Música!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quando nú

a minha preguiça é do tamanho do oceano
ondulam as pálpebras, querem cerrar-se
para sonhar no indizível mistério
no tempo do nunca, sem pressa de nada

para libertar revoadas de pássaros,
plantar sementes de esperanças,
escutar o silêncio, deixar o tempo se despir
e quando nú: lavar em banho maria
esperar sorrirem as lembranças e seus musgos
aguardar as pedras se saberem pássaros
para voar junto

quarta-feira, 27 de junho de 2012

(2010)



rio de lume e essa ironia inocente
um poema pra mim
perco o cais no fundo do mar
amor pra quê
gota de chuva, sonho, nada
absoluto, infinito, bruto
e essa palavra encerra nosso encontro
adeus ironia, vou-me embora
porque tenho fé na poesia
apesar de tudo, de todo mal ou bem
apesar da imperfeição, do caos,
da miséria, do desespero, dos desencontros, da dor
você deve rir de mim, mas já não ligo tanto
só me atinge o que tinge
meu coração de vermelho





*

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Galáxia

guardas uma galáxia
e esse é seu segredo mais sincero
preces de silêncio e solidão
tua pele de alma é feita de estrelas,
cometas, buracos negros, constelações,
sóis, mundos, asteroides
e todo ínfimo que lá resiste
por amor ou desassossego
de querer ser sempre mais



*

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre algum silêncio XII


pudera ser ponte
e a realidade
não era um muro
impossível de pisar
pudera ser silêncio
e o tempo
não seria grito
a doer ouvidos
errantes
prestes a perder
sons


*

terça-feira, 12 de junho de 2012

Errante

(Sopro - por Luiza Maciel Nogueira)


escuto...
às vezes só escuto
tento decifrar algum som 
mas algo diz errante 
meus ouvidos me traem 
quando ouço uma canção, 
um poema ou um sopro
que não é pra mim 
mas se torna meu



*

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tantos segredos

tantos segredos
dançam em ínfimos
que revelam imensidões
e tu mal sabes amor
que já morei no teu riso
de pássaro
embora se diga triste
um sorriso é sempre
uma imensidão
como os olhos
são sempre infinitos
e a pele
um mar de sonhos
onde qualquer onda
toca o resto do oceano

Lá em Transfigurações

caminhei nesse canto lindo junto com Joelma:

http://transfiguracoes.blogspot.com.br/2012/06/seta-e-o-caminho-parte-i-com-luiza.html

Sorriso

há um absurdo
no teu riso
que incita pássaros
em revoadas de luz
e acorda o silêncio
cheio de música:
quase como sol

Pudera ser tempo


o absurdo ressoa lindo
pudera ser tempo
de passarinhar
em vôos matutinos
intergaláticos paradisíacos
cantar até a madrugada
sem medo da escuridão


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Depois do silêncio

depois de tudo
o silêncio permanece
o silêncio é verso sem fim
nos ouvidos de um sonhador
é também morte lenta


depois,
nada ainda compensa