormia eram teus braços
e teus braços se transformavam em pássaros
e eu voava no céu em paisagens de Van Gogh
como uma pequena mosca feliz


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Caminhei dentro de um girassol de Van Gogh


caminhei dentro de um girassol de Van Gogh
escorreguei pela tinta sobreposta
cochilei no miolo do girassol
sorriu Vincent em expansão de cores
amarelas notas brotavam de seus lábios
vi dançarem girassóis na noite estrelada
dos sonhos de Akira Kurosawa

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Qual verso mágico...

qual verso mágico abrirá as janelas
para iluminar nossos pensamentos?
qual poema fará dançarem luzes
no seio de toda esperança?

a prece de um silêncio sem fim
abrirá as portas que escolhes
na casa onde moras
acende a luz...

o silêncio transborda

o silêncio transborda nos teus olhos
e eu sei que o infinito mora lá
nesse mar de enchente

basta sussurrar amor
que te escuto
aqui, no tão distante

na beira da loucura
ouço preces desesperadas
de adeus


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Que arda o silêncio...

que arda o silêncio
no poema que não quer se despir

que morram as palavras
que não são genuínas

que cortem minhas mãos
que já não tecem esperanças

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pequeno poema semente


germina a semente na língua
silêncio que espera seu tom
na revelação do tato
até o céu da boca

(Luiza Maciel Nogueira)


"Pequeno poema

Somente semente
Veludo largado
Na língua que
Nos germina."

(Ricardo António Alves)


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Queria atravessar todos os mares...

queria atravessar todos os mares
apenas para te encontrar

mas o tempo se fez pedra
no desencontro das areias

no precipício de um salto
uma única lágrima caiu

domingo, 6 de maio de 2012

Quando


quando o tempo ecoava nos teus olhos
eu era prosa de horizonte infindo

quando a música tocava nosso vazio
eu era canção do nada a pulsar

quando tua pele abrigava a minha
eu era a poesia de todos os corpos

quando o silêncio me consome
viro pausa, espaço em branco sem destino

quando desisto de ti
o infinito recolhe tantas lágrimas

quando nunca voltares
serei apenas pó, um nada a dançar em sopros