quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Diálogos Fictícios: da desilusão

Bruna queria saber ao certo quando foi a última vez que se perdeu. Quando exatamente a realidade se tornou tão insuportável para precisar inverter os fatos. Pedro não a amava, jamais a amou algum dia e toda paixão que sentia era só dela. Jamais houve um tempo certo, um instante exato, uma palavra ou um afago, um sorriso que pudesse chamar de amor. Então suas palavras foram se tornando escassas. Ela que tinha tantas coisas lindas para lhe dizer. A realidade já não sustentava seus sonhos. Seus sonhos já estavam perdidos no meio de tanta crueldade que agora era hora de ver. Era hora de partir. E então foi o que fez. Finalmente partiu! Foi embora de um sonho que nunca se tornaria realidade. Tem pessoas que gostam de sonhar com coisas impossíveis de serem concretizadas. Bruna não gostava, sofria demais com as impossibilidades, com miragens pois sempre ficava com mais sede. Preferia mil vezes sonhar com o real, com o visível, com o palpável, com aquilo que chamava de poesia. E a poesia era a vida e a vida era poesia. Dessa vez realmente estava decidida a partir. Ainda que tarde, mas talvez no tempo certo, no tempo exato. No exato instante em que descobriu que não precisava mais desse sonho impossível e que podia muito bem amar a sua própria realidade, os seus próprios passos, o seu caminho. Um dia a desilusão chega para nos mostrar novos percursos a serem tomados e que agora o passado se tornava apenas passado e que o importante agora era a verdadeira poesia do eterno presente. O passado sim tem seus motivos para retornar na lembrança, para ser vivenciado novamente, para ser devidamente digerido, mas quando sentido na pele, no peito, no sangue é hora de seguir adiante e não olhar para trás.  

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