sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Diálogos Fictícios: das sombras que invadem

Bruna começa a escrever uma carta para Pedro:

"Pedro eu poderia discorrer de mil coisas sobre você, mas isso já está começando a me fazer mal. Então eu vou parar por aqui. Já disse o quanto você foi importante pra mim o quanto você me conectou com a beleza e a arte da vida, mas o que nos conecta pode também nos desconectar e ultimamente ando pensando demais em coisas que eu sei que nunca irão para frente. Percebe? É melhor eu parar por aqui do que acabar confundindo a vida e ir te procurar novamente nas esquinas de qualquer endereço. O que você falou para mim é verdade, não tinha percebido mas é verdade. Eu queria te invadir de alguma forma e desse modo me perder em você um pouco. Apenas porque eu te adorei demais boa parte da minha vida. Mas não é possível. E eu encerro por aqui as minhas tentativas frustradas de dialogar contigo, de ir atrás de ti, de chamar a tua atenção de alguma forma, de dizer "oi, tudo bem com você?" dessa forma banal que encontrei como a única alternativa de me comunicar contigo. Já que nossos caminhos nunca se cruzam de modo que possamos tranquilamente trocar figurinhas. De modo que eu possa ser eu mesma e você possa ser você mesmo em nossas presenças, de modo que eu não fique tão louca varrida querendo fugir de você. É tarde demais Pedro, mas a vida segue. A vida sempre segue sem nós... Você percebe o quanto é sempre tarde para nós? Sempre foi tão tarde, mas eu te perdôo. Te perdôo como a música do Chico. E espero que um dia você me perdoe também..."

Bruna termina de escrever a carta a Pedro suspira, amassa e por fim joga no lixo como tantas outras cartas escritas jamais enviadas que vão parar sempre no mesmo lugar.

Do outro lado Pedro conversa no telefone com sua mais nova namorada Sofia.

Um comentário:

AC disse...

Meandros sazonais, construções ocasionais...
Entretanto, no voltear da ampulheta, novos pormenores se assimilam à vida. Bruna e Pedro terão as suas memórias, adequadas aos passos que derem em prol do que (des)acreditam.
Uns ousam, outros ficam, e haverá sempre cantores para qualquer dos rumos.

Um beijinho, Luiza :)