Música!

domingo, 31 de janeiro de 2016

as árvores se abraçam

as árvores se abraçam 
em beijos repentinos de luz
são os raios solares da alma
que alimentam a esperança
de um encontro verdadeiro 
entre folhas, galhos 
entre tempos, ventos
entre sóis, chuvas
entre lágrimas, sorrisos 

as árvores se abraçam 
em preces de paz, amor e luz
é preciso aprender com elas
a aceitação diante do infinito
a entrega de apenas
se nutrir do alimento possível 
da impossibilidade da ternura
de tudo

as árvores se abraçam 
e fique atento
elas te abraçam também 
dançam nos olhos
e te nutrem de beleza
dançam na alma
e te nutrem da certeza
dançam e cantam 
preces de folhas em ventos
e até encantam 
com seus movimentos
para dizer que amam
para enamorar-se de todas as coisas
que coisas são seres
na infinita oração da plenitude

Luiza Maciel Nogueira
31/01/2016
15:00

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Verso silencioso


Terias tempo para ler um verso silencioso em prosa que diga não só do cansaço da alma mas da esperança que grita através do silêncio, através da essência que repousa agora no teu olhar? Terias tempo para nutrir teu ser das esperanças mais singelas? Terias um pedacinho pequeno de calma para apreciar a dança e aquilo que te encanta? E serias fiel a apenas contemplar sem rasgar com raiva, impaciência ou desassossego o tempo que foi e o tempo agora que te resta para ser feliz? Seria feliz mesmo sem nada que pudesses prender nas tuas mãos? Terias coragem de deixar passarinhos e passarões livres na palma da tua mão sem se prender por eles não voltarem na hora exata que queres, do jeito que queres ou anseias? Terias coragem de ser livre e deixaria os pássaros irem e voltarem quando quiserem? E formarias asas para voar também quando quiseres? E quando precisares criaria também raízes para ser morada também dos pássaros que não conseguem voar, mas precisariam aprender contigo? Ensinarias teus truques e deixaria eles voarem para onde quisessem ou apenas mostraria seus dotes, se envaidecendo sem nada oferecer de si? 

 Bem amado amigo é preciso ensinar a voar quem não foi ensinado. É preciso também ensinar fincar raízes para não se perder no caminho. É preciso apenas ser e permitir que os outros sejam mesmo que depois nunca mais o tempo nos traga de volta aquele que tanto amamos e tanto tanto queremos ao nosso lado. Só o que se deixa verdadeiramente livre nos liberta.

Luiza Maciel Nogueira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cada pingo da chuva que cai


cada pingo da chuva que cai
é um grito de liberdade
da natureza a luzir entretantos
tantos mares em gotas caem do céu 
que foi sol, foi nuvem, foi pássaro 
e é e será ainda mais 
infinitamente

(e quando a chuva cessa
cada pingo se torna mar na alma da gente)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Poema de quando ventos tocam folhas

as folhas das árvores balançam 
na quietude inquieta do vendaval
raios solares atingem sua pele
bailam em desesperar sem desespero
na calmaria de simplesmente bailar 
e não se importar com nada
além de dançar sua última música
e cantar sua última prece

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Poema dos redemoinhos



é nos ínfimos que a beleza habita
a cada pormenor do mundo que gira
 redemoinhos
da vida, do peito, da alma
de tudo que gesta no homem

a cada pedaço de sol
a habitar nossa tímida pele
para que nos aqueça e tranquilize
todo caos envolto de amor
que o tempo insiste em nos dar
que o vento insiste soprar
que a alma insiste amar


*

domingo, 17 de janeiro de 2016

Poema para a Poesia




poesia não deixa a rua vazia
poesia transborda maravilhas
poesia nasce continuamente como um presente 
a mais terna das artes
a mais amorosa das sortes
a loucura mais sensata de um homem
é ver a poesia todos os dias
a embalar suas retinas
a percorrer como música em seus ouvidos
a intuir a verdadeira sorte de amar
no toque do peito até o coração cantar



*

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Poemas para Isabelinha




Isabela

seus olhos de luz brilham
a maravilha de todas as cores
Isabela é o seu nome
bela as borboletas de seu sorriso
sorria parábolas inimagináveis 
impossíveis maravilhas 
transbordam as mais linda melodias
orquestras, solos e sonatas
do instrumento da luz mais pura
dançam ao redor de seus dentes
respira a mais lúcida brincadeira
e eu aprendia com ela a viver


Rabisco de dinossauro

dinossauros devoram
a impossibilidade das flores
dos traços imponderáveis 
da memória de te ter em meus braços
ainda nascida pelo fio da esperança 
quando você ainda mamava meu seio
e eu te oferecia o néctar da saudade
de te ter na minha barriga
ainda como uma breve semente de luz 
agora já com dois anos de vida
te vejo ainda mais viva
em rabiscos de dinossauros
que alimentam estrelas famintas
e enchem o papel de tanta luz
a abrir buracos inimagináveis
para a outra dimensão da folha





domingo, 10 de janeiro de 2016

Poema Passarinho

Voou um passarinho
passarinho bonitinho
e pousou no meu coração 
pediu asas para a imaginação 
voou solto e livre
e retornou para a sua estrada
ganhou asas o meu coração 

sábado, 9 de janeiro de 2016

O vento dança nas árvores

o vento dança nas árvores 
a árvore dança com o vento
abrindo um sorriso em minha face
meu coração é só movimento
de ventos em árvores 
de árvores em ventos 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Luz em ti

Luz
Luz nos pensamentos
Luz na vida
Luz em cada passo
Luz no teu caminho
Luz nos teus olhos
Luz no teu coração
Luz na tua palavra
Luz nas tuas mãos
Luz na tua canção
E que o amor te acompanhe
Sempre
a cada batida do teu coração


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Diálogos Fictícios: da desilusão

Bruna queria saber ao certo quando foi a última vez que se perdeu. Quando exatamente a realidade se tornou tão insuportável para precisar inverter os fatos. Pedro não a amava, jamais a amou algum dia e toda paixão que sentia era só dela. Jamais houve um tempo certo, um instante exato, uma palavra ou um afago, um sorriso que pudesse chamar de amor. Então suas palavras foram se tornando escassas. Ela que tinha tantas coisas lindas para lhe dizer. A realidade já não sustentava seus sonhos. Seus sonhos já estavam perdidos no meio de tanta crueldade que agora era hora de ver. Era hora de partir. E então foi o que fez. Finalmente partiu! Foi embora de um sonho que nunca se tornaria realidade. Tem pessoas que gostam de sonhar com coisas impossíveis de serem concretizadas. Bruna não gostava, sofria demais com as impossibilidades, com miragens pois sempre ficava com mais sede. Preferia mil vezes sonhar com o real, com o visível, com o palpável, com aquilo que chamava de poesia. E a poesia era a vida e a vida era poesia. Dessa vez realmente estava decidida a partir. Ainda que tarde, mas talvez no tempo certo, no tempo exato. No exato instante em que descobriu que não precisava mais desse sonho impossível e que podia muito bem amar a sua própria realidade, os seus próprios passos, o seu caminho. Um dia a desilusão chega para nos mostrar novos percursos a serem tomados e que agora o passado se tornava apenas passado e que o importante agora era a verdadeira poesia do eterno presente. O passado sim tem seus motivos para retornar na lembrança, para ser vivenciado novamente, para ser devidamente digerido, mas quando sentido na pele, no peito, no sangue é hora de seguir adiante e não olhar para trás.  

*

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Lago azul


I. 
quando uma gota cai
abre toda uma circunferência 
da plenitude da gota que cai 
ondulando toda sua existência 
no lago azul
a expandir um círculo
sob todo lago
assim se dá a união 
entre as gotas e a imensidão 

assim quando uma gota cai
o tempo se esvai
repercute em quem sente
mais do que pode imaginar
(é tanta gota que cai)

II.
a vida dos peixes
é nadar para movimentar as águas
no ritmo do tempo da onda
com sua pequena imensidão
em cada movimento
a cada respiração 
o lago inteiro vibra

III. 
assim no lago 
assim na vida
ondulam imensidões
no coração 
de cada peixe
que respira 
luzes, sombras ou nada
sem perceber o que sente

IV.

se você, eu e todo mundo
derramasse uma gota de sorriso
o lago inteiro ondularia
toda a imensidão 
do nosso riso
(Vamos sorrir juntos?)