Música!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu queria escrever um poema bonito

eu queria escrever um poema bonito
que faça sorrir, um poema hilário,
que nasçam pássaros na tua gargalhada
um poema simples, mas essencial
que abra os olhos para o amor,
para a ternura e o carinho
algo assim dengoso e entregue
sem confusão, mágoa ou ressentimento
algo que alimente o amor pela vida
que faça compreender
o papel da paz tanto quanto o do caos,
que diminua a pressa e te faça consciente,
que te tire do cansaço e te dê vontade
de dançar infinitamente
algo sem explicação e sem lamento
essa coisa de amar a palavra da boca,
escutar o silêncio de tudo, respeitar todo mistério,
esperar o melhor do agora, do instante, do já,
para não se prender em delírios sem fim
não querer saber demais o que não se explica
era isso que eu queria
um poema composto de absurdos,
um dos teus sorrisos
e se eu tiver uma sorte imensa
um abraço do infinito vindo de ti
porque cada pessoa é um infinito
um pedaço do delírio mais lindo
uma música, um silêncio, um oceano
e é preciso expandir

terça-feira, 23 de abril de 2013

Eu vi um fantasma II


o que querem meus fantasmas
me mostrar o infinito? a dor?
o distúrbio? a loucura?
obssessão? amor?
o que querem estes fantasmas
que não param de surgir na minha frente
com faces semelhantes, jeitos parecidos
sorrisos que salvam, confundem, instigam
o que querem eles comigo
que não param de aparecer
quem são e para onde irão,
o que planejam?
serão fantasmas, pessoas, sonhos
existem sorrisos que salvam
olhos que enlouquecem
tempo suficiente para quase tudo
sorriso suficiente até o fim do mundo
tempo que sobra para sonhar o agora
na pele de todos os sentidos
na superfície do já
a paz ou o caos prevalece
e o que prevalece
CRESCE


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Eu vi um fantasma


eu vi um fantasma
que tinha os teus olhos,
teu sorriso, tua pele
era doce e me procurava
seus olhos eram de sombra e noite,
da madrugada mais densa
eu também parecia com alguém
que ele já conhecia
todos nós parecemos com alguém
alguém que já se foi
alguém que já não volta mais
na história das minhas retinas
eu vi tantos fantasmas
que se pareciam uns com os outros
que quase os confundi
contigo que nunca conheci
acho que nunca sequer te vi
mas todos esses fantasmas
se parecem contigo
e quase sempre me assusto
quando os vejo
tenho uma coleção de fantasmas
que parecem a mesma pessoa
todos com diferentes nomes
diferentes vidas, diferentes faces
mas tão iguais



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pão caseiro

juntei todos os ingredientes
bati na mão a massa
construí uma meleca
coloquei na forma
a massa cresceu até transbordar
fiz a maior meleca no forno
dividi a massa em duas
tentei de novo
o pão ficou pronto
a vitória de ter conseguido
o paladar agradecido
a felicidade de construir a massa
esperar crescer
ver o pão bonito
provar o gosto da própria vitória
pode ser apenas um pão para uns,
mas para mim é o Pão!

quer fazer também? veja a receita que eu usei:

http://www.almanaqueculinario.com.br/receita/massas/po-caseiro-de-liquidificador-27028.html
(usei somente 10gr de fermento biológico)


domingo, 7 de abril de 2013

A morte cai como pluma


a morte cai como pluma
nos dias não amados
apaga lentamente qualquer chama
sem saber que desaparece
toca o impossível
o absurdo da cabeça aos pés
a morte dos dias mal amados
tem gosto de tédio
e revolve por dentro
a negação do instante
o labirinto da enchente
do passado que quer passar
para o presente dançar
dentro do agora
seu primeiro passo
sempre primevo
banhado da novidade
da imensidão de um por vir

*ps: eu sei que essa imagem é repetitiva, mas eu adoro ela!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pedaço de ilusão


eu vi um pedaço de ilusão
através do teu coração
e amei a mentira mais bela
a máscara das eras
minha fera
quis matar a ilusão
ah, o início da ilusão
tem um pedaço do coração
que ora pelo sentimento que vigora
Paixão!
"fogo que se arde sem se ver"
na tela do precipício
no mar da enchente que transborda
na chuva que cai e não molha
num pedaço, lá no fundo
onde o tempo esquece de passar
num pedaço, lá no fundo
onde o vento faz sua prece
sussurrando a lembrança
esperança que traduz
o silêncio de quem partiu
o nosso coração
que se esvaiu numa simples ilusão
numa estória que a memória
um dia vai esquecer que existiu

*imagem meramente ilustrativa