segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Do Tudo (de 2010)

(Voar)

A imaginação faz caminho nos olhos do tempo de ternura, de viagem, de amor, de desamor, de vazios, de saudade, de nada. Tudo inventado para diversões repentinas da alma que sempre quis voar pela eternidade e as vezes pousar no instante é preciso. Alimento-me de pequenas coisas e as faço imensas repentinamente. Dessa beleza rio. O que me desperta é a sensação que invento do futuro instante, presente do universo. Universifico a esperança que acompanha cada passo, por vezes finjo o escuro, por vezes finjo a luz, por vezes finjo o nada, o vazio e danço o lume no pensamento. Não espero mais nada além do instante, mas sempre anseio a intimidade contigo. Não é suposto que entendas a sorte do quase, do ainda, do sempre e do nada. O vôo ocorre sem querer, inesperado, mas vital, brutal e essencial. O segredo é não precisar de uma resposta pronta, mas inventar as próprias respostas da alma e escutar atentamente o que elas nos querem dizer. O real é igualmente invenção. O desassossego é também presente para contemplarmos o caos da vida e irmos além da loucura. Da loucura sorver a sorte e desaprender o passado todo. Guardar o novo de cada instante no coração. Passados, presentes e futuros. Todos juntos, em união. O amor fica e vai, vai e fica e no final se espalha sobre o mundo depois de apreciarmos um bom café. Liberte-se das amarras da solidão sem aroma e navegue para além. No lume do instante mágico. Existências à parte, somos seres de muita vontade e basta um sorriso para que tudo nos faça sentido. A tristeza, essa faz parte daquilo que não soubemos amar, das nossas pequenas ou imensas inseguranças, dos instantes vazios, da pressa com que passamos sem apreciar algo ou alguém, das pequenas mortes de cada dia, do sofrer sem querer, da lágrima, da ferida, das cicatrizes da vida. Faz parte dizer, silenciar, musicar, tocar, amar e por vezes achar que tudo é uma grande miragem inalcançável. Um dia ainda vais ver que o que nos move é exatamente o que não podemos ser. Aquele brilho que queremos alcançar e que talvez não se veja que ele faz parte já de nós esperançosamente. Intenso sim, a forma como tudo se encaixa e depois bagunço para perder de vista mais uma vez. Não foi suposto dizer dos mistérios. Por isso calo, aprecio e deixo que o vento leve o que não cabe mais em mim e que dance no sem fim.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Todo Amor


Eu queria que esse mundo acabasse
em uma explosão de luz.
Versos de luz navegariam na cidade
ao redor de todo amor.

E de repente todo tempo seria
um breve instante só, sem dó, sem nó.
E tudo que restou iniciaria um dia de sol.
A primeira coisa que desenharia
seria um verso ao redor de todo amor.




poema escrito em 6 de Outubro, 2009

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Revoadas

 Revoadas alimentam os instantes recheados de pássaros livres, leves e soltos sob céu e sóis, sob ventos e redemoinhos, sob toda poesia em alforria. Sóis que perpassam e circunscrevem o horizonte em raios de asas e azuis dançantes. Pássaros em caminhos de dança anunciando a chuva, tempestade que vem para lavar o pó da secura dos tempos. Antes da chuva inicia uma garoa quase invisível não fossem os olhos mareados da água em brilho de repentina mudança. Esperança que tece vendavais de luz nas retinas de quem viu o amor passar e vê constantemente feito maravilha em mares com ilhas regadas de sonho, música e o prazer da alma que cria por criar. Cria para desapegar-se do instante que passou e para apegar-se das palavras de belo esplendor, para regar a alma de luz também. Consciente da luz da vida que emana de tudo, de todos, até o fim do mundo que não terá fim na eternidade. Eterno seu jeito de recitar a palavra mais sincera, tão terno encontro em meus ouvidos escutam a maciez de um beijo concebido. Beija o instante e a poesia virá. Bela e circundante até a ternura brotar e em nossos corações cantar a alegria de viver mais um dia. Alegria de não querer segurar nada para si e apenas espalhar esse pó de purpurina cristalina que as palavras ofertam em abraço de purpurina que quer grudar em ti e lá ficar a contemplar tudo que lá reside. Reside uma imensa poesia múltipla, inteira, inexplicável em todo teu ser amável. Poesia que não termina, infinda, natural, simples que mora no espaço do ínfimo e no espaço do imenso. Imenso feito horizonte de nascer de sóis uns atrás dos outros. Tão belo que qualquer arte será insignificante perto da essência disso, mas insisto em captar o mínimo daquilo que se fez para ser escrito. 
Escrevo para relatar a inexplicável, inexprimível, inimaginável força que existe em cada olhar, coração, pele, pedacinho de ti que se mistura com tudo em dança, poesia, música em ritmo crescente para elevar-te um sorriso de verdadeira arte em nudez poética. Sorriso que já disse o quanto abrigam pássaros de multiplicidade ímpar, de músicas e orquestras estonteantes que se destacam numa multidão de sonhos misturados na eternidade do prazer de te ler. Prazer que nasce quando o encontro acontece, me chamas para dançar. Eu aceito e nós dançamos as nossas preces com orquestras ao redor e no interior de todo o nosso corpo. Corpo temporário e imortal mas de alma acesa ao amar cada passo que a vida dá e damos também em recíproca dança de dois dançarinos a tocar a música que nasce no coração. Coração em eterna poesia pulsa, vibra e é também o instante que jorra presentes a nós e a toda gente. Multidão que não cessa de bater tambores, violões, flautas, violinos e cantar notas da poesia mais sincera de um olhar. Olhos que tudo dizem e que até a lágrima de dentro, a chuva contida guarda. Olhos de instantes passados, presentes e futuros falados banhados de tanta infinitude. Instantes recheados da emergência do nascimento das sementes, brotos, árvores, flores e frutos. Frutos da condição de ser a alma imortal e infinita. Infinita, infinita, infinita. Inexplicável! Inexprimível! Inimaginável! Apenas. 

 Paz e luz!
Luiza 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Escrever-te


Escrever para sorver a liberdade da vida, para sentir um pouco mais aquilo que nos toca. Escrever para alinhar pensamentos sentimentos energias. Escrever para ti e escrever para mim também, para lançar luz na escuridão, para abrir alguns caminhos nos olhos, algumas portas também. Escrever como um exercício de amor, ternura, para ativar a imaginação. A imaginação como um terceiro olho, como encontro sublime com a essência do mundo. Escrever para sorrir e espalhar sorrisos por aí. Escrever para me alimentar de pássaros a alma e regar aquilo que a vida me oferta que de tão belo presente transborda como uma cachoeira cristalina de esperança e notas de músicas que dançam com pássaros em todo o ser ao redor de tudo e eleva sua imensidão até a nota mais alta do amor no instante que o coração brota como flor no peito a dançar com ventos, redemoinhos, mistérios e vendavais. Ciclos que iniciam e terminam sem fim e dançam na eternidade de um beijo demorado e logo depois se abraçam no final de tudo que só começa novamente. Repara que não existe final e que tudo é um início constante de tudo. Finais adoráveis em melodias incansáveis. Pudera sorver a luz do infinito e tudo seria silêncio macio.

Poema de um abraço verdadeiro


se as palavras pudessem lhe abraçar 
daqui até o infinito 
em um abraço de imensidão 
de cachoeira das águas mais cristalinas 
e cada gotinha pudesse lhe cantar 
toda história de amor 
do tempo, da eternidade, 
da essência em suspensão 
na prece que mora no teu-meu coração


*

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Prosa de doce sincronia


Uma bela sincronia como Jung já dizia que tudo ocorre em sincronia. E isso é belo também e a beleza tem seus mistérios dançando em sincronia uns com os outros, em um baile imenso que o coração humano muitas vezes não consegue captar. Principalmente quando os olhos estão cheios da poeira da estrada, mas podem estar cheios de purpurina também. Seja poeira ou purpurina a vida nos ensina a caminhar e é preciso seguir com os passos atentos, os olhos voltados para agora, o coração voltado para Deus em oração de amor e devoção pelo caminho escolhido. Agradecendo a cada passo dado e cada passo que será no futuro. Um futuro recheado da certeza de ser a vida um encontro constante com Deus. Esse que está em tudo e que anima tudo, bate nos corações dos homens, é luz que brilha nos olhares, é sorriso que alimenta alegrias, é beleza de natureza infinda, é vento, é chuva, é sol, é poesia, é música, é lágrima cujo mar limpa toda poeira que quer nos fazer passar com seus vendavais aquilo que passou. É tanto que nem cabe aqui e cabe também naquele pedacinho ínfimo na palma da tua mão, na sola do teu pé, na pele, no sangue, na palavra, no silêncio. No senhor silêncio que tudo abriga e tudo nasce dele. Nascem uma infinitude de seres e coisas que as coisas são seres querendo ser Deus para nos revelar a graça do encontro em encontrar qualquer pedacinho da verdade ou até de ilusão que a ilusão é a verdade revestida de nuvens que atrapalham a visão, mas que também são Deus. Deus, poesia, energia, mistério ou qualquer nome que você queira dar para isto que corre no teu olhar, no teu coração, no teu ser e agora serena como uma prece em suspensão no ar. Vendaval, redemoinho, chuva que insiste em te dizer que a vida é boa pra valer e que só você pode escolher o caminho que vai te levar à compreender que a poesia nasce de tudo e em tudo emana e se espalha, como as ondas sonoras de um radio que querem encontrar uns ouvidos para serem escutadas. Então quando eu te disse que vale a pena. Vale sim, tudo vale poeira ou purpurina a vida ensina. E só quem tem Deus no coração saberá compreender seu sinal. E todos temos Deus no coração, só é preciso aceitar seu nascimento, seu surgimento apesar dos pesares de todo e de qualquer sofrimento. Independente de religiões, independente das paixões que te devastaram no meio do caminho. Lembra? A pedra de Drummond é pedra de luz! É pedra que nos anima e nos dá sentido ao caminho. É as vezes somente a pedra que nos impulsiona a viver e ver o que lá reside. O caos que insiste em nos amar feito redemoinho que não para para nos empurrar para frente. Por isso não deixe para mais tarde a poesia, o mistério, o amor, a música, a luz, o presente entrar em ti para te banhar de cócegas o coração, de beleza os olhos, de música os ouvidos, de silêncio a solidão, da infinitude, da eternidade. De preces de paz em união. Percebe que tudo quer se encontrar contigo, que tudo tem seu encaixe do que é vivo e brilha? Até o ar meu amor quer te encontrar como tua inspiração e até o ar que respiras faz dança nos teus pulmões. Até o coração canta e dança dentro de ti, até o sangue corre a dançar feito rio dentro do seu ser a alimentar a chama que acende e bate com seus tambores a glória de existir. A semente que nasce, cresce e floresce exalando toda sua beleza. Por isso não desperdice, limpe a poeira dos olhos e busque o verdadeiro encontro a nascer constantemente no mundo como que repentinamente a luzir em tudo, em todos e até em ti. Percebe que não nos cabe julgar, que só nos cabe amar e apreciar a dança sendo este ser que quer dançar também com tudo ao se encontrar com Deus e seus sublimes mistérios na palma de sua mão e também no teu coração? Percebes agora porque a pedra se encontra no teu caminho? É pedra de luz para brilhar teu caminho. É também pedra que se encontra dentro do teu coração. Aceite isso e sua vida será mais leve. Aceite isso e poderá voar e a pedra não será mais pedra. A pedra será etérea e revestida de poesia, de música, de mares, de sóis, de estrelas, de Deus.

*Paz e luz! 
 Luiza Maciel Nogueira


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Poema da viagem nas nuvens


a paisagem que agora tocam meus olhos

nuvens de ternura, algodões doces

céu em melodias sem fim

um ínfimo mais perto do sol

caminho sob nuvens em vendavais de luz

Lagos e rios pequeninos

formando labirintos

e agora a brancura fina da face de Deus

coberta de nuvens 

um pedacinho de céu azul 

transforma toda a paisagem

em pássaros de nuvens 

dos mais variados amores

das mais variadas cores

o branco novamente incide na paisagem

como a folha em branco e o silêncio

que tudo pode abrigar

passa uma nuvem quase invisível de tão leve

já agora as maravilhas texturas da nuvem

São reveladas graças aos raios solares

que as iluminam 

para não esquecer também das sombras

que fazem as luzes brilhar com maior intensidade

voo suave entre nuvens

as grandes, as pequenas e as quase invisíveis 

morros, montanhas, pequenas cidadezinhas

estradas, caminhos, plantações 

é delírio de mundo infindo

nuvenzinhas surgem como pontos sem fim

três pontinhos de nuvens...

o que será agora que estou a voar

como pássaro suspenso no ar a contemplar o céu

por isso digo preste atenção

não existe momento melhor que agora

o som do infinito, do útero da Mãe,

Mãe de todo silêncio, de toda liberdade

de toda música, essência, poesia, paz, energia

nasce aqui, jaz aqui, num agora infinito

basta abrir o coração, a porta dos seus sentidos

ao instante infinito


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A linguagem da vida


Contemplar até a essência brotar. Contemplar tudo até o fim do mundo. É esse o alimento da vida que pulsa nesta partícula de beleza eternizada pela luz de seu mistério enigmático, como algo que gira em redemoinhos e é ciclo eterno de bem viveres. Toda partícula gira gira gira feito roda gigante, feito gira gira de criança feliz que sorri por sorrir seu sol de profundezas imensas em meio aos seus pulos, jogos, brincadeiras e de sua certeza em ser feliz naquele instante que brinca de amar seu presente. Momento no qual tudo se encaixa ali por amor à vida. Sem a incerteza do amanhã ou a rebeldia de não sentir. As bonecas, o escorregador, a grama, a bola, o pianinho, tudo é lúdico, leve feito balanço que balança o coração da criança que é livre para brincar de amar. Brinca de esconder, brinca de pegar, de correr e ir atrás, de ninar ou balançar a bola que pula pula em nossa história. A história do primeiro instante que a vida nasce quando a criança sorriu e percebeu que sorria para dentro de si o que encontrou em seu coração em união com algo maior que si. Recíproco. Na reciprocidade de um encontro entre corações surge um sorriso verdadeiro no qual nada mais importa naquele instante além de sorrir. Esses momentos são dotados de eternidades que regam nosso ser quando uma lembrança se torna esperança ou também quando um olhar por seu brilho infinito atinge todo nosso ser da luminosidade do encontro com a vida, com a morte, com Deus, a poesia ou qualquer outro nome que você queira dar para dizer de uma união. Depois que o encontro acontece é preciso não esquecer que outros encontros virão, que a vida continua até mesmo depois do beijo da eternidade. Cada pedacinho de ar promete te encontrar como aquele sorriso um dia te encontrou. É então apenas o começo da infinitude de encontros que podem acontecer e devem se ainda mais você puder compreender que a linguagem da vida é te encontrar constantemente, sem parar!