quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A palavra como oferenda

a palavra como oferenda
e sua infinidade de propósitos:
cicatrizar feridas
abrir uma porta, uma janela, uma frestinha
um milímetro nos olhos
espalhar uma sujeirinha, um pedaço de pó,
uma partícula ínfima de luz
beijar uns olhos dormentes
bagunçar umas convicções
lançar pontos de interrogação
ser parte do silêncio, da vida, da morte
morar na pupila de um desconhecido
no paraíso de uns olhos lindos
repletos de esperança adormecida
ou esperança pura, viva, serena
tais como os olhos das crianças
aqueles olhos que dançam pela palavra
e brincam de fazer sorrir a letra
para a palavra sonhar sua essência,
seu sumo, seu néctar, sua alma
deixar voar a palavra, a sílaba, o som
até onde o impossível for absurdo

(a palavra bem dita, dita com amor
silencia um mistério grandioso
cujos olhos não alcançam
quem sabe um coração
saberá escutar...)


4 comentários:

Assis Freitas disse...

pura dádiva,


beijo

LauraAlberto disse...

há palavras assim, que fazem magia

beijinho

dade amorim disse...

A palavra tem poder, sim. E às vezes até adivinha o que é preciso para minorar os males de alguém.
Lindo poema, Luiza!
Beijo beijo.

Ribeiro Pedreira disse...

tem olhos que não dizem palavras e criam sensações como este poema.

belo!