sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Poema de quando eu te era





Eu era tu.
Eu era ele.

Eu fui um pedaço de todo mundo

e todo mundo me era.
Senti coisas não minhas
paisagens do outro que não me era.
Sedenta do outro
quis ser ninguém.
Tive sede de mim.
Ele era meu refresco
para eu fugir de mim
e nessa fuga me encontrei.



(desafio poético com imagens celebrando 4 anos criado por TaniaContreiras Arteterapeuta)

Imagem: de Alice Wellinger






domingo, 31 de julho de 2016

Despedida

Foram muitos anos de escrita, poemas, poesias, bobagens, belezas, pequenas tristezas e alegrias. Encerro por aqui meu pequeno blog, fica aqui o registro daquilo que vivi, sonhei, amei e escrevi. Novos projetos serão concretizados aí nos próximos anos, décadas como um site para a divulgação da arte e talvez dos poemas se eu tiver vontade e coragem. Pretendo me dedicar agora a escrever e ilustrar uma série de livros para crianças e concretizar meus projetos malucos de animação, teorias de arte e poesia em sintonia e de realizar algumas obras de animação com músicas clássicas brasileiras. Agradeço a todos aqueles que pousaram por aqui. Meu muito obrigada a todos que leram, viram e escutaram esse espaço.

 * fim

*Em breve posto o meu novo site recheado de novidades!

*enquanto não faço meu site estarei publicando meus desenhos no: www.desenhosluizamaciel.blogspot.com

Tenham ótimos dias!*

Agora escrevo também no site: https://osegredo.com.br/author/luiza-maciel/

terça-feira, 5 de julho de 2016

Poema para se libertar do tempo

te abraçar infinitamente 
como se amanhã não houvesse
te amar no tempo presente
sem medo do amor acabar
te fazer dançar em sorrisos
não se importar com o tempo
que passou, que passa, que vai passar
deixar estar o amor onde está
não te incomodar mais com a palavra amor
deixar ser o silêncio do jeito que deve
em silenciosa poesia de esperança 
no silêncio que jaz nos olhos

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Carta aos meus amigos de jornada

Diz-se da fábrica de criar Arte que ela não se faz sozinha e é composta de sonhadores com tempo para amar letras, pincéis ou qualquer outro instrumento de fazer arte ao se conectar com rabiscos, notas, paisagens, músicas, frases, parágrafos, narrativas. Algo que só quem não se deixa levar pelo cansaço mundano consegue realizar. Talvez tenha um cansaço diferente, único. Daqueles que só os artistas conseguem ser. Um cansaço e um sonhar ser mais por dentro, mas apenas se declarando em arte somente, criador daquilo que insiste em ser vivo mesmo através de uma pequena imensidão que insiste em girar por dentro até encontrar seu lugar fora de si. Onde a arte encontrará seu espaço para ser. Aquele sonho que um dia era agora jaz na arte que brota daquele que sonhou, esperançou em arte sua liberdade de sonhar. Existem também aqueles que expressam tão somente a essência daquilo que falta ou daquilo que transborda na forma de amor. Estes ganharão um universo na palma de suas mãos, talvez não saberão conduzir pelo cansaço ou daqueles que saberão escutarão desse universo aquilo que precisa ser gerado.

Todos somos artistas na vida buscando nosso espaço para ser e gerar a nossa mais bela obra de arte: o amor. Não aquele amor mesquinho, não aquele amor egoísta, mas aquele amor puro que somente se multiplicará quando entendermos o que é amar.

E amar é gerar amor seja qual for a forma de amor de sua preferência...é tudo um encontro sublime e até quando achamos que estamos terrivelmente em solidão profunda estaremos com certeza terrivelmente acompanhados de amigos tão amados. Somente o perdão nos ensinará o caminho do amor, o rumo para Amar. O perdão que inicia sua jornada em si e se espalhará até a última gota de amor, que se verdadeiro será para sempre infinita. Pois o amor este é elixir em infinitude, mas precisa de ser direcionado, dirigido ao que nos elevará à eterna conexão do Amor. A pegadinha é que cada qual amará segundo a sua evolução, ao seu entendimento, a sua vibração. O atalho é elevar o pensamento, inserir hábitos de elevação (ler, orar, estudar, escutar tudo aquilo que nos elevará). Pois então eis a deixa, deixo que agora se faça a vontade da consciência de cada qual em sua jornada evolutiva.

Da tua sempre amiga
 LM

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Aquela árvore

Aquela árvore que beijou a fotografia beijou os olhos do fotógrafo e beijará ainda quem quiser ser beijado ao olhar seu ser através de uma fotografia. Assim também é a vida somente receberemos aquilo que estivermos prontos para doar! Só é possível receber amor quando estamos aptos a percebê-lo nos ínfimos detalhes do mundo, imensidões ínfimas que revelam a força de nos fazer sorrir! É tudo um esforço constante para nos fazer sentir a graça que é existir! Até nas lágrimas reside essa misteriosa música que a vida quer nos oferecer constantemente. Basta estar presente! O ar, o sangue, o som, a dança da vida em constante gestação. A ti também em constante gestar de pensamentos solar, lunar ou a amar a capacidade maravilhosa de pensar e elevar-se ao sublime toque da vida no coração. Coração que bate incessantemente sua pequena grandiosa oração da vida em constante gestação.   



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Ao cair da tarde

Ás vezes ao cair da tarde o sol que porventura toca o horizonte atinge também o olhar e ai de quem aprecia uma nostalgia e continua em fase de se anestesiar de tudo que já não é, mas que vive dentro como que prestes a se revelar constantemente em cada segundo que se perde. Ai de quem que com tristeza se agarra em lágrimas e não quer soltar a dor que já foi há tempos idos. Ai de quem fica a apreciar tristezas idas que não puderam ser perdoadas pois então aí mora um perigo da alma de estar sempre parado no mesmo lugar como que a não voar. Bela era ela que voava e eu que não sei voar um dia talvez vou aprender a surfar sob os mares e ondas da pele da água cheia de si. Ai daquele que se julga inferior ao outro e não sabe que basta apenas aprender. E o aprendizado é sempre eterno e nunca para. Ai de quem finge que sabe tudo, que tudo sabe e nada aprende. Ai de quem fere o seu próprio aprendizado e diz que está muito velho para aprender, muito sofrido para viver, muito morto para acordar, muito preguiçoso para levantar. Dilemas diários de quem sabe o que é renascer, reaprender, nascer, aprender, cair como cai a tarde, como cai o sol no horizonte. Cair para depois levantar em constante vôo. Mas pássaro que voa não caí e eu digo cai sim quando atingem uma de suas asas.   

terça-feira, 12 de abril de 2016

Na poesia do sol

O sol é um Senhor de imensidões em raios para acordarem as sombras e revelarem seus doces mistérios indecifráveis. O Sol é essa luz que nos oferece calor e nos toma de poesia a alma descortinando o que antes era escuridão. O sol é esse gigantesco ser em sintonia com o mundo que só é mundo visto pelo raio de sol que nasce e ilumina cada partícula. O sol é esse ser que nasce de dia e se põe à noite enamorando-se da poesia atrás de um luar. E a lua irradia seu brilho cada vez que o sol oferece de si um bocado da sua luz. A luz do sol que aquece e nos oferta com exatidão a visão de um olhar. O que antes era escuridão, hoje já pode ser visto sob a luz irradiante de um mar em plena sinergia com o sol. Ofuscando olhares em direção ao amor. O sol é esse senhor de toda a luz que nos oferece a consciência. É preciso infinitamente agradece-lo para que não nos pare de iluminar. É preciso agradece-lo para que não esqueçamos que somos iluminados por ele a todo instante e inclusive mesmo nos dias das maiores escuridões. Essas que as vezes nos deixam em mudez de querer sempre mais, de sermos ingratos por tudo que temos, por tudo que somos, por tudo que Deus nos oferece a todo instante em forma de poesia, arte, música, encontro ou amor. Mesmo que seja aquele amor pequenino, aquele amor quase imperceptível em forma de um pequeno zumbido de pernilongo chatinho, este não deixará de ser amor.   

sexta-feira, 1 de abril de 2016

As Bailarinas



Quando sou feliz sinto as bailarinas dançarem pelo coração. Toda densidade transforma-se em leveza, toda crítica em liberdade e no final elas e eu inventamos os passos da dança em sincronia com cada sentimento, amor, luz, emoção. As bailarinas renovam, inovam, curam e cicatrizam toda ferida aberta. Enquanto sou feliz acredito nos amores, nos sonhos, nos sorrisos, em despertares da alma, em instantes luzidios e na dança de cada momento. Enquanto sou feliz as bailarinas dançam suavemente pelo coração.


 (2010)

Permita (2010)

Permita que o dia te trague um pouco de luz
e que a escuridão te proteja do demasiado do sol.

Permita que os versos sejam claros e simples
que o dia seja de coração, que a noite te adore,
que a madrugada te sonhe 
e que o sol possa nascer no teu olhar.

Permita que a poesia escute mais de quem diz
da essencia dos mares, do perfume do sol,
do silêncio do olhar e da ternura do amor.

Permita que te chegue puro e simples
como onda que repercute no mar,
como semente que brota viva no ar,
como estrada que anseia por chegar.

Permita que ame, que chore, que sinta.
Permita que seja.



*escrito em 2010, repetido hoje porque sim é preciso

terça-feira, 22 de março de 2016

Miragens, Lembranças e Encontros

(Simples)
1.
Não é pra ti. Não se engane, nunca foi pra ti. Acreditava que era, que sim, mas não. Passou tanto tempo, tantas feridas, tantas palavras ditas pra um "ti" que existiu dormente. Dorme tranquilo que nunca foi pra ti, ou viva vivo que já não digo mais só pra ti. Mas o ti aqui é pra alguém, sim pra quem quiser receber palavras, achar que toca e pensar ou sentir que ecoa algum sentido e portanto é para ti. Sempre foi assim, a música da vida é pra quem quiser escutar, pra quem quiser. Não que isso seja vida, essas palavras vazias, tão cheias de nada. Flores de nada que te devo. Nada mais, nada menos que o que quiser receber da vida. Vida com perfume, com lembrança, com lume. E o lume é só por ser esperança e tanta chama. E a chama é por ser de vida. Vida e esperança ou são sinônimos ou se complementam. Talvez os dois, ou até mais. Não sei. Talvez.


2.
Sabes que já não volto, que por não voltar também já não me arrependo. Fria, talvez mas chega de deixar que o tempo se vá assim tão depressa pelo ralo. Instantes luzidios, lembra? Pra isso se vive.


3.
Da música, da escuridão e das solidões ainda soletro alguma luz, alguma esperança. Que a luz sempre foi feita da fé que nos habita, de algum sonho que ainda não morreu. Da espera aguardo somente miragens que só alimentam beleza nos olhos. Aqueles detalhes tão vivos que nos somam. E há tempos repito é no detalhe que mora a calma. No aparentemente simples e banal mora a beleza. Na verdade a beleza mora em todo canto, em qualquer miragem que já agora virou uma lembrança. E tudo isso é também vida, é também luz. Veja bem a lembrança permanece e que bom, mas o instante luzidio corre sem fim e é bom agarrá-lo também de quando em vez, quando ecoar nos olhos alguma luz. Nos olhos e no coração. Tudo isso são encontros que vivem, intimidades que repercutem e que alimentam a esperança. Por isso amor que amo um ti. Pela intimidade da palavra, mas não se engane, não e por ti e é porque é um ti que faz ecos em mim. E portanto viva tranquilo que não me deves, não te devo e não somos. A vida é, a poesia é e poesia é vida que dança. Os instantes, versos que flutuam enraizados a ecoar nos olhos de quem estiver disposto para apreciar, para ver a dança e escutar a música da vida. 


4. 
Sim, a música da vida e os instantes dançam, a vida dança. Nada é mais tão banal. Agora percebes, agora sentes?


escrito originalmente em 2010.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Do Tudo (de 2010)

(Voar)

A imaginação faz caminho nos olhos do tempo de ternura, de viagem, de amor, de desamor, de vazios, de saudade, de nada. Tudo inventado para diversões repentinas da alma que sempre quis voar pela eternidade e as vezes pousar no instante é preciso. Alimento-me de pequenas coisas e as faço imensas repentinamente. Dessa beleza rio. O que me desperta é a sensação que invento do futuro instante, presente do universo. Universifico a esperança que acompanha cada passo, por vezes finjo o escuro, por vezes finjo a luz, por vezes finjo o nada, o vazio e danço o lume no pensamento. Não espero mais nada além do instante, mas sempre anseio a intimidade contigo. Não é suposto que entendas a sorte do quase, do ainda, do sempre e do nada. O vôo ocorre sem querer, inesperado, mas vital, brutal e essencial. O segredo é não precisar de uma resposta pronta, mas inventar as próprias respostas da alma e escutar atentamente o que elas nos querem dizer. O real é igualmente invenção. O desassossego é também presente para contemplarmos o caos da vida e irmos além da loucura. Da loucura sorver a sorte e desaprender o passado todo. Guardar o novo de cada instante no coração. Passados, presentes e futuros. Todos juntos, em união. O amor fica e vai, vai e fica e no final se espalha sobre o mundo depois de apreciarmos um bom café. Liberte-se das amarras da solidão sem aroma e navegue para além. No lume do instante mágico. Existências à parte, somos seres de muita vontade e basta um sorriso para que tudo nos faça sentido. A tristeza, essa faz parte daquilo que não soubemos amar, das nossas pequenas ou imensas inseguranças, dos instantes vazios, da pressa com que passamos sem apreciar algo ou alguém, das pequenas mortes de cada dia, do sofrer sem querer, da lágrima, da ferida, das cicatrizes da vida. Faz parte dizer, silenciar, musicar, tocar, amar e por vezes achar que tudo é uma grande miragem inalcançável. Um dia ainda vais ver que o que nos move é exatamente o que não podemos ser. Aquele brilho que queremos alcançar e que talvez não se veja que ele faz parte já de nós esperançosamente. Intenso sim, a forma como tudo se encaixa e depois bagunço para perder de vista mais uma vez. Não foi suposto dizer dos mistérios. Por isso calo, aprecio e deixo que o vento leve o que não cabe mais em mim e que dance no sem fim.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Todo Amor


Eu queria que esse mundo acabasse
em uma explosão de luz.
Versos de luz navegariam na cidade
ao redor de todo amor.

E de repente todo tempo seria
um breve instante só, sem dó, sem nó.
E tudo que restou iniciaria um dia de sol.
A primeira coisa que desenharia
seria um verso ao redor de todo amor.




poema escrito em 6 de Outubro, 2009

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Revoadas

 Revoadas alimentam os instantes recheados de pássaros livres, leves e soltos sob céu e sóis, sob ventos e redemoinhos, sob toda poesia em alforria. Sóis que perpassam e circunscrevem o horizonte em raios de asas e azuis dançantes. Pássaros em caminhos de dança anunciando a chuva, tempestade que vem para lavar o pó da secura dos tempos. Antes da chuva inicia uma garoa quase invisível não fossem os olhos mareados da água em brilho de repentina mudança. Esperança que tece vendavais de luz nas retinas de quem viu o amor passar e vê constantemente feito maravilha em mares com ilhas regadas de sonho, música e o prazer da alma que cria por criar. Cria para desapegar-se do instante que passou e para apegar-se das palavras de belo esplendor, para regar a alma de luz também. Consciente da luz da vida que emana de tudo, de todos, até o fim do mundo que não terá fim na eternidade. Eterno seu jeito de recitar a palavra mais sincera, tão terno encontro em meus ouvidos escutam a maciez de um beijo concebido. Beija o instante e a poesia virá. Bela e circundante até a ternura brotar e em nossos corações cantar a alegria de viver mais um dia. Alegria de não querer segurar nada para si e apenas espalhar esse pó de purpurina cristalina que as palavras ofertam em abraço de purpurina que quer grudar em ti e lá ficar a contemplar tudo que lá reside. Reside uma imensa poesia múltipla, inteira, inexplicável em todo teu ser amável. Poesia que não termina, infinda, natural, simples que mora no espaço do ínfimo e no espaço do imenso. Imenso feito horizonte de nascer de sóis uns atrás dos outros. Tão belo que qualquer arte será insignificante perto da essência disso, mas insisto em captar o mínimo daquilo que se fez para ser escrito. 
Escrevo para relatar a inexplicável, inexprimível, inimaginável força que existe em cada olhar, coração, pele, pedacinho de ti que se mistura com tudo em dança, poesia, música em ritmo crescente para elevar-te um sorriso de verdadeira arte em nudez poética. Sorriso que já disse o quanto abrigam pássaros de multiplicidade ímpar, de músicas e orquestras estonteantes que se destacam numa multidão de sonhos misturados na eternidade do prazer de te ler. Prazer que nasce quando o encontro acontece, me chamas para dançar. Eu aceito e nós dançamos as nossas preces com orquestras ao redor e no interior de todo o nosso corpo. Corpo temporário e imortal mas de alma acesa ao amar cada passo que a vida dá e damos também em recíproca dança de dois dançarinos a tocar a música que nasce no coração. Coração em eterna poesia pulsa, vibra e é também o instante que jorra presentes a nós e a toda gente. Multidão que não cessa de bater tambores, violões, flautas, violinos e cantar notas da poesia mais sincera de um olhar. Olhos que tudo dizem e que até a lágrima de dentro, a chuva contida guarda. Olhos de instantes passados, presentes e futuros falados banhados de tanta infinitude. Instantes recheados da emergência do nascimento das sementes, brotos, árvores, flores e frutos. Frutos da condição de ser a alma imortal e infinita. Infinita, infinita, infinita. Inexplicável! Inexprimível! Inimaginável! Apenas. 

 Paz e luz!
Luiza 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Escrever-te


Escrever para sorver a liberdade da vida, para sentir um pouco mais aquilo que nos toca. Escrever para alinhar pensamentos sentimentos energias. Escrever para ti e escrever para mim também, para lançar luz na escuridão, para abrir alguns caminhos nos olhos, algumas portas também. Escrever como um exercício de amor, ternura, para ativar a imaginação. A imaginação como um terceiro olho, como encontro sublime com a essência do mundo. Escrever para sorrir e espalhar sorrisos por aí. Escrever para me alimentar de pássaros a alma e regar aquilo que a vida me oferta que de tão belo presente transborda como uma cachoeira cristalina de esperança e notas de músicas que dançam com pássaros em todo o ser ao redor de tudo e eleva sua imensidão até a nota mais alta do amor no instante que o coração brota como flor no peito a dançar com ventos, redemoinhos, mistérios e vendavais. Ciclos que iniciam e terminam sem fim e dançam na eternidade de um beijo demorado e logo depois se abraçam no final de tudo que só começa novamente. Repara que não existe final e que tudo é um início constante de tudo. Finais adoráveis em melodias incansáveis. Pudera sorver a luz do infinito e tudo seria silêncio macio.

Poema de um abraço verdadeiro


se as palavras pudessem lhe abraçar 
daqui até o infinito 
em um abraço de imensidão 
de cachoeira das águas mais cristalinas 
e cada gotinha pudesse lhe cantar 
toda história de amor 
do tempo, da eternidade, 
da essência em suspensão 
na prece que mora no teu-meu coração


*

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Prosa de doce sincronia


Uma bela sincronia como Jung já dizia que tudo ocorre em sincronia. E isso é belo também e a beleza tem seus mistérios dançando em sincronia uns com os outros, em um baile imenso que o coração humano muitas vezes não consegue captar. Principalmente quando os olhos estão cheios da poeira da estrada, mas podem estar cheios de purpurina também. Seja poeira ou purpurina a vida nos ensina a caminhar e é preciso seguir com os passos atentos, os olhos voltados para agora, o coração voltado para Deus em oração de amor e devoção pelo caminho escolhido. Agradecendo a cada passo dado e cada passo que será no futuro. Um futuro recheado da certeza de ser a vida um encontro constante com Deus. Esse que está em tudo e que anima tudo, bate nos corações dos homens, é luz que brilha nos olhares, é sorriso que alimenta alegrias, é beleza de natureza infinda, é vento, é chuva, é sol, é poesia, é música, é lágrima cujo mar limpa toda poeira que quer nos fazer passar com seus vendavais aquilo que passou. É tanto que nem cabe aqui e cabe também naquele pedacinho ínfimo na palma da tua mão, na sola do teu pé, na pele, no sangue, na palavra, no silêncio. No senhor silêncio que tudo abriga e tudo nasce dele. Nascem uma infinitude de seres e coisas que as coisas são seres querendo ser Deus para nos revelar a graça do encontro em encontrar qualquer pedacinho da verdade ou até de ilusão que a ilusão é a verdade revestida de nuvens que atrapalham a visão, mas que também são Deus. Deus, poesia, energia, mistério ou qualquer nome que você queira dar para isto que corre no teu olhar, no teu coração, no teu ser e agora serena como uma prece em suspensão no ar. Vendaval, redemoinho, chuva que insiste em te dizer que a vida é boa pra valer e que só você pode escolher o caminho que vai te levar à compreender que a poesia nasce de tudo e em tudo emana e se espalha, como as ondas sonoras de um radio que querem encontrar uns ouvidos para serem escutadas. Então quando eu te disse que vale a pena. Vale sim, tudo vale poeira ou purpurina a vida ensina. E só quem tem Deus no coração saberá compreender seu sinal. E todos temos Deus no coração, só é preciso aceitar seu nascimento, seu surgimento apesar dos pesares de todo e de qualquer sofrimento. Independente de religiões, independente das paixões que te devastaram no meio do caminho. Lembra? A pedra de Drummond é pedra de luz! É pedra que nos anima e nos dá sentido ao caminho. É as vezes somente a pedra que nos impulsiona a viver e ver o que lá reside. O caos que insiste em nos amar feito redemoinho que não para para nos empurrar para frente. Por isso não deixe para mais tarde a poesia, o mistério, o amor, a música, a luz, o presente entrar em ti para te banhar de cócegas o coração, de beleza os olhos, de música os ouvidos, de silêncio a solidão, da infinitude, da eternidade. De preces de paz em união. Percebe que tudo quer se encontrar contigo, que tudo tem seu encaixe do que é vivo e brilha? Até o ar meu amor quer te encontrar como tua inspiração e até o ar que respiras faz dança nos teus pulmões. Até o coração canta e dança dentro de ti, até o sangue corre a dançar feito rio dentro do seu ser a alimentar a chama que acende e bate com seus tambores a glória de existir. A semente que nasce, cresce e floresce exalando toda sua beleza. Por isso não desperdice, limpe a poeira dos olhos e busque o verdadeiro encontro a nascer constantemente no mundo como que repentinamente a luzir em tudo, em todos e até em ti. Percebe que não nos cabe julgar, que só nos cabe amar e apreciar a dança sendo este ser que quer dançar também com tudo ao se encontrar com Deus e seus sublimes mistérios na palma de sua mão e também no teu coração? Percebes agora porque a pedra se encontra no teu caminho? É pedra de luz para brilhar teu caminho. É também pedra que se encontra dentro do teu coração. Aceite isso e sua vida será mais leve. Aceite isso e poderá voar e a pedra não será mais pedra. A pedra será etérea e revestida de poesia, de música, de mares, de sóis, de estrelas, de Deus.

*Paz e luz! 
 Luiza Maciel Nogueira


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Poema da viagem nas nuvens


a paisagem que agora tocam meus olhos

nuvens de ternura, algodões doces

céu em melodias sem fim

um ínfimo mais perto do sol

caminho sob nuvens em vendavais de luz

Lagos e rios pequeninos

formando labirintos

e agora a brancura fina da face de Deus

coberta de nuvens 

um pedacinho de céu azul 

transforma toda a paisagem

em pássaros de nuvens 

dos mais variados amores

das mais variadas cores

o branco novamente incide na paisagem

como a folha em branco e o silêncio

que tudo pode abrigar

passa uma nuvem quase invisível de tão leve

já agora as maravilhas texturas da nuvem

São reveladas graças aos raios solares

que as iluminam 

para não esquecer também das sombras

que fazem as luzes brilhar com maior intensidade

voo suave entre nuvens

as grandes, as pequenas e as quase invisíveis 

morros, montanhas, pequenas cidadezinhas

estradas, caminhos, plantações 

é delírio de mundo infindo

nuvenzinhas surgem como pontos sem fim

três pontinhos de nuvens...

o que será agora que estou a voar

como pássaro suspenso no ar a contemplar o céu

por isso digo preste atenção

não existe momento melhor que agora

o som do infinito, do útero da Mãe,

Mãe de todo silêncio, de toda liberdade

de toda música, essência, poesia, paz, energia

nasce aqui, jaz aqui, num agora infinito

basta abrir o coração, a porta dos seus sentidos

ao instante infinito


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A linguagem da vida


Contemplar até a essência brotar. Contemplar tudo até o fim do mundo. É esse o alimento da vida que pulsa nesta partícula de beleza eternizada pela luz de seu mistério enigmático, como algo que gira em redemoinhos e é ciclo eterno de bem viveres. Toda partícula gira gira gira feito roda gigante, feito gira gira de criança feliz que sorri por sorrir seu sol de profundezas imensas em meio aos seus pulos, jogos, brincadeiras e de sua certeza em ser feliz naquele instante que brinca de amar seu presente. Momento no qual tudo se encaixa ali por amor à vida. Sem a incerteza do amanhã ou a rebeldia de não sentir. As bonecas, o escorregador, a grama, a bola, o pianinho, tudo é lúdico, leve feito balanço que balança o coração da criança que é livre para brincar de amar. Brinca de esconder, brinca de pegar, de correr e ir atrás, de ninar ou balançar a bola que pula pula em nossa história. A história do primeiro instante que a vida nasce quando a criança sorriu e percebeu que sorria para dentro de si o que encontrou em seu coração em união com algo maior que si. Recíproco. Na reciprocidade de um encontro entre corações surge um sorriso verdadeiro no qual nada mais importa naquele instante além de sorrir. Esses momentos são dotados de eternidades que regam nosso ser quando uma lembrança se torna esperança ou também quando um olhar por seu brilho infinito atinge todo nosso ser da luminosidade do encontro com a vida, com a morte, com Deus, a poesia ou qualquer outro nome que você queira dar para dizer de uma união. Depois que o encontro acontece é preciso não esquecer que outros encontros virão, que a vida continua até mesmo depois do beijo da eternidade. Cada pedacinho de ar promete te encontrar como aquele sorriso um dia te encontrou. É então apenas o começo da infinitude de encontros que podem acontecer e devem se ainda mais você puder compreender que a linguagem da vida é te encontrar constantemente, sem parar!



domingo, 31 de janeiro de 2016

as árvores se abraçam

as árvores se abraçam 
em beijos repentinos de luz
são os raios solares da alma
que alimentam a esperança
de um encontro verdadeiro 
entre folhas, galhos 
entre tempos, ventos
entre sóis, chuvas
entre lágrimas, sorrisos 

as árvores se abraçam 
em preces de paz, amor e luz
é preciso aprender com elas
a aceitação diante do infinito
a entrega de apenas
se nutrir do alimento possível 
da impossibilidade da ternura
de tudo

as árvores se abraçam 
e fique atento
elas te abraçam também 
dançam nos olhos
e te nutrem de beleza
dançam na alma
e te nutrem da certeza
dançam e cantam 
preces de folhas em ventos
e até encantam 
com seus movimentos
para dizer que amam
para enamorar-se de todas as coisas
que coisas são seres
na infinita oração da plenitude

Luiza Maciel Nogueira
31/01/2016
15:00

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Verso silencioso


Terias tempo para ler um verso silencioso em prosa que diga não só do cansaço da alma mas da esperança que grita através do silêncio, através da essência que repousa agora no teu olhar? Terias tempo para nutrir teu ser das esperanças mais singelas? Terias um pedacinho pequeno de calma para apreciar a dança e aquilo que te encanta? E serias fiel a apenas contemplar sem rasgar com raiva, impaciência ou desassossego o tempo que foi e o tempo agora que te resta para ser feliz? Seria feliz mesmo sem nada que pudesses prender nas tuas mãos? Terias coragem de deixar passarinhos e passarões livres na palma da tua mão sem se prender por eles não voltarem na hora exata que queres, do jeito que queres ou anseias? Terias coragem de ser livre e deixaria os pássaros irem e voltarem quando quiserem? E formarias asas para voar também quando quiseres? E quando precisares criaria também raízes para ser morada também dos pássaros que não conseguem voar, mas precisariam aprender contigo? Ensinarias teus truques e deixaria eles voarem para onde quisessem ou apenas mostraria seus dotes, se envaidecendo sem nada oferecer de si? 

 Bem amado amigo é preciso ensinar a voar quem não foi ensinado. É preciso também ensinar fincar raízes para não se perder no caminho. É preciso apenas ser e permitir que os outros sejam mesmo que depois nunca mais o tempo nos traga de volta aquele que tanto amamos e tanto tanto queremos ao nosso lado. Só o que se deixa verdadeiramente livre nos liberta.

Luiza Maciel Nogueira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cada pingo da chuva que cai


cada pingo da chuva que cai
é um grito de liberdade
da natureza a luzir entretantos
tantos mares em gotas caem do céu 
que foi sol, foi nuvem, foi pássaro 
e é e será ainda mais 
infinitamente

(e quando a chuva cessa
cada pingo se torna mar na alma da gente)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Poema de quando ventos tocam folhas

as folhas das árvores balançam 
na quietude inquieta do vendaval
raios solares atingem sua pele
bailam em desesperar sem desespero
na calmaria de simplesmente bailar 
e não se importar com nada
além de dançar sua última música
e cantar sua última prece

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Poema dos redemoinhos



é nos ínfimos que a beleza habita
a cada pormenor do mundo que gira
 redemoinhos
da vida, do peito, da alma
de tudo que gesta no homem

a cada pedaço de sol
a habitar nossa tímida pele
para que nos aqueça e tranquilize
todo caos envolto de amor
que o tempo insiste em nos dar
que o vento insiste soprar
que a alma insiste amar


*

domingo, 17 de janeiro de 2016

Poema para a Poesia




poesia não deixa a rua vazia
poesia transborda maravilhas
poesia nasce continuamente como um presente 
a mais terna das artes
a mais amorosa das sortes
a loucura mais sensata de um homem
é ver a poesia todos os dias
a embalar suas retinas
a percorrer como música em seus ouvidos
a intuir a verdadeira sorte de amar
no toque do peito até o coração cantar



*

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Poemas para Isabelinha




Isabela

seus olhos de luz brilham
a maravilha de todas as cores
Isabela é o seu nome
bela as borboletas de seu sorriso
sorria parábolas inimagináveis 
impossíveis maravilhas 
transbordam as mais linda melodias
orquestras, solos e sonatas
do instrumento da luz mais pura
dançam ao redor de seus dentes
respira a mais lúcida brincadeira
e eu aprendia com ela a viver


Rabisco de dinossauro

dinossauros devoram
a impossibilidade das flores
dos traços imponderáveis 
da memória de te ter em meus braços
ainda nascida pelo fio da esperança 
quando você ainda mamava meu seio
e eu te oferecia o néctar da saudade
de te ter na minha barriga
ainda como uma breve semente de luz 
agora já com dois anos de vida
te vejo ainda mais viva
em rabiscos de dinossauros
que alimentam estrelas famintas
e enchem o papel de tanta luz
a abrir buracos inimagináveis
para a outra dimensão da folha





domingo, 10 de janeiro de 2016

Poema Passarinho

Voou um passarinho
passarinho bonitinho
e pousou no meu coração 
pediu asas para a imaginação 
voou solto e livre
e retornou para a sua estrada
ganhou asas o meu coração 

sábado, 9 de janeiro de 2016

O vento dança nas árvores

o vento dança nas árvores 
a árvore dança com o vento
abrindo um sorriso em minha face
meu coração é só movimento
de ventos em árvores 
de árvores em ventos 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Luz em ti

Luz
Luz nos pensamentos
Luz na vida
Luz em cada passo
Luz no teu caminho
Luz nos teus olhos
Luz no teu coração
Luz na tua palavra
Luz nas tuas mãos
Luz na tua canção
E que o amor te acompanhe
Sempre
a cada batida do teu coração


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Diálogos Fictícios: da desilusão

Bruna queria saber ao certo quando foi a última vez que se perdeu. Quando exatamente a realidade se tornou tão insuportável para precisar inverter os fatos. Pedro não a amava, jamais a amou algum dia e toda paixão que sentia era só dela. Jamais houve um tempo certo, um instante exato, uma palavra ou um afago, um sorriso que pudesse chamar de amor. Então suas palavras foram se tornando escassas. Ela que tinha tantas coisas lindas para lhe dizer. A realidade já não sustentava seus sonhos. Seus sonhos já estavam perdidos no meio de tanta crueldade que agora era hora de ver. Era hora de partir. E então foi o que fez. Finalmente partiu! Foi embora de um sonho que nunca se tornaria realidade. Tem pessoas que gostam de sonhar com coisas impossíveis de serem concretizadas. Bruna não gostava, sofria demais com as impossibilidades, com miragens pois sempre ficava com mais sede. Preferia mil vezes sonhar com o real, com o visível, com o palpável, com aquilo que chamava de poesia. E a poesia era a vida e a vida era poesia. Dessa vez realmente estava decidida a partir. Ainda que tarde, mas talvez no tempo certo, no tempo exato. No exato instante em que descobriu que não precisava mais desse sonho impossível e que podia muito bem amar a sua própria realidade, os seus próprios passos, o seu caminho. Um dia a desilusão chega para nos mostrar novos percursos a serem tomados e que agora o passado se tornava apenas passado e que o importante agora era a verdadeira poesia do eterno presente. O passado sim tem seus motivos para retornar na lembrança, para ser vivenciado novamente, para ser devidamente digerido, mas quando sentido na pele, no peito, no sangue é hora de seguir adiante e não olhar para trás.  

*

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Lago azul


I. 
quando uma gota cai
abre toda uma circunferência 
da plenitude da gota que cai 
ondulando toda sua existência 
no lago azul
a expandir um círculo
sob todo lago
assim se dá a união 
entre as gotas e a imensidão 

assim quando uma gota cai
o tempo se esvai
repercute em quem sente
mais do que pode imaginar
(é tanta gota que cai)

II.
a vida dos peixes
é nadar para movimentar as águas
no ritmo do tempo da onda
com sua pequena imensidão
em cada movimento
a cada respiração 
o lago inteiro vibra

III. 
assim no lago 
assim na vida
ondulam imensidões
no coração 
de cada peixe
que respira 
luzes, sombras ou nada
sem perceber o que sente

IV.

se você, eu e todo mundo
derramasse uma gota de sorriso
o lago inteiro ondularia
toda a imensidão 
do nosso riso
(Vamos sorrir juntos?)