sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Revoadas

 Revoadas alimentam os instantes recheados de pássaros livres, leves e soltos sob céu e sóis, sob ventos e redemoinhos, sob toda poesia em alforria. Sóis que perpassam e circunscrevem o horizonte em raios de asas e azuis dançantes. Pássaros em caminhos de dança anunciando a chuva, tempestade que vem para lavar o pó da secura dos tempos. Antes da chuva inicia uma garoa quase invisível não fossem os olhos mareados da água em brilho de repentina mudança. Esperança que tece vendavais de luz nas retinas de quem viu o amor passar e vê constantemente feito maravilha em mares com ilhas regadas de sonho, música e o prazer da alma que cria por criar. Cria para desapegar-se do instante que passou e para apegar-se das palavras de belo esplendor, para regar a alma de luz também. Consciente da luz da vida que emana de tudo, de todos, até o fim do mundo que não terá fim na eternidade. Eterno seu jeito de recitar a palavra mais sincera, tão terno encontro em meus ouvidos escutam a maciez de um beijo concebido. Beija o instante e a poesia virá. Bela e circundante até a ternura brotar e em nossos corações cantar a alegria de viver mais um dia. Alegria de não querer segurar nada para si e apenas espalhar esse pó de purpurina cristalina que as palavras ofertam em abraço de purpurina que quer grudar em ti e lá ficar a contemplar tudo que lá reside. Reside uma imensa poesia múltipla, inteira, inexplicável em todo teu ser amável. Poesia que não termina, infinda, natural, simples que mora no espaço do ínfimo e no espaço do imenso. Imenso feito horizonte de nascer de sóis uns atrás dos outros. Tão belo que qualquer arte será insignificante perto da essência disso, mas insisto em captar o mínimo daquilo que se fez para ser escrito. 
Escrevo para relatar a inexplicável, inexprimível, inimaginável força que existe em cada olhar, coração, pele, pedacinho de ti que se mistura com tudo em dança, poesia, música em ritmo crescente para elevar-te um sorriso de verdadeira arte em nudez poética. Sorriso que já disse o quanto abrigam pássaros de multiplicidade ímpar, de músicas e orquestras estonteantes que se destacam numa multidão de sonhos misturados na eternidade do prazer de te ler. Prazer que nasce quando o encontro acontece, me chamas para dançar. Eu aceito e nós dançamos as nossas preces com orquestras ao redor e no interior de todo o nosso corpo. Corpo temporário e imortal mas de alma acesa ao amar cada passo que a vida dá e damos também em recíproca dança de dois dançarinos a tocar a música que nasce no coração. Coração em eterna poesia pulsa, vibra e é também o instante que jorra presentes a nós e a toda gente. Multidão que não cessa de bater tambores, violões, flautas, violinos e cantar notas da poesia mais sincera de um olhar. Olhos que tudo dizem e que até a lágrima de dentro, a chuva contida guarda. Olhos de instantes passados, presentes e futuros falados banhados de tanta infinitude. Instantes recheados da emergência do nascimento das sementes, brotos, árvores, flores e frutos. Frutos da condição de ser a alma imortal e infinita. Infinita, infinita, infinita. Inexplicável! Inexprimível! Inimaginável! Apenas. 

 Paz e luz!
Luiza 

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