Música!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Para sonhar entretantos

Aquarela de Eric Ravilious (1903-1942) - "Cucumber House"

É preciso sonhar a arte para ela existir. E quando a arte já existe ganha novos sabores, novas texturas, novos olhares com outros olhos além do olhar do próprio artista. Quem faz arte dá sentido à arte e quem dá sentido é quem vê, quem sente, quem escuta a arte na arte. Mergulhar na arte e aprender a escutar o que nela reside e ecoa em nós é um treino de sonhar entretantos. Tantos entres em tantos espaços de tempo, de beleza, de notas de música, de pássaros querendo sair do artista, de energias infinitas. Os verdes, azuis, marrons, as cores pastéis de Eric evocam a mais bela paz, um desejo de paz diante da guerra, alguma tristeza também. Existe um desejo de ordem em tanta desordem, uma tentativa de assimilar a beleza diante de tanta tristeza. A profundidade das cores incitam mistério. O belo mistério no interior do artista. A elaboração da perspectiva indica distância, a vontade de se distanciar da realidade ao perceber a absurdez da realidade. Ao mesmo tempo a percepção do sonho como algo trancado, sem liberdade e sem tanto espaço para fluir. Já que Eric viveu em tempos de guerra em meio à guerra. Como todos nós também muitas vezes vivemos em guerras não só externas mas principalmente internas. E muitas vezes nem percebemos que a guerra principal é aquela que reside em nós e a principal que causa guerras externas. Como a falta de tato para detectar o sentimento de quem está ao nosso lado. Como a ausência de sensibilidade com o mundo, a natureza, os animais. Como a ausência de sensibilidade e perdão com nós mesmos principalmente. Pois a guerra interna é somente projetada no mundo externo pois nós não cuidamos de nós, da nossa natureza, do próximo. Pois tudo é extensão do nosso corpo, nosso mundo, nosso eu. E se esse tudo é nosso, vamos cuidar de tudo. Pelo menos do espaço do mundo que nos compete cuidar. Do que está ao nosso alcance e o que não está sonhamos por um mundo melhor fazendo o que podemos e provando da nossa arte. A arte que já está, a arte que é e a arte que será um dia quem sabe.  

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