terça-feira, 30 de julho de 2013

Poema dos mares da memória

esqueceste, viraste as costas para os mares
não quiseste escutar a nudez das conchas,
a oração da água, o delírio frio da água
o delírio frio da água, a ilusão da memória
foste o sal da areia, o verso sem fim do silêncio
da música que ainda resta dentro de um pequeno amor
dentro da batida mais leviana da vida de um amor
não colhes o que não plantas,
recebes somente o que plantas
depois, depois de um longo silêncio,
depois de todo sofrimento
quando já se cansa de sofrer
que assim seja a prece de todo fim e de todo início
acordas, lembras, agora encaras de frente os mares
contemplas a nudez das conchas e escutas
a oração da água, o delírio frio da água
a ilusão da memória
e então já podes ser também um pedaço do silêncio,
e podes dançar nos mares a embriaguez lúcida de ser mar e memória



Um comentário:

Assis Freitas disse...

um poema imenso
como um mar
que se queda tenso



beijo