segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O som do refeitório

talheres como bateria 
repercutem 
ventanias finas anunciam 
pequenas notas inacabadas
o falatório é um coral extremo de sintonia,
as cadeiras se arrastam
para todos os lados
o zum zum zum do ar condicionado
talheres que batem nos pratos
garfos que se cruzam com facas
o barulhinho fino da vassoura tocando no chão chhh 
refrigerantes sendo abertos
na cozinha o som é alto
tempestade sonora sem sentido 
o tremelique do ventilador
a orquestra mora em um refeitório,
em uma creche, 
em um hospital,
nas ruas, nas escolas,
na praia, nas florestas, 
nos parques urbanos
e no coração dos homens

imagine que cada pessoa ali a se alimentar
carrega em si mesma
sua própria orquestra particular
composta por toda gama de nuances
possíveis ou impossíveis de imaginar

*poema realizado um dia depois de ver o filme do Villa Lobos que recomendo muitíssimo por sinal

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