quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Frágil pétala

Frágil pétala 
Dança sob o céu 
nos braços da esperança ela dança 
Sob nuvens, sob o amor
Sob pássaros, sob o beija flor
Beija, abraça, encontra a sua luz
e morre sob o horizonte, sob o monte
do infinito

perdida na esperança 
ela dança nos braços do ar
e ama o tempo que passa
o desejo que rasga
a saudade de voar
sob teu sorriso
sob teu piso
sob teu amor

domingo, 27 de dezembro de 2015

Você venceu


Você venceu
venceu meu coração 
agora vem 
vem desilusão 
ditar o meu caminho
nos arredores da paixão 

agora vem
vem desilusão 
fazer meus passos
sob o mar da oração 
vem
vem desilusão 
não me ilude não 
eu preciso acordar e viver
não mais sonhar
não mais querer entender
quem cruzou o meu caminho
e me paralisou diante dos espinhos

agora vem 
vem desilusão 
me ensinar a tua oração 
que eu preciso de proteção 
para não cair nos braços da ilusão

sábado, 26 de dezembro de 2015

Diálogos Fictícios: Monólogo


- Pedro eu não vou mais correr contra o tempo, contra a correnteza, contra as ondas que querem me levar para longe, bem longe de ti. Dessa vez vou aceitar o meu destino, a minha tristeza de não te ter perto de mim, a minha felicidade de estar onde estou, de ser quem eu sou, de as vezes ser quem não sou também. Eu vou aceitar que você já foi embora e não existe nada que eu possa fazer que eu já não tenha feito para recuperar o tempo perdido. Vou aceitar que eu te amei a minha maneira e parar de evitar o que eu sinto. Eu vou aceitar que o tempo se foi e que eu só posso voltar nele na lembrança como uma forma de esperança. Vou aceitar porque tentar evitar só me causará mais sofrimento.  Eu vou aceitar meu caminho com lágrimas, com sorrisos, com tédio, com emoção. Seja o que vier e como vier. Eu vou aceitar. Vou ser mais fiel a mim mesma e aceitar que eu nada sei da vida, da morte, do amor, da dor, dos sonhos, da realidade, enfim de tudo. Eu não sei nada e se pra você pareço saber algo é porque você me pintou de alguma cor que não é a minha cor de incógnita, indefinível. Eu vou aceitar também que tudo não passou de uma ilusão e que a realidade é muito difícil para lidar. Eu vou aceitar simplesmente aceitar e talvez assim eu seja mais fiel ao que sou, ao que fui, ao que serei um dia quem sabe.

*

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Diálogos fictícios: Ninguém


- Pedro quando eu te disse que gostaria de ser tratada como qualquer pessoa nunca jamais pensei que pra você qualquer pessoa se trata como lixo. Me pergunto se você não tem algum remorso pelo que fez comigo, por como eu te pintei de ouro e você ao contrário só me jogou no lixo. Se eu sou ninguém pra você farei com que você seja ninguém para mim. Talvez você nem se importe tanto afinal pra você eu sou ninguém.

- Bruna por mais ninguém que você fosse, por mais que eu tentasse te tornar ninguém, nunca consegui de fato. 

- Fui me distanciando tanto procurando pelas migalhas que você deixava pra mim no meio do caminho. Eu não mereço viver de migalhas Pedro. Você não merece o meu tempo, a minha atenção. Vou te transformar em ninguém a partir de agora.

- Bruna?

(um grande silêncio pairava no infinito como se de ninguém tratasse) 

*Para Bruna era muito mais fácil culpar Pedro do que responsabilizar-se sozinha por sua vida. Veja bem é muito mais fácil colocar a culpa no outro do que assumir responsabilidade pela sua própria felicidade/infelicidade. E assim às vezes com raiva às vezes com amor Bruna continuava com sentimentos ambíguos por Pedro. Na rua do esquecimento derrubou sua última lágrima que libertou seu coração inteiramente.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

é meu aniversário

É meu aniversário e sem explicação estou feliz, feliz, feliz! Sorrio para todos que passam por mim me presenteando ao oferecer sorrisos e olhos nos olhos em desconhecidos. Sorrio porque afinal a vida me é rica demais, boa demais, demais, demais. É tudo demasiado que sinto e é maravilhoso poder sentir e não estar alienada. Viver, viver e viver e sonhar também é maravilhoso. Não importa se eu encontrar um mau humorado no meio do caminho eu vou sorrir e vou cantar a música do meu coração em oração eterna de bons dias, bons sonhos, bons instantes! Agradeço, agradeço a cada respiração por existir e ter em minhas mãos a possibilidade de viver mais um instante. A todos que passaram por mim, aos pássaros seja qual for sua cor, credo, religião, endereço. Agradeço. Obrigada pela presença em forma de abraço, em forma de sorriso, em forma de poema, em forma de palavras, em forma de música, em forma de olhares, em forma seja qual for a forma da poesia que ressoa em tudo e em todos. Obrigada, obrigada, obrigada!

*

domingo, 20 de dezembro de 2015

Esbarro...


esbarro em ti
esbarro sempre em ti
em todas as esquinas
nas avenidas, na rua, na noite
o destino deve ser esbarrar em ti
e ser aquela que passa
que invade a festa
incomoda e bebe todas
dança em cima da mesa
e vai embora embriagada,
quase feliz

esbarro em ti,
como partícula de pó intragável
como um nada
perdido no manto do abraço
ferido em coração de aço

Diálogos fictícios: No limite

Bruna - Pedro vou ficar uns bons anos sem escutar músicas com letras de amor, dor ou qualquer letra que seja. Elas exercem um poder quase hipnótico sobre mim. Parece que são todas pra mim. Como se eu fosse o umbigo do mundo e o mundo girasse ao meu redor.

Pedro - É só você saber disso que não é o umbigo do mundo e pronto pode escutá-las.

Bruna - É maior que eu Pedro, não consigo controlar as vezes. Só música instrumental, de línguas que eu não saberei decifrar e orquestras a partir de hoje até sabe-se lá quantas décadas.

Pedro - Que pena Bruna!

Bruna - É para a minha sanidade Pedro. Tenho que reconhecer meus limites.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Quando a gente nasce

quando a gente nasce
é criança 
só sorriso, esperança 
e chora de dor, de fome
e por falta de amor

quando a gente cresce
a gente se esquece
quando a gente vive
se inibe
quando a gente morre
a gente se perdeu

quando a gente se perdeu
se encontra
quando a gente se encontra
se perdeu
se perdeu, encontra
encontra, se perdeu

quando a gente nasce
morreu
quando a gente morre
nasceu
morre e nasce
nasce e morre
em um ciclo de vida e morte
até que um dia
a gente vira luz
pulsando pulsando no infinito
piscando, piscando, piscando...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Diálogos fictícios: Quebrado


Pedro - Naquele instante quando ainda você me amava Bruna, quando eu ainda alimentava seus sonhos, quando eu ainda tinha coragem de te enganar, naquele instante o mundo parecia tão mais bonito Bruna.

Bruna - Não Pedro, não era. Era insuportável e você sabe disso. Porque você insiste em recordar o que é insuportável faz parte da natureza humana. Focamos muito mais nas tragédias do que nas alegrias. Porque você acha que os jornais estão cheios de notícias ruins? Todo homem adora uma tragédia, um drama, uma história triste para contar. Agora não venha me falar que era bom, porque não era. Não foi bom e eu tive que florear a memória para a lembrança se tornar suportável. Porque na verdade foi o inferno. E nós dois sabemos que foi e agora está quebrado. Quebrado, partido, sem concerto. Sem palavra, presença ou música que nos cure.

Pedro - Você adora uma tragédia né Bruna?

*

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Diálogos fictícios: Entre quase irmãos

Bruna - Pedro eu sei que faz uns bons meses que não nos falamos mas eu sinto que você não está bem, que você precisa de um ombro amigo, de alguém para contar. Faz uns anos talvez que não conversamos mas você poderá sempre contar comigo. Me diga você está bem?

Pedro - Bruna não sei como você sabe mas eu estou ruim a beça por causa de Sofia.

Bruna - Pedro meu querido amigo eu sinto no meu coração pela nossa ligação fora do normal entre quase irmãos que somos que você precisa de ajuda, de alguém que te faça sentir melhor. E ainda que não seja eu por favor procure ajuda, procure alguém. Não fique sozinho. Não se isole. Por favor cuide de você, do teu coração. E sim pode contar comigo como sua amiga. Ainda que naquele dia tenha dito que não queria ser sua amiga pois bem, seremos amigos. Amigos para a vida toda que ofereço meu ombro pra você repousar. 



*

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ainda que as flores murchem

Meu amor,
ainda que as flores murchem
ainda que percam sua vivacidade,
seu brilho, sua cor
ainda assim darão vida a mais vida
oferecerão seu lugar
ao que precisa brotar


sábado, 12 de dezembro de 2015

Pequeno livrinho sobre pássaros

* Importante dizer que esta é apenas uma das infinitas possibilidades de visualizar o mundo, não é para se tornar um padrão de pensamento fixo e rígido do mundo e sim para expandir a visão de quem lê, observa e sente.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Diálogos Fictícios: A crise da salvação

Pedro – Você está desequilibrada emocionalmente Bruna.

Bruna – É tão visível assim Pedro?

Pedro – É, quando você começa a me procurar e me culpar e projetar todas as coisas boas e ruins em mim é porque você está na beira de uma crise.

 Bruna – Pois é Pedro, eu estou de novo na crise, na loucura de procurar onde você não está. Me dá uma luz. O que eu devo fazer pra me equilibrar novamente?

Pedro - Saiba que é você a culpada e a responsável pela sua existência e não eu. Apesar das pessoas nos influenciarem para o mal ou para o bem quem é responsável por sua vida é você. Eu sou apenas uma pessoa. Não sou seu salvador e não sou o seu algoz.

Bruna – Sim, as vezes eu gostaria que você me salvasse.

 Pedro – Eu não tenho esse poder Bruna.

*

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

já é noite


já é noite
vendavais escurecem os olhos
e é preciso observar as luzes esvoaçantes
que percorrem cada pedaço
daquilo que permanece
nos cantos tão esquecidos por nós
escutar as preces 
do agorinha tão já
que iluminam os olhos
quando as sombras se aproximam do amor


*

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O som do refeitório

talheres como bateria 
repercutem 
ventanias finas anunciam 
pequenas notas inacabadas
o falatório é um coral extremo de sintonia,
as cadeiras se arrastam
para todos os lados
o zum zum zum do ar condicionado
talheres que batem nos pratos
garfos que se cruzam com facas
o barulhinho fino da vassoura tocando no chão chhh 
refrigerantes sendo abertos
na cozinha o som é alto
tempestade sonora sem sentido 
o tremelique do ventilador
a orquestra mora em um refeitório,
em uma creche, 
em um hospital,
nas ruas, nas escolas,
na praia, nas florestas, 
nos parques urbanos
e no coração dos homens

imagine que cada pessoa ali a se alimentar
carrega em si mesma
sua própria orquestra particular
composta por toda gama de nuances
possíveis ou impossíveis de imaginar

*poema realizado um dia depois de ver o filme do Villa Lobos que recomendo muitíssimo por sinal

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Diálogos Fictícios: das sombras que invadem

Bruna começa a escrever uma carta para Pedro:

"Pedro eu poderia discorrer de mil coisas sobre você, mas isso já está começando a me fazer mal. Então eu vou parar por aqui. Já disse o quanto você foi importante pra mim o quanto você me conectou com a beleza e a arte da vida, mas o que nos conecta pode também nos desconectar e ultimamente ando pensando demais em coisas que eu sei que nunca irão para frente. Percebe? É melhor eu parar por aqui do que acabar confundindo a vida e ir te procurar novamente nas esquinas de qualquer endereço. O que você falou para mim é verdade, não tinha percebido mas é verdade. Eu queria te invadir de alguma forma e desse modo me perder em você um pouco. Apenas porque eu te adorei demais boa parte da minha vida. Mas não é possível. E eu encerro por aqui as minhas tentativas frustradas de dialogar contigo, de ir atrás de ti, de chamar a tua atenção de alguma forma, de dizer "oi, tudo bem com você?" dessa forma banal que encontrei como a única alternativa de me comunicar contigo. Já que nossos caminhos nunca se cruzam de modo que possamos tranquilamente trocar figurinhas. De modo que eu possa ser eu mesma e você possa ser você mesmo em nossas presenças, de modo que eu não fique tão louca varrida querendo fugir de você. É tarde demais Pedro, mas a vida segue. A vida sempre segue sem nós... Você percebe o quanto é sempre tarde para nós? Sempre foi tão tarde, mas eu te perdôo. Te perdôo como a música do Chico. E espero que um dia você me perdoe também..."

Bruna termina de escrever a carta a Pedro suspira, amassa e por fim joga no lixo como tantas outras cartas escritas jamais enviadas que vão parar sempre no mesmo lugar.

Do outro lado Pedro conversa no telefone com sua mais nova namorada Sofia.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Do bulbo que cresceu na varanda e virou broto, flor, vendaval II

era preciso escutar a prece silenciosa das flores
o quanto a vida fazia um esforço para nos fazer sorrir
era preciso também sorrir a beleza das flores
celebrar o crescimento da nossa natureza
observar e agradecer a energia que emana a vida
da natureza simples dos Seres em eterna gestação 
era preciso além de tudo quebrar com padrões mentais
que não seguem o curso da transformação 
 isso leva uma eternidade para ser concretizado
na realidade da impermanência a vida não para
e é preciso seguir
porque os Seres amam ainda que os seres não amem