quarta-feira, 31 de julho de 2013

Dentro da poesia

dentro da poesia 
lá no interior do verso
jaz a essência da luz em suspensão
na intenção de quem escreve
e também nos olhos de quem lê
do encontro entre poeta e leitor
dos sons das vidas em união
jaz na estrada nos olhos 
a ternura, a entrega, a poesia
também os muros, também as pontes
também as sombras, também as mortes
jaz silêncio, jaz sonho, jaz semente
e jaz também amor
amor pouco, mas amor



terça-feira, 30 de julho de 2013

Grávida da escuridão mais profunda




sob vendas ela engravida da escuridão mais profunda
o tanto do sofrimento e da felicidade compartilhada 
que se transforma em Ser
Ser que chega ao mundo para ensinar, aprender e ser
expandir a sua luz da escuridão mais profunda 
do amor que faz luzir mágicos entretantos
entre os vãos do silêncio ou da gritaria
da paz ou do caos, do óbvio ou do mistério
de uma qualquer história



*Arte: Daunhaus

Poema dos mares da memória

esqueceste, viraste as costas para os mares
não quiseste escutar a nudez das conchas,
a oração da água, o delírio frio da água
o delírio frio da água, a ilusão da memória
foste o sal da areia, o verso sem fim do silêncio
da música que ainda resta dentro de um pequeno amor
dentro da batida mais leviana da vida de um amor
não colhes o que não plantas,
recebes somente o que plantas
depois, depois de um longo silêncio,
depois de todo sofrimento
quando já se cansa de sofrer
que assim seja a prece de todo fim e de todo início
acordas, lembras, agora encaras de frente os mares
contemplas a nudez das conchas e escutas
a oração da água, o delírio frio da água
a ilusão da memória
e então já podes ser também um pedaço do silêncio,
e podes dançar nos mares a embriaguez lúcida de ser mar e memória



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Prece de luzir entretantos

luz sob a face de toda palavra,
luz sob olhos da escuridão,
luz pequenina que não cega,
mas indica caminhos,
luz em toda forma de compreensão,
luz num pedaço fino de ilusão,
que ainda não se vê,
luz nas paredes de um muro,
que se quer romper,
luz na vontade de luzir,
luz nas mãos do tempo,
luz na morada do ser,
luz onde jamais esteve luz,
luz onde falta luz,
e sombra onde a luz vai nos cegar


terça-feira, 23 de julho de 2013

Da prece que ressoa


sorriso de luz em eternidade
paira sob a beleza da pele
da pele de qualquer corpo
do corpo de qualquer essência
da essência de qualquer sonho
do sonho de qualquer ser
do ser da luz que há em todos
e em todos os instantes 
que parecem nada
do nada que é tanto 
que não tem fim
em expressar o silêncio 
silêncio da rua nua do tempo
do tempo que é nosso
da rua nua que paira nos olhos
da pele de qualquer caminho
do caminho que é passo
do passo que é caminho


*


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Prece da Água


do mínimo até o máximo, 
das águas que nos compõem
corpo, lembrança, sentimento
rio, enchente, chuva, oceano
das águas de nós, 
das águas em nós
condutoras de sentido, 
que ao ler veja sua sina
que ao iluminar cresça
que ao crescer ame
e ao amar 
purifique água
reinvente água
água que dança 
por todos os poros da memória
para reinventar história

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Turquesa


o brio da pedra carregava o mar
luzia quando era de esperança sua sina
e a luz a atingia como que por fé
na existência bela de uma alma sem fim
à procura pela libertação, pelo amor,
pelo perdão que tanto tocou seu coração
no dia em que enxergou um pedaço de Deus
dentro de si, dentro de tudo...

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Prece para o grande amor


grande amor, perdidamente
peço ao Universo que te ilumine
que seja banhado a felicidade
que te perca em alegrias, sorrisos, esperanças
grande amor que tanto tempo lhe tenho
que seja doce, eterno e saudável
que só engrandece a sorte de quem o conhece
rico é quem já viu o grande amor sorrir
mais rico ainda quem dorme junto ao amor
grande amor, perdidamente 
faça da vida tua morada, teu caminho, teu poema