sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Verso silencioso


Terias tempo para ler um verso silencioso em prosa que diga não só do cansaço da alma mas da esperança que grita através do silêncio, através da essência que repousa agora no teu olhar? Terias tempo para nutrir teu ser das esperanças mais singelas? Terias um pedacinho pequeno de calma para apreciar a dança e aquilo que te encanta? E serias fiel a apenas contemplar sem rasgar com raiva, impaciência ou desassossego o tempo que foi e o tempo agora que te resta para ser feliz? Seria feliz mesmo sem nada que pudesses prender nas tuas mãos? Terias coragem de deixar passarinhos e passarões livres na palma da tua mão sem se prender por eles não voltarem na hora exata que queres, do jeito que queres ou anseias? Terias coragem de ser livre e deixaria os pássaros irem e voltarem quando quiserem? E formarias asas para voar também quando quiseres? E quando precisares criaria também raízes para ser morada também dos pássaros que não conseguem voar, mas precisariam aprender contigo? Ensinarias teus truques e deixaria eles voarem para onde quisessem ou apenas mostraria seus dotes, se envaidecendo sem nada oferecer de si? 

 Bem amado amigo é preciso ensinar a voar quem não foi ensinado. É preciso também ensinar fincar raízes para não se perder no caminho. É preciso apenas ser e permitir que os outros sejam mesmo que depois nunca mais o tempo nos traga de volta aquele que tanto amamos e tanto tanto queremos ao nosso lado. Só o que se deixa verdadeiramente livre nos liberta.

Luiza Maciel Nogueira

Um comentário:

AC disse...

A sua sensibilidade é tocante, Luiza, as asas da liberdade convivem muito bem com isso.

Um beijinho :)